![]() |
| Fotografia da minha autoria |
«A vida é um sopro»
Um sopro sem jeito
Sem tempo no teu leito
Incerto, benevolente
Onde se perde a memória
De um passado selvagem
Que morre nas minhas mãos
E há uma sombra obtusa
Que me desenlaça
Para fora deste chão
Para fora do teu alpendre de cetim
Sem mim a baloiçar
Na cadeira amadeirada
Desarmada e sem jeito
Afasto todas as imperfeições
Que em plena metamorfose
Me envaidecem
Pelo tanto que [te] custa
Perderes-te de amores
[Um sopro teu
Sem nós de mágoa
Mas com orgulho ferido]
E é sem calma
E sem alma
Que me sinto a cair
Tal como um vitral
Em fragmentos desalinhados
E trazendo a madrugada no olhar
Sento-me no parapeito do teu silêncio
Vendo a apagar a chama
E a esperança livre
Por entre a luz ofuscante
De um último suspiro
