«No teu poema

Existe um verso em branco

E sem medida

Um corpo que respira

Um céu aberto

Janela debruçada para a vida

No teu poema

Existe a dor calada lá no fundo

O passo da coragem em casa escura

E aberta uma varanda para o mundo

[...]

No teu poema

Existe um canto chão alentejano

A rua e o pregão de uma varina

E um barco assoprado a todo o pano

[...]

Existe um rio

A sina de quem nasce fraco ou forte

O risco, a raiva e a luta

De quem cai ou que resiste

Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema

Existe a esperança acesa atrás do muro

Existe tudo o mais que ainda me escapa

E um verso em branco à espera do futuro»