
Boa noite, leitores,
Uma #distopia crua e intensa, sobre uma cegueira coletiva que diferente do padrão de escurecimento, é o embranquecimento total e inesperadamente afeta pessoas por contágio no ar e que são enviadas a um antigo manicômio para tentar estancar a epidemia.
Somente uma mulher não é infectada e presencia o horror social.
Nenhum personagem tem nome próprio, são identificados com características pessoais e não há separação de diálogo.
O narrador é questionador e em terceira pessoa cumpre bem o papel de detalhar os acontecimentos de forma intensa e realista.
O #autor pretende com a #obra nos fazer enxergar coisas que mesmo vendo, não entendemos. Refletir sobre o ser humano, sobre nosso egoísmo, nosso lado irracional e animal.
No decorrer do texto é fácil perceber a perda de identidade, a tentativa de sobrevivência acima de questões éticas e morais. A cegueira vai além dos olhos. É uma cegueira social que já existe na sociedade.
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem”. Pág 310.
O #livro foi #adaptado para o #cinema, de mesmo nome, eu já tinha assistido há anos e achado bastante forte. O livro é bem superior. Não é uma leitura fácil. Mas trata-se de um clássico, daqueles que não nos esqueceremos. Eu deveria ter lido enquanto estudante, mas antes tarde do que nunca.
Existe uma obra posterior intitulada Ensaio sobre a lucidez que com certeza lerei.
Reflexões sobre o que faríamos se ninguém estivesse olhando ou fosse saber. O quanto a vaidade e os costumes torna-se irrelevantes. Sentir-se sozinho e desamparado. Sem confiança em si e nos outros. A desesperança com o futuro. O quanto tudo perde sentido. Bem materiais, profissão, estudo e também o conhecimento. Trágico.
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