Já tinha este livro há muito tempo para ler e confesso que não foi bem o que estava à espera. O que contava quando soube deste livro é que fosse inspirado numa história verídica (check), mas que fossem as personagens a viver a história e não a autora a explicar o que cada uma passou e de vez em quando colocar diálogos.
A história foi contada à autora por Bracha Kohút, a última sobrevivente das costureiras. Tudo começa porque a mulher de um dos oficiais nazis sente a necessidade de ter sempre roupa feita à medida, aproveitando-se do trabalho escravo. A palavra foi passando e várias mulheres de oficiais nazis queriam também ter roupa costurada em específico para elas. A costureira que começou a fazer este trabalho percebeu que sozinha não conseguia dar conta do serviço e que era uma forma de conseguir ajudar e colocar mais pessoas a salvo, porque estariam num edifício afastadas das intempéries. O que ela pretendia foi possível. No final, praticamente todas as que pertenciam ao grupo “Costureiras” sobreviveram para refazer as suas vidas e contar as suas histórias, criando uma relação entre elas que durou até ao fim dos seus dias.
Nesta história o que me mais me marcou não foram as protagonistas principais, foi uma personagem que teve apenas duas a três referências ao longo do livro, Salamon Berkovic. Trata-se do pai de Bracha Kohút, um senhor surdo-mudo, que batalhou para ter o seu próprio negócio na área da costura.
Salomon, sudo-mudo, preso num mundo silencioso de angústia, sem palavras e sem esposa para o guiar e confortá-lo.
Esta foi a frase que mais me marcou e que retrata o que aconteceu com Salomon, que morreu na câmara de gás, sem o apoio de quem lhe era mais querido, sem poder proferir uma única palavra e por ser também surdo perceber apenas através das expressões das pessoas que algo não estava bem. Este não é o primeiro livro que leio desta temática e não será o último, por isso já sabia que as pessoas com alguma deficiência, mães com filhos pequenos ou idosos eram selecionados para a fila da esquerda – câmara de gás. Mas mais uma vez custou perceber esta realidade porque estas pessoas não tinham como se defender, nenhum nazi ia ter a paciência de tentar perceber o que um surdo-mudo, quisesse comunicar, não tinham para as pessoas que conseguiam falar. Mas estas tinham uma hipótese, e aconteceu neste livro que retrata a história de uma prisioneira condenada às câmaras de gás que conseguiu fazer um acordo com um nazi e foi salva da morte.
É um livro com altos e baixos, com momentos difíceis de ler e de assimilar, mas que mais uma vez comprova que o ser humano pode ser muito resiliente e corajoso.
Breve descrição da autora do livro
Lucy Adlington

Lucy Adlington é uma escritora, atriz e historiadora inglesa. Para além disto, é uma enorme colecionadora de roupas vintage e antigas, este seu gosto levou a que realizasse uma pesquisa da linguagem pela forma como as pessoas se vestem nos últimos 200 anos. Formou-se em inglês na Universidade de Cambridge e fez o mestrado na Universidade de York sobre estudos medievais, é também especialista em história do vestuário.
A sua primeira história de ficção foi publicada em 2017 “The Red Ribbon”, após esta sua publicação muitas pessoas entraram em contacto e conseguiu então publicar o livro de não ficção “The Dressmakers of Auschwitz”, em 2021. Em Portugal estas suas duas obras foram TopSeller em 2019 e em 2020, respetivamente. Com os seu romance esteve nomeada para os seguintes prémios Carnegie Medal, o Manchester Book Prize, o Leeds Book Prize e o Rotherham Book Award.
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