Procurei este livro por me ter sido recomendado num grupo de leitura e a verdade é que me surpreendeu pela positiva, superando as minhas expetativas. Auschwitz foi um dos campos que a Alemanha nazi construiu entre 1933 e 1945. Estas construções tinham várias finalidades, desde a detenção à escravatura. Mas o que se acabaram por revelar, foram campos para o extermínio em massa. Milhares e milhares de pessoas morreram nestes campos. 

Este livro conta-nos a história de uma das milhares de meninas cuja infância foi interrompida e que se viram presas num lugar imundo, sem nenhumas condições de saúde, habitabilidade ou salubridade, a passar fome e a ver os que a rodeiam morrer. No meio da desgraça em que a sua vida se tornou, esta menina cresce e torna-se uma jovem que, apesar de todo o mal que a rodeia, mantém o seu foco nos outros em especial na sua família que, como ela, estão presos em Auschwitz.

No meio da desgraça e da lama imunda deste lugar, um homem conseguiu erguer algo que se assemelha a uma escola e que dá às crianças alguma distração e esperança, lhes permite continuar a seguir uma rotina mais parecida com o normal. Naquele lugar podem aprender e podem ouvir histórias contadas por "livros vivos". Mas são os livros verdadeiros, com páginas rasgadas e muito manuseados que vão devolver a esperança a Edita. Livros esses que devem ser escondidos, pois a sua presença não é permitida pelos nazis, mas também protegidos, pois naquele lugar são um tesouro raro. A jovem e corajosa Edita esconde debaixo do seu vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu.

Este livro mostra-nos que até no meio da maior desgraça que terá um dia acontecido à humanidade, esta mesma humanidade pode continuar a existir enquanto houverem pessoas corajosas como estes professores, como Edita e como tantos outros que, de uma forma ou de outra reagiram. Os livros, objetos proibidos, podiam ser a sua morte, mas morreriam mais depressa se deixassem que a desumanidade daquele lugar os impedisse de ser quem eram - mesmo que esse fosse o objetivo principal do campo, a sua anulação como pessoas.