Mês tremendamente atribulado e repleto de leituras.


Comprados
Fui ao Festival Contacto, em Benfica, e não saí de mãos a abanar (mais em baixo): trouxe No caderno da Tangerina, de Rita Alfaiate.

Tinha um vale FNAC generoso, porque mudei de emprego e foi prenda de despedida dos ex-colegas. Gastei-o no dia do livro (23 de Abril), da seguinte forma:
Call me by your name, de André Aciman
The Princess Diarist, de Carrie Fisher
Just Kids, de Patti Smith
Herland, de Charlotte Perkins Gillman
Amok, suivi de Lettre d'une inconnue, de Stefan Zweig
The Princess Bride, de William Goldman

Fica aqui o profundo agradecimento aos meus colegas e amigos, que me aturaram uns tempos, se viram livres de mim, e ainda me presentearam por isso. Foi este o resultado da vossa generosidade, amizade, etc. #bodyshots

Lidos
Mês recheado de leituras. E das boas! Acabei Little Women & Good Wives, que tinha começado em Março, na altura leitura conjunta com a Daniela e a Marta. As edições delas, portuguesas, tinham apenas o primeiro volume, mas eu li ambos. Depois, parti para O Nervo Ótico, de María Gainza, que foi uma belíssima surpresa: história de arte, arte, vidas de pintores, vida real. No entretanto, li No caderno da Tangerina, de Rita Alfaiate, uma bonita obra de banda desenhada portuguesa.

A partir daí entrei nos projectos que tinha mencionado em Março: Livros no Ecrã, e Abril, Contos Mil. Bichos, de Miguel Torga, inaugurou a fase dos contos. Nunca tinha lido Miguel Torga, e foi uma boa descoberta - tenho aqui no blog opiniões de outros autores portugueses que escreveram contos, e apenas Maria Judite de Carvalho me tinha conquistado até à altura.

Li Pinocchio, de Carlo Collodi, na ideia de ver posteriormente o filme da Disney. A edição é lindíssima; o livro tem o seu quê de absurdo e macabro. Recomendo, bem como recomendo a leitura de todos os livros que algum dia deram origem a filmes de animação. As crianças do séc. XIX eram mais rijas do que as crianças que a Disney imagina. A mulher que prendeu a chuva foi a minha estreia com Teolinda Gersão, um livro de contos que não me desiludiu. Como disse neste post, este volume, que comprei na Dejà Lu, vinha autografado pela autora.

De seguida, li Dez razões para aspirar a ser gato, de Valério Romão, livro que comprei pelo título, como já aqui escrevi. Não desiludiu, nem com as elevadas expectativas criadas no momento da compra. O livro trata, precisamente, do que o título diz: temos dez breves narrativas de pessoas em situações distintas, que, no auge do seu descontentamento com a vida, prefeririam ser um gato.

The House on Mango Street, de Sandra Cisneros, é um livro que adquiri por talvez 2€ em Paris, numa loja de livros usados, e é um livro que eu queria absolutamente ler, não só porque a cor da capa me encanta (razão fútil), mas por saber que era sobre uma rapariga latina a crescer nos Estados Unidos. É uma série de narrativas sobre Mango Street; a melhor analogia que encontro é "uma espécie de Os da minha rua, versão latino-americana". É doloroso, lindíssimo.

Peguei n'A Sucessora, de Carolina Nabuco, livro que tinha comprado na mesma ocasião que o da Teolinda Gersão. Conheço toda a história do alegado plágio, Daphne du Maurier, Rebecca, etc. Li o Rebecca há vários anos, ainda não vi o filme. A história é interessante - Marina, uma rapariga jovem, casa-se com Roberto Steen, viúvo da magnífica Madame Steen, que conquistara a sociedade brasileira e europeia. Tal como em Rebecca, Marina sente-se dominada pela falecida - mas as histórias diferem, e direi mais numa review que aí virá.

Aventurei-me mais em Banda Desenhada (a ganhar ímpeto para o Free Comic Book Day, já no dia 5 de Maio, na Gateway City Comics!), e li Blacksad - Amarillo, de Díaz Canales e Guarnido. Descobri que os outros quatro volumes, anteriores a este, foram editados pela ASA, e dois deles estão já esgotados.

Por último, comecei a ler Meninas, de Maria Teresa Horta.

E agora, a tarefa de meter o blog em dia?

Outros
Fui ao Contacto, Festival de Literatura Fantástica e Ficção Científica, no Palácio Baldaya, em Benfica. Deixo aqui o link do texto de rescaldo da Imaginauta, editora que promoveu o evento, e abaixo o que escrevi na altura no Facebook aqui do blog, em resposta:

 

Fui ontem ao Contacto 2018, promovido pela Imaginauta, e era uma das que nunca tinha ido a um evento de literatura fantástica e de fantasia - aliás, fui porque o meu namorado, nunca tendo lido muito do género, é apaixonado pelo mesmo e insistiu que fôssemos. Tal como com a Feira do Livro de Poesia de Campo de Ourique (sobre a qual escrevi aqui), tive a oportunidade de conhecer projectos, autores e pessoas que desconhecia por completo. Destaco Pedro Cipriano, da Editorial Divergência, e os responsáveis da Legendary Books.

O meu namorado saiu de lá com três livros e a ideia que realmente há literatura de fantasia e ficção científica por explorar em português; eu comprei apenas um, No caderno da Tangerina, de Rita Alfaiate, publicado pela Escorpião Azul, que me foi muitíssimo recomendado na banca da Legendary Books. Conheço muito, muito pouco do mundo da banda desenhada portuguesa (ansiosa pelo Free Comic Book Day da Gateway City Comics, já daqui a um mês) e fiquei muito interessada no trabalho desta editora, que desconhecia por completo - acrescento que, do seu catálogo, também veio connosco SINtra, de Inês Garcia e Tiago Cruz, autores que tivemos oportunidade de conhecer no evento, e serão ambas leituras para breve.

Em suma: fui basicamente "de arrasto" a este evento, e o saldo foi muitíssimo positivo. Há projectos literários de enorme valor com muito menos visibilidade que as grandes editoras, e valem muito a pena.