A Pianista de Auschwitz, é mais um testemunho real da crueldade humana e de uma altura hedionda que o mundo passou. 

Fania é a nossa protagonista principal, e a história é contada por si, mas toda a sua história foi muito focada na Orquestra feminina de Birkenau e de todas as mulheres que a constituíam. Esta orquestra, bem como quase todas as coisas criadas nos campos de concentração, foi criada pelo capricho de SS. Neste caso foi criada por Kramer e Mandel. Ambos adoravam música e após cada seleção os mesmos recorriam à orquestra para descansarem após tanto stress e trabalho. Chegaram também a atuar para o anjo da morte, o doutor Mengele

O grupo criado não se dava bem, nem de longe, nem de perto. Primeiro pelas suas nacionalidades diferentes, haviam mulheres alemãs, francesas, belgas, húngaras, holandesas, gregas e polacas judias, e russas e polacas arianas. Inevitavelmente estas diferenças criavam grupos e barreiras entre elas. Em alguns casos existia a barreira linguística, depois a sua cultura e por último o que a permanência no campo fez vir ao de cima em algumas delas. 

Para além de toda a crueldade que Fania assistiu, também presenciou alguns momentos de bondade e conseguiu criar um grupo muito sólido na orquestra. Conseguiu também testemunhar um milagre (isto é um pequeno spoiler). Já no campo de concentração Bergen-Belsen, assistiu e participou num nascimento de um bebé que saiu vivo deste campo de concentração. 

No livro não fala muito da sua vida após a permanência no campo de concentração. Ao longo do mesmo vai dando pequenas notas do que aconteceu, em alguns casos coisas que aconteceram quando estavam em Auschwitz, mas que só após saírem descobriram. No epílogo dá uma nota do que se passou com cada uma das pessoas que manteve contacto. 

Pelo tema que é, e pela forma como as coisas são relatas é um livro duro e que em algumas partes nos faz pensar, “Como é que isto é possível?”, “Como é que alguém pode ser tão cruel para outra pessoa?”. Outra coisa que este livro nos mostra, é que tal como se diz “Se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Fania e as outras vivenciaram isso com uma colega da orquestra. 

Na minha opinião é um livro que pode ser lido por qualquer pessoa desde que saiba para o que vai, já li vários e este não foi dos mais duros que li. Estas mulheres, em tudo o que sofreram tiveram algumas benesses comparativamente às outras. O trabalho delas não era ao ar livre, fizesse sol ou chuva, tinham aquecimento no bloco e roupa decente que as protegia do tempo severo. 

Breve descrição da autora do livro

Fania Fenelon

Fania Fénelon é foi pianista, compositora e cantora de cabaré. Era filha de mãe católica e pai judeu e na altura da segunda guerra mudial fazia parte da resistência e essa ligação e o facto de ser “meio judia” levou-a até ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Fania decidiu escrever o livro das suas memórias porque nos anos 1960 e 1970, houve uma onda crescente de neonazismo que nenhum conhecimento tinham dos horrores de genocidio nazi. Este livro foi publicado em 1976 e adaptado para filme em 1980 com o nome “Playing for time” adaptado por Arthur Miller.

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