Perdemos um escritor importante. Perdemos, principalmente, em minha opinião, um homem fundamental.
Saramago soube usar seu lugar de destaque – conquistado principalmente depois do Nobel – para denunciar as mentiras e as atrocidades da globalização, o cinismo das elites, a hipocrisia da Igreja, o fascismo das religiões, o empobrecimento da linguagem nas mídias atuais, a miséria humana em todos os seus aspectos, dos particulares aos gerais.
Ele ocupou um lugar que muitos escritores e intelectuais evitam ocupar por receio de comprometerem sua trajetória toda com palavras eventuais, opiniões transitórias, verdades efêmeras. Saramago não hesitou. Seus pronunciamentos lúcidos têm uma marca humana, secular, mundana – a fala de alguém que vive e sente os problemas dos outros mortais. Essa é para mim sua maior importância.
A figura de referência que flagra as questões na hora e é capaz de dar palavras fortes e verdadeiras a elas, com análises penetrantes e refinadas: essa figura é que nos fará falta.
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