José Saramago

17 textos neste tema

Presságios de Saramago

Por: Giovana Proença

Fonte: Revista Fina | Publicado em: 2021-07-08 22:35

Literatura, Lutas sociais, Feminismo, Direitos humanos, Filosofia, Pandemia, Crítica social

imagem/reprodução

Único escritor lusófono a ser laureado com o Nobel, em Ensaio sobre a cegueira, Saramago antecipa questões de lutas sociais da segunda década do século XXI. 

Giovana Proença

Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?”, a pergunta ecoa as páginas de Ensaio sobre a Cegueira, livro decisivo para a conquista do Nobel de José Saramago em 1998, três anos após a publicação da magnus opus do autor português, primeiro e único lusófano a ser contemplado pela maior honraria da Literatura. A Academia Sueca, responsável pelo prêmio, enalteceu o escritor pela compreensão da realidade fugidia em suas parábolas. A declaração corrobora com o teor profético da obra de Saramago: a dissecação da anatomia das contradições de estruturas sociais que se tornariam latentes nas primeiras duas décadas do século XXI.  

As narrativas alegóricas de Saramago, em seu uso magistral da figura de linguagem, ultrapassam a estilística e atingem o grito de clamor do Ensaio sobre a cegueira: a necessidade urgente do olhar. No século em que questões sociais tem se pautado como essenciais nas lutas por justiça e protestos por equidade, temas que permeiam o livro reforçam a visão afiada da autoria do considerado maior escritor português dos últimos tempos. 

Estou cego”, afirma a primeira vítima, nomeado no livro como o primeiro cego. A partir disso, com o avanço da contaminação, conhecemos outras personagens, nomeados por suas características e funções dentro da obra: o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros. Ian Watt define que o romance nomeia os indivíduos por um nome próprio na especificação, Saramago vai para outra direção: a padronização e a identificação. A cegueira pode atingir à todos, socialmente não há distinções. Tipos sociais desfilam nas páginas agudas de Ensaio sobre a cegueira  e nos remetem aos personagens típicos de nossa própria epidemia, causada pelo vírus COVID- 19.  

O maior trunfo da magnus opus de Saramago define-se no teor dos presságios de Ensaio sobre a cegueira, antecipando questões que se desenvolveriam na segunda década do século XXI, na eclosão de lutas de grupos minoritários. Em um dos pontos de tensão do livro, o valor da legítima defesa é questionado, no tratamento da vulnerabilidade de indivíduos indefesos – simbolizados pela cegueira – vistos como alvos, com justificativa nas supostas ameaças representadas. Impossível não traçar paralelo com as ondas de protestos que tomaram países como o Brasil e os Estados Unidos em reação ao racismo e a violência policial, quase sempre justificadas pela legítima defesa frente às ameaças imaginárias. Refletimos assim, quem são os corpos vulneráveis na nossa realidade palpável, remetendo ao conceito de homo sacer elaborado por Giorgio Agamben a partir de termos do direito arcaico romano,  no que toca o poder soberano de decidir quais vida tem valor e direito de ser vividas, e quais são “matáveis” dentro da estrutura. 

As ideias de Rousseau e de Hobbes acerca do estado natural humano duelam no texto, que contesta o limiar entre humanidade e animalidade: o bom selvagem de Rousseau e o homem em seu estado natural de Hobbes se manifestam, respectivamente, na pequena sociedade solidária formada pelos cegos protagonistas do livro de Saramago e no grupo que passa a dividir com eles o espaço do enclausuramento, controlando o fluxo de alimentos. A contradição entre a comunidade cega atinge o apogeu quando a alimentação passa a ter um preço: o corpo das mulheres.  

Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” A frase que sintetiza o legado expressivo de Simone de Beauvoir, filósofa existencialista e feminista francesa, ganha vida no enredo de Saramago. Mais uma vez, o caráter premonitório de emergências de grupos sociais historicamente marginalizados sublinha O Ensaio sobre a cegueira, tendo em vista a explosão feminista que vêm adquirindo novos contornos na segunda década do século XXI, colocando temas como o empoderamento e o protagonismo feminino em evidência.  

Sendo as mulheres as mais atingidas pelas injustiças da epidemia, o protagonismo para libertação do isolamento – e suas condições desumanizadoras – é todo feminino. Elas se sacrificam pelo bem-estar social, simbólico para se pensar a presença feminina na base da pirâmide comunitária A mulher do médico, única pessoa não infectada pela cegueira, é quem assassina seu algoz e estuprador; outra cega, aturdida pela violação, ateia fogo no espaço da quarentena, libertando- os para o mundo. Assim, as personagens descobrem que a cegueira atingira à toda população, ainda que apenas eles, os primeiros, foram isolados. Mais episódios traduzem o valor da união feminina: após os abusos, a mulher do médico limpa as companheiras em ato de alteridade, como se purificasse a si mesma; já libertas, as mulheres do núcleo civilizador que se firmara no isolamento,  se colocam a lavar as roupas, elas próprias, e a rir em meio à chuva, em celebração da aliança. 

O primeiro cego, ao machucar-se, vê o sangue como algo alheio de si, ainda que o pertencesse. A alienação de aspectos intrínsecos a si, é o primeiro fator para a alienação das minorias quanto  as contradições das estruturas de poder que regem o organismo social. Enclausurados, sem condições básicas de vivência – em ares que aludem ao ambiente das superlotadas prisões brasileiras – os indivíduos cegos são retirados de sua humanidade,  ainda que não possam se perceber privados do estado civilizatório.. A obra de Saramago é um grito contra às opressões, de modo que antecipa em caráter premonitório questões ligadas à debates que emergiram na segunda década do século XXI, em lutas sociais de grupos historicamente marginalizados 

O maior escritor lusófano dos últimos tempos pauta, na figura da mulher do médico, “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”, uma ode aos que enxergam a violência, e tomam atitudes práticas para seu fim. A obra instaura a importância da visão, o olhar para o mundo em sua faceta mais brutal e o questionamento: não estamos todos cegos?  Saramago é necessário, em tempos pandêmicos que ressoam tanto o Ensaio sobre a cegueira, precisamos constatar que o mundo pode se aproximar do estado que em suas personagens o viram, curados do cegamento: tomado pela barbárie. 

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Publicado por Giovana Proença

Taubateana de 2000. É pesquisadora na área de Teoria Literária na USP. Tem textos sobre livros e literatura publicados em jornais como Rascunho, Estado de Minas e O Estado de S. Paulo Ver todos os posts de Giovana Proença

Texto originalmente publicado em Revista Fina

Saramago e nós

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2022-11-20 07:13

literatura portuguesa, José Saramago, identidade galega, crítica literária, imigração

Pode resultar sorprendente pero esta é unha achega que leva, dalgún xeito, trinta e catro anos esperando a que, a xeito de síntese, se escriba. Supoño que, como en todo, cómpre saber agardar. A finais dos anos oitenta asumín a responsabilidade, baixo a dirección da catedrática Pilar Vázquez Cuesta, de realizar un traballo académico sobre calquera voz da literatura portuguesa contemporánea. Non sei ben as razóns que me conduciron á narrativa de José Saramago, de quen hai dous día se conmemorou o centenario do seu nacemento en Azinhaga, unha aldea do Ribatejo que el, dalgún xeito, puxo no mapa para sempre.

            Aquel Saramago era unha voz en progresión, cun ritmo de publicacións moi intenso e que sempre fora fiel á editorial Caminho, na que publicara toda a súa obra.

            Desde o punto de vista formativo o reto de enfrontarme á lectura e análise das cinco novelas que publicara até o momento posibilitou achegarme ás claves dunha produción literaria moi singular e afondar nas posibles razóns das temáticas escollidas, na súa arquitectura e na forma peculiar de narrar, que entendía como insólita e orixinal. Non é este o sitio nin sequera para referirme ao que eses cinco “romances” encerraban, claro é, mais si pode encerrar certo interese abordar como neles se nos vía a nós.

            Fóra do iniciático Manuel de Pintura e Caligrafia, foi en Levantado do Chão onde se detecta o que será o embrión de posteriores referencias ao se referir ao guerrilleiro “O Piloto” -Xosé Castro Veiga- como metáfora da entrada violenta de alguén na casa de António Mau-Tempo cando este se ve obrigado a asistir a un comicio político en Évora a favor dos gañadores da guerra civil. En Memorial do Convento, pola súa parte, a aparición de personaxes de orixe galega opera como un elemento da ambientación social e histórica da Lisboa do século XVIII onde se refire a eles como mozos para transportar mercadorías e augadeiros. Mais é en O ano da morte de Ricardo Reis onde agroma a presenza de Galicia como un territorio definido con trazos de seu onde os emigrantes galegos naquela Lisboa do ano 36 seguen a desempeñar oficios, por unha banda, de carrexadores que se agrupan na estatua do Chiado denominada como a illa dos galegos e, por outra, como empregados de hoteis, onde cobran especial incidencia os personaxes de Felipe e Ramón, ambos os dous orixinarios de Vilagarcía de Arousa. Respecto deles a voz narradora afirma que non son conscientes do status que lle conceden outros españois emigrados en Lisboa: “no mesmo tom en que dizem Los rojos diriam Los gallegos, tirando o ódio e pondo o desprezo”.

Será en A Jangada de Pedra onde Galicia cobra sentido como posuidora dunha entidade singular e non só como país emigrante pois nela  abandónase unha visión uniforme de España para asumir o xurdimento irresistible do que denomina unha constelación “socio-histórico-cultural pluriforme, literariamente fascinante” onde cobra sentido a presenza dun xornalista galego que, por discreto, non se lle recoñece a importancia dunha pregunta dunha rolda de prensa, o que conduce á voz narrativa á explicación de que aos pobos pequenos ninguén lle presta oídos para acrecentar que non é manía de persecución senón “histórica evidencia”. Tras o percorrido por vilas e cidades galegas sen concesión ao paisaxismo costumismo, salienta nestas páxinas Maria Guavaira, galega de nación, como unha das personaxes máis relevantes e operativa, xunto con outros personaxes, para comparar alentexanos e galegos: pobos coa pel tan dura que era mellor chamar á pel coiro e “quedarían dispensadas outras explicacións”. Vellos galegos e portugueses que diante desa barca de pedra a navegar polos océanos, din, por algunha razón inexplicable, “non saio de aquí”.

            Anos despois, claro é, virían grandes obras como História do Cerco de Lisboa (1989), Ensaio Sobre a Cegueira (1995) e tantas outras. Talvez, nun futuro próximo, cumprirá rastrexar aí o que hai de nós nesas páxinas de alguén que deixou escrito que levaba a Pessoa na pel e que tiña a Camões no sangue. Non o dubido. Tamén sabía ben quen fomos e quen eramos nós. Particularmente aquela experiencia permitiume aprender moito da súa obra e presentalo nun acto multitudinario que se celebrou en marzo de 1989 no Paraninfo da Universidade de Santiago. Hoxe penso, tantos anos despois, que aquilo foi unha regalía e este artigo así o quere testemuñar.

Este artigo publicouse nas páxinas de Cultura de La Voz de Galicia o 18 de novembro de 2022.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

José Saramago – A Jangada de Pedra

Por: Nego Dito

Fonte: Livrada | Publicado em: 2010-04-23 12:00

Literatura, José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, Crítica literária, A Jangada de Pedra

Ler Saramago é uma ótima experiência, mas recomendo extrema parcimônia. Ler mais de um livro seu por ano pode encher o saco. É o tipo da literatura maneirista que precisa ser maneirada. Recomendo essa regularidade, então, para que ninguém pegue raiva de seu estilo pouco convencional, sem aspas, travessões e bom senso no tamanho dos parágrafos.

Esse gajo, consagrado escritor, prêmio Nobel de literatura em 1998 — o único Nobel de língua portuguesa até o momento— é um daqueles velhinhos simpáticos que, na rua passam despercebidos e resistem na paisagem — vai enterrar muita gente ainda. E, por ter uma obra vasta, capaz de preencher uma prateleira inteira, tem lá seus livros mais famosinhos. Ensaio Sobre a Cegueira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Caverna, etc. Perto dessa antologia, A Jangada de Pedra (lançado no mesmo ano em que ganhou o Nobel) é um de seus lados B. Na verdade, o leitor experimentado de Saramago vai ver neste livro um protótipo de Ensaio Sobre a Cegueira, seu opus máximo. Os elementos são muito próximos, se liga na história.

A Jangada de Pedra, assim como o Ensaio, parte de um acontecimento inesperado. A península Ibérica começa a se desprender do continente europeu e passa a navegar pelo oceano Atlântico. Nisso todo mundo fica doido, como no outro livro. A partir daí, um grupo de pessoas, reunidas por escolha própria, ao saberem que todas experimentaram alguma espécie de estranheza antes do acontecimento, partem em um carro velho, apelidado Dois Cavalos, para ver a racha (é a racha mesmo). Tem tudo que o Ensaio Sobre a Cegueira tem: o grupo reunido pela adversidade, a falta de explicação lógica, o cachorrinho companheiro, a violência que as pessoas cometem quando são tiradas de sua normalidade, enfim, os elementos estão lá. A diferença talvez permaneça no teor: A Jangada de Pedra é um livro muito, mas muito mais brando, até engraçado em sua aventura. Tem piadinha com velho, tem sacanagem, tem uma felicidade peculiar de pessoas que, frente ao desconhecido, não se assustam, mas aproveitam as mudanças.

Uma coisa que acho super legal nas histórias do Saramago é a capacidade que ele tem para pensar nos detalhes da adversidade que sua mente maluca cria. Neste livro por exemplo, há uma confluência de engenheiros que não se entendem sobre o que está acontecendo, e servidores da manutenção pública tentando consertar o problema com morsas ou coisas parecidas. Também há a cobertura jornalística, as manifestações pela Europa e inclusive a delicada situação em que fica Andorra (aquele país pequenininho entre a Espanha e a França no qual o Brasil mete uns quatro a zero nos amistosos da seleção). Ele deixa pouca coisa passar.

Garimpei esse livro de uma livraria da Travessa, e acabei ganhando ele de presente do querido Tio Fred, meu vizinho lá em Mambucaba. A versão de bolso talvez seja a única disponível no momento. Saramago em versão de bolso deve ser um pouco dose, mas vale a pena. Essa edição que eu tenho tá velhinha, mas é da coleção do Saramago depois que ele ganhou o Nobel. A Companhia das Letras caprichou, mas acho meio sacanagem meter a faca no nosso bolso só por causa daquele selinho de prêmio Nobel. Simplesmente inviável. A capa em alto-relevo do Arthur Luiz Piza (artista plástico que tem um trabalho bem coerente) dá um tchananã pro negócio, e as laterais, todas em cores meio ocres e acinzentadas, para ornar com a obra de Piza na capa, compõe um outro tipo de coleção, não muito bonita, mas ao menos, distinta.

Comentário Final: 317 páginas pólen soft. Uma marretadinha.

Texto originalmente publicado em Livrada

Saramago na imprensa portuguesa

Por: blogs oswald

Fonte: Prefácio Cultural | Publicado em: 2010-06-22 20:48

José Saramago, Literatura, Luto, Editores, Companhia das Letras

Ainda procurando digerir a morte de José Saramago, encontrei no jornal português Público este comovente depoimento de Luiz Schwarz, dono da Companhia das Letras, editor e amigo de Saramago.

Reproduzo-o na íntegra:

“Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na Internet, liguei pelo Skype para Pilar, que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação.

Posso dizer que José Saramago era um grande amigo. Quando vinha ao Brasil, hospedava-se em minha casa, no quarto que foi da Júlia, minha filha. Ele detestava hotéis. Viu meus filhos crescerem. Fui conhecer sua casa em Lanzarote logo que se mudou com Pilar, abandonando Portugal. Assisti emocionado à cerimónia do Nobel em Estocolmo – pouco antes, no hotel, aprovámos, Lili e eu, o vestido de Pilar para o evento. Estava em Frankfurt quando ele recebeu a notícia do prémio; celebrámos juntos.

A obra de Saramago veio para a Companhia das Letras por acaso. No fim da Feira de Frankfurt de 1987, ao despedir-me de Ray-Gude Mertin, amiga pessoal e agente literária, comentei que era dos meus autores favoritos. Conversa de fim de feira. Não fazia ideia de que ela representava o escritor português, junto com a editora Caminho, e que estava para mudar Saramago de editora no Brasil. Atrasei minha partida e voltei, com a bagagem no porta-malas do táxi, para falar com Zeferino Coelho sobre a Companhia das Letras.

Foi tudo muito rápido, Jangada de Pedra foi o primeiro livro, lançado em Abril de 1988. A empatia foi imediata.

Em seguida fui a Lisboa. Já éramos bem amigos, ele queria mostrar-me o novo livro que escrevia. Em sua casa, na Rua dos Ferreiros à Estrela, José leu trechos de A História do Cerco de Lisboa, e levou-me para jantar no seu restaurante favorito, o Farta Brutos. Pilar foi minha guia de Lisboa. Comprei com Pilar o primeiro computador de José. Antes disso, ele datilografava três vezes cada livro para entregá-lo completamente limpo a seus editores.

No Brasil, o lançamento de Jangada de Pedra foi uma festa interminável. Filas enormes na livraria Timbre e a efusão de beijos e abraços no escritor fizeram-no exclamar: “Luiz, esta gente quer-me matar de amor.” Daí para frente, esse amor dos brasileiros por José Saramago só cresceu, suas visitas se tornaram mais frequentes. A mais recente foi aquando da publicação de A Viagem do Elefante. Ele já estava muito fraco. Ao chegar a minha casa, disse-me que não escreveria mais.

Depois do evento de lançamento, vencida uma fila enorme de autógrafos, fomos ao Rio, para a continuidade dos eventos. Ao pousarmos na cidade, José anunciou para mim, Lili e Pilar, que no voo achara a solução que faltava para Caim, que acabou por ser o seu último livro.

Com as melhores lembranças, o amor, e minha saudade. Maldita palavra, tão portuguesa, que agora ficará associada ao meu amigo. Mas saudade não tem remédio, não é, José?”

Links sobre Saramago na imprensa portuguesa:

http://www.publico.pt/Cultura/depoimentos-ao-publico-sobre-saramago_1442599.

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1598883

Texto originalmente publicado em Prefácio Cultural

José Saramago em 2020

Fonte: Contos das Estrelas | Publicado em: 2021-02-01 00:00

Pandemia, Covid-19, Literatura portuguesa, Poesia, Cultura

por talesforlove, em 01.02.21

O ano 2020 foi um ano atípico, por causa da pandemia. Nele acabamos por encontrar todas as fragilidades possíveis dos seres humanos. 2021 continua a ser 2020. O calendário mudou mas tudo continuou, o que em boa verdade, já seria de esperar pois o vírus não tem nada a ver com o nosso calendário.
Ficam os fogos de artifício extemporâneo resultado de uma vontade reprimida de normalidade. O Autor deste blog não participou nesta alegria tão desprecavida mas compreende-se esta situação, quem a pode criticar?! Mas temos temos de esperar que o vírus se vá embora ou fincando que não seja uma ameaça.

Ironia foi o filme "O Ano da Morte de Ricardo Reis" ter estreado no ano em que a morte começou a estar presente no nosso dia a dia. Que falta de pontaria! À tragédia das salas de cinema fechadas somou-se o tópico do filme. Veja-se o filme de apresentação, do Inglês trailer, algo que eventualmente poderíamos traduzir de forma mais resumida como cinpub (ou cinematográfica publicidade). Fica a sugestão para uma nova palavra.

Fica ainda uma sugestão de áudio livro para a obra de José Saramago, a qual bebe inspiração em Fernando Pessoa.

Audio Livro:

https://www.bing.com/videos/search?q=o+ano+da+morte+de+ricardo+reis+trailer&&view=detail&mid=B2895CC97F058B39E08DB2895CC97F058B39E08D&rvsmid=331A5FEE166A0ECE01C8331A5FEE166A0ECE01C8&FORM=VDQVAP

Finalmente, para que fique claro que vale a pena confinar, que vale a pena aguardar pelo Verão, fica aqui uma música com um bom ritmo, por Zé Amaro. Pode ser que a variante Europeia do Covid-19 vá de férias no Verão e nos deixe em paz, afinal está claro que prefere as temperaturas mais baixas, ao contrário da variante Amazónica.

O Zé Amaro é um Artista que buscou a sua inspiração na música Brasileira, por sua vez inspirada noutras fontes.

Veja-se um pouco mais sobre ele em:

Zé Amaro | Costa e Ramos

Ainda um poema “A essência” por Getúlio O. (Brasil,

Poesia da Antologia 2018-2019)

Gosto dos andares tortos

De insetos felizes.

Admiro o soldadinho alvinegro

Que busca o amarelo, ao invés

Da roupa branca do homem engomado.

Sinto a fragrância do mato

Como estivesse sentindo um perfume francês.

Tenho bem querer por pessoas

De almas sorridentes.

Prezo olhos que sorriem

Mais do que bocas que se amostram.

O essencial não está no que se vê,

Mas no que se sente.

Entretanto, qualquer que jeja a vossa idade, sejam responsáveis: protejam-se!

Até breve.

Texto originalmente publicado em Contos das Estrelas

O quarto poder e a censura – sobre A Noite, de Saramago, em Lisboa

Por: cortinasabertas

Fonte: cortinas abertas | Publicado em: 2013-11-25 13:07

Teatro, Jornalismo, Revolução dos Cravos, Censura, História de Portugal, Teatro do Oprimido

Mariana M. Braga

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“Qualquer semelhança com personagens da vida real e seus ditos e feitos é pura coincidência. Evidentemente.”

Assim escreve José Saramago na sua primeira peça de teatro, em cartaz no Teatro da Trindade, em Lisboa, com encenação de José Carlos García. O cenário de A Noite é muito realista: uma redação de jornal, com mesas de escritórios organizadas tal como ficavam nas antigas redações, com a secretária bem ao centro do palco, a estagiária ao lado, e na parte mais alta do palco os outros jornalistas, todos homens. No lado direito, a sala do diretor.  As relações entre os atores e os trabalhos dos personagens já começam quando o público entra no teatro. Depois de a peça começar oficialmente, enquanto alguns personagens se comunicam, outros continuam as atividades. Às vezes algumas cenas se cruzam, acontecem ao mesmo tempo. Tudo dá a impressão de uma verdadeira redação dos anos 1970.

Eles estão numa rotina de trabalho, até que o conflito acontece: é a noite de 24 de abril de 1974. Manuel Torres é um jornalista sério, interessado pela transmissão da verdade e a imparcialidade jornalística, enquanto o chefe de redação Abílio Valadares é submisso a interesse de políticos e conta com o apoio do diretor Máximo Redondo.

Quando a redação toma conhecimento de uma possível manifestação nas ruas, o chefe proíbe a divulgação. Ao lado de Torres, a estagiária Cláudia e Jerónimo, o linotipista, lutam, dentro da redação, pela publicação dos fatos.

De volta à frase de José Saramago que abriu este texto, a revolução no interior da redação está relacionada a um fato verídico vivido pelo escritor enquanto trabalhava no Diário de Notícias. Em novembro de 1975, no período pós-revolução, ocorreu o que foi chamado de “saneamento dos 24”. Dezenas de jornalistas da redação compuseram um abaixo-assinado que reivindicava a revisão do editorial do jornal. O documento foi publicado pela BBC e pelo Expresso.

A Noite trata do jornalismo como 4º poder e leva a refletir sobre as linhas editoriais em tempo de ditatura e censura explícita e em tempos de democracia influenciada por interesses políticos específicos. O espetáculo me faz pensar no Teatro-Jornal, do Teatro do Oprimido, de Boal, em que a cena representa aquilo que foi calado na imprensa ou em parte dela. A Noite é um belo espetáculo, mas também um documento histórico importante da história das comunicações em Portugal.

O programa da peça é um charme: em formato de jornal, e as frases projetadas ao fundo do palco são escritas com o som de máquinas de escrever. A Noite poderia ser um filme ou documentário, de tão realista, mas é no teatro que sentimos mais dentro da redação.

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Texto originalmente publicado em cortinas abertas

Faleceu José Saramago

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2026-02-01 00:00

Literatura, José Saramago, Biografia, Prémio Nobel, Filosofia

Faleceu na ilha de Lanzarote com 87 anos, o Nobel Português da Literatura José Saramago, vítima de cancro (ou doença prolongada, como agora lhe chamam).

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha três anos de idade. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas. No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista.

Publicou o seu primeiro romance «Terra do Pecado», em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal Diário de Lisboa onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do Diário de Notícias.

A partir de 1976 passou a viver exclusivamente da escrita, inicialmente como tradutor, depois como autor. Em 1980, alcançou notoriedade com o livro «Levantado do Chão», visto hoje como o seu primeiro grande romance. «Memorial do Convento» confirmaria esse sucesso dois anos depois. Em 1991, publica «O Evangelho Segundo Jesus Cristo», livro censurado pelo Governo - o que levou Saramago a exilar-se em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde viveu até hoje. Foi ele o primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura, em 1998.

Entre os seus outros livros estão os romances «O Ano da Morte de Ricardo Reis» (1984), «A Jangada de Pedra» (1986), «Ensaio sobre a Cegueira» (1995), «Todos os Nomes» (1997), e «O Homem Duplicado» (2002); a peça teatral «In Nomine Dei» (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos «Cadernos de Lanzarote» (1994-1997).

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos.

Fontes:

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=188&id_news=455847

("Outros Cadernos de Saramago") http://pt.wordpress.com/tag/outros-cadernos-de-saramago/

Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

Post Extraordinário – Saramago está morto (e vai ficar assim)

Por: Nego Dito

Fonte: Livrada | Publicado em: 2010-06-19 01:07

Falecimento de José Saramago, Literatura, Cinema, Cultura, Editora Companhia das Letras

(musiquinha do plantão da Globo) Tan tan tan tan-tantantantan Tan tan tan tan-tantantantan tan tan tantan tan TAAAAAAAAAAAAAAAN Blrrrrrrrup (isso é a virada dos tímpanos no final) Povo da terra! Saramago, o último português inteligente da face da Terra (como disse o Foba) morreu hoje, aos 87. Isso foi pela manhã, mas só agora a noite fiquei sabendo que foi de complicações pulmonares. Na verdade, foi de velhice mesmo. Nessa idade, qualquer morte é velhice. Bronquite é velhice, infarto é velhice, sífilis é velhice, uma combinação de pneumonia e uma machadada na cabeça é velhice, não importa. 87 anos de vida é coisa PRA CARALHO.

E, apesar desse tom bobagento, a verdade é que a morte do Saramago é sentida por todo mundo que gosta de boa literatura. E até mesmo por quem não gosta. Ora, o Lula não escreveu uma carta de pesar a Portugal? Já viu o Lula lendo Saramago? Se alguém vir, por favor tire foto que eu posto aqui! E quantas pessoas conheceram a obra dele por meio do filme Ensaio Sobre a Cegueira, do Meirelles, o diretor mais esforçado do Brasil? E o que é o filme Ensaio Sobre a Cegueira senão um O Fim dos Tempos que deu certo? Divaguei, foi mal.

Estava dizendo que a perda de Saramago é irreparável para o mundo da literatura, embora, sejamos francos, o velhus não tava escrevendo mais tãããoooo bem quanto antigamente. Claro que, ainda assim, seus livros eram muito mais fodas do que muita coisa que tem por aí, e não me refiro aos best-sellers.

A galera da mídia que cobriu a morte dele falou muito na Pilar, a esposa 30 anos mais nova que ele conheceu aos 63 anos. Nada dá mais alegria a um velho do que, depois de muito tempo, voltar a meter. Olhaí o Ferreira Gullar que não deixa a gente mentir. E eu acredito com certeza que aquelas dedicatórias que ele coloca pra Pilar em todos os livros são a mais pura verdade. Devemos muito a ela, não esqueçamos, meu povo.

Por fim, gostaria de dizer que espero que agora que o Saramago morreu, o senhor Luiz Scharcz, editor da Companhia das Letras (ô moço, deixa eu trabalhar aí com o senhor?) resolva reimprimir algumas obras inestimáveis do escritor, como A Jangada de Pedra e o primeiro volume dos Cadernos de Lanzarote (por que o povo da Globo ficou falando Lanzarotê, igual curitibano? É assim que tem que falar?).

É isso aí. Valeu, Saramago, você é o avô que eu nunca tive.

Texto originalmente publicado em Livrada

Livro: As intermitências da morte – José Saramago.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2020-08-05 00:36

literatura, morte, filosofia, distopia, resenha literária

Boa noite leitores,
Minha 2° obra do autor e sua perspicácia me fascina. Seu estilo único de escrita, em linha corrida, sem parágrafos e capítulos, com pontuação controversa já é impactante. Seus temas, ainda mais. A morte, sob um novo prisma. E se a víssemos de outra forma? Sem dor e sem certeza? Um país “abençoado” com a vida eterna, que de início provoca comemoração e patriotismo, mas que em seguida, sob um olhar mais atento, nos revela sua importância. Idosos e doentes agonizando, serviço funerário desaparecendo, hospitais e asilos, companhias de seguro, religião, filosofia, a ciência e pesquisa, o Estado e a Economia, todos entrando em colapso pelas consequências da não morte. O que a princípio é uma utopia, logo se torna distopia. A primeira parte do livro nos mostra a situação, macro e claro, a esperteza do homem para lucrar com isso (falarei melhor a respeito no vídeo de segunda feira no YT) e a segunda parte com uma reviravolta e uma história, em formato micro.
Por que negamos a morte? Por que não nos previnir? Vivemos como se não soubéssemos e pior, não aceitando o óbvio. #Leitura incrível. Traz reflexão e consciência. #recomendo
“Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto”, escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque “sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja”. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta “ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte”. Misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.
#asintermitenciasdamorte #josesaramago
#companhiadasletras #2005 #romance #notacinco #livros #dicas #leitora #lendo #literaturaestrangeira #ficcao
Beijos e até até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

"O conto da Ilha Desconhecida"

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2024-03-10 00:00

Literatura, José Saramago, Crítica social, Burocracia, Educação, Análise literária

Este é um dos livros de José Saramago que podemos encontrar no Plano Nacional de Leitura, para o 8º ano. A narrativa situa-se num tempo e local indeterminado e conta a história de um "homenzinho" que queria para si um barco com o qual pudesse ir à procura de uma "ilha desconhecida". 

É esse o pedido que ele vai fazer ao Rei, mas a primeira dificuldade é conseguir que o Rei o oiça. Logo ali, de forma um pouco metafória vão surgindo outras personagens que são como que muros intransponíveis para quem não é "tão importante" e que dificilmente iria conseguir alcançar o seu objetivo. Saramago introduz logo aqui nas suas primeiras linhas uma crítica à burocracia, em que a "empregada" representa o poder que alguns funcionários, sem o ter, fazem por se fazer valer da sua posição para impedir que os outros consigam alcançar os seus objetivos. Mas a sua obstinação traz frutos e a sua viagem finalmente pode começar. 

Neste livro encontramos um Saramago que escreve para os mais novos, mas que ao mesmo tempo não deixa de lá colocar entrelinhas missivas para os mais velhos e mais entendidos em decifrar a sua escrita. Na forma como redige os diálogos, levanta alguma confusão durante a leitura, tornando mais complicado a alguns alunos ou leitores menos atentos, perceber onde termina e acaba a fala de cada personagem. É preciso aprender a ler Saramago.

Este livro foi publicado pela primeira vez em 1997, um ano antes de Saramago ter ganho o Prémio Nobel da Literatura. Metaforicamente, Saramago escreve aqui o seu "mundo", a sua visão do ser humano e das suas ambições e frustrações, não deixando também de fazer uma dura crítica social. A personagem principal representa todos os homens que vão à procura dos seus sonhos, lutando por conquistar os seus objetivos apesar das dificuldades com que se possam deparar nessa caminhada.

Para os alunos que ainda não conhecem Saramago, aconselho a começarem por este conto, antes de avançarem para outros mais complexos e que tentem encontrar aqui as linhas mestras da sua escrita, o que os auxiliará depois na leitura de outros livros do escritor. Saramago pode ser um génio, mas sem dúvida, não é um génio fácil de ser compreendido por todos.

Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

Livro Ensaio sobre a cegueira – José Saramago.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2018-11-02 23:01

distopia, crítica social, análise literária, natureza humana, cegueira

Boa noite, leitores,

Uma #distopia crua e intensa, sobre uma cegueira coletiva que diferente do padrão de escurecimento, é o embranquecimento total e inesperadamente afeta pessoas por contágio no ar e que são enviadas a um antigo manicômio para tentar estancar a epidemia.

Somente uma mulher não é infectada e presencia o horror social.
Nenhum personagem tem nome próprio, são identificados com características pessoais e não há separação de diálogo.
O narrador é questionador e em terceira pessoa cumpre bem o papel de detalhar os acontecimentos de forma intensa e realista.

O #autor pretende com a #obra nos fazer enxergar coisas que mesmo vendo, não entendemos. Refletir sobre o ser humano, sobre nosso egoísmo, nosso lado irracional e animal.

No decorrer do texto é fácil perceber a perda de identidade, a tentativa de sobrevivência acima de questões éticas e morais. A cegueira vai além dos olhos. É uma cegueira social que já existe na sociedade.

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem”. Pág 310.

O #livro foi #adaptado para o #cinema, de mesmo nome, eu já tinha assistido há anos e achado bastante forte. O livro é bem superior. Não é uma leitura fácil. Mas trata-se de um clássico, daqueles que não nos esqueceremos. Eu deveria ter lido enquanto estudante, mas antes tarde do que nunca.

Existe uma obra posterior intitulada Ensaio sobre a lucidez que com certeza lerei.

Reflexões sobre o que faríamos se ninguém estivesse olhando ou fosse saber. O quanto a vaidade e os costumes torna-se irrelevantes. Sentir-se sozinho e desamparado. Sem confiança em si e nos outros. A desesperança com o futuro. O quanto tudo perde sentido. Bem materiais, profissão, estudo e também o conhecimento. Trágico.

#ensaiosobreacegueira #josesaramago
#companhiadasletras #1995 #romanceportugues #notaquatro #nobel #ficcao #literaturaestrangeira #leitora

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

O que nos fará falta

Por: blogs oswald

Fonte: Prefácio Cultural | Publicado em: 2010-06-19 02:48

José Saramago, Literatura, Falecimento, Intelectuais, Compromisso social

Perdemos um escritor importante. Perdemos, principalmente, em minha opinião, um homem fundamental.

Saramago soube usar seu lugar de destaque – conquistado principalmente depois do Nobel – para denunciar as mentiras e as atrocidades da globalização, o cinismo das elites, a hipocrisia da Igreja, o fascismo das religiões, o empobrecimento da linguagem nas mídias atuais, a miséria humana em todos os seus aspectos, dos particulares aos gerais.

Ele ocupou um lugar que muitos escritores e intelectuais evitam ocupar por receio de comprometerem sua trajetória toda com palavras eventuais, opiniões transitórias, verdades efêmeras. Saramago não hesitou. Seus pronunciamentos lúcidos têm uma marca humana, secular, mundana – a fala de alguém que vive e sente os problemas dos outros mortais. Essa é para mim sua maior importância.

A figura de referência que flagra as questões na hora e é capaz de dar palavras fortes e verdadeiras a elas, com análises penetrantes e refinadas: essa figura é que nos fará falta.

Alguns links interessantes:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/753540-escritores-artistas-e-politicos-lamentam-a-morte-de-saramago.shtml

http://www.josesaramago.org/saramago/

Texto originalmente publicado em Prefácio Cultural

José Saramago e a vocação de agitar consciências

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-05-23 00:00

Literatura, José Saramago, Responsabilidade ética, Indústria bélica, Crítica social

A Porto Editora publicou, este mês, 'Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas', com capa caligrafada por José Luís Peixoto. Fica assim completa a coleção de obras de José Saramago para cujos títulos várias personalidades da cultura de língua portuguesa emprestaram a sua letraAquando da sua morte, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance; trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências. 'Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas', o título que começou por ser uma epígrafe, evoca a tragicomédia 'Exortação da Guerra', de Gil Vicente.Dois textos – de Fernando Gómez Aguilera e Roberto Saviano – situam e comentam as últimas palavras em papel do Prémio Nobel português, cuja força as ilustrações de um outro Nobel, Günter Grass, sublinham.A questão da «responsabilidade ética do sujeito, para consigo próprio e para com a sociedade» continua hoje tão pertinente (ou mais) quanto há catorze anos, quando foi explorada nestas páginas.Tomando como argumento «o mundo inóspito e lacerante» da produção e do uso de armas, Saramago alinhava aqui «um romance de ideias com uma forte componente de reivindicação e provocação», nas palavras de Fernando Gómez Aguilera.Uma narrativa de extrema atualidade, que aponta o dedo à importância de estarmos ou não estarmos «dentro das coisas»: de termos capacidade de análise crítica e de combate ao status quo da mediocridade, da corrupção, do abuso de poder.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Novidade – “O Neto do Homem mais Sábio” de Tomás Guerrero

Fonte: Ministério dos Livros | Publicado em: 2025-11-30 12:45

José Saramago, Literatura portuguesa, Novela gráfica, Homenagem

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Mais sobre o livro AQUI

Sinopse:

«O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever.»
Assim iniciava José Saramago o seu discurso diante da Academia Sueca, por ocasião da atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em 1998, referindo-se ao seu avô, Jerónimo Melrinho. E é precisamente este avô quem, deambulando pelas ruas de Lisboa com Ricardo Reis, o heterónimo de Fernando Pessoa que é também uma personagem saramaguiana, guia o leitor pela vida e a obra de Saramago, desde a infância na Azinhaga do Ribatejo até aos seus últimos dias na ilha de Lanzarote.
Uma magnífica homenagem à literatura portuguesa, esta novela gráfica que a Porto Editora agora reedita tem autoria de Tomás Guerrero, autor de banda desenhada e ilustrador radicado na Galiza.
«Este livro é brilhante. É íntimo, delicado, brilhante. Com ele, Saramago continua a nascer.»
Valter Hugo Mãe (do prefácio)

Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros

Intimidade - um poema de josé saramago

Por: meldevespas

Fonte: Casa dos Poetas - Blogue de Poesia, poetas portugueses e do mundo | Publicado em: 2008-10-27 00:00

literatura, poesia, José Saramago, homenagem

As intermitências da morte, romance de José Saramago, está a ser um sucesso lá fora. Prova disso é a crítica no prestigiado jornal The New Yorker. Em jeito de homenagem, deixamos um poema de José Saramago, faceta menos conhecida do Nobel português.

Intimidade

No coração da mina mais secreta,

No interior do fruto mais distante,

Na vibração da nota mais discreta,

No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,

Na veia que no corpo mais nos sonde,

Na palavra que diga mais brandura,

Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,

Em que a vida se fez perenidade,

Procuro a tua mão, decifro a causa

De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

Texto originalmente publicado em Casa dos Poetas - Blogue de Poesia, poetas portugueses e do mundo

NONSENSE

Fonte: Da Literatura - Eduardo Pitta | Publicado em: 2021-11-01 00:00

Literatura, José Saramago, Centenários literários, Cultura portuguesa, Política cultural

Com um ano de antecedência, começaram esta manhã as comemorações do centenário do nascimento de José Saramago, nascido a 16 de Novembro de 1922. Hoje faria apenas 99 anos.

Percebo que a efeméride seja assinalada com pompa e circunstância: colóquios internacionais, conferências, reedições especiais, encontros com leitores, debates, etc. Trata-se, afinal, do único Nobel da literatura portuguesa. Mas, a ter de durar um ano, ou mesmo mais, não teria sido lógico começar em Novembro de 2022?

Tudo isto se passa no país que celebrou de forma quase clandestina os centenários de Fernando Namora (2019), Jorge de Sena (2019), Carlos de Oliveira (2021), Maria Judite de Carvalho (2021) e outros, preparando-se para fazer o mesmo, daqui a dias, com Natália Nunes (2021). Escapou Sophia (2019), mas Sophia foi apropriada pelo Regime.

Texto originalmente publicado em Da Literatura - Eduardo Pitta

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Por: Nelson Ricardo Guedes dos Reis

Fonte: Crítica de Rodapé | Publicado em: 2020-10-14 22:21

Literatura, Cinema, José Saramago, Fernando Meirelles

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Texto originalmente publicado em Crítica de Rodapé