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| Fotografia da minha autoria |
«É a única cor que está sempre, por muito invisível ou longe que esteja, no lugar mais importante que pode haver: Cá»
O último livro que tinha por ler do Miguel Esteves Cardoso (um dos meus autores casa) foi descoberto devagar, entre pausas de almoço e salas de espera, porque é sempre maravilhoso voltar às suas crónicas e prefiro ir adiando a despedida.
um retrato muito nosso
A Minha Andorinha transporta-nos para 2006, quando o autor voltou a publicar «após alguns anos de ausência». Neste hiato, houve características que nunca perdeu e, talvez, que até se apuraram: a ironia, a atenção ao detalhe e o sentido de oportunidade.
De acordo com o MEC, é na distração que está a felicidade e estes textos pretendem honrar essa imagem, desviando-a um pouco mais. Por isso, tal como uma andorinha, continuam a voar, apesar de tudo, e a conquistar um lugar cativo nas nossas memórias.
É inegável que os textos não me arrebataram com a mesma intensidade. Ainda assim, acho fabuloso como consegue pegar em coisas tão suas e criar uma narrativa plural - quanto mais não seja, porque nos permite lê-las e refletir sobre elas. Por outro lado, aborda questões transversais, cimentando a intemporalidade das suas palavras: existem retratos que nos servem hoje tal e qual como nos serviam há dezoito anos. E essa certeza tem tanto de inspirador como de preocupante, naturalmente.
Focando-se nos nossos costumes e na nossa língua, continuo a acreditar que não há alguém que nos critique e nos estime tanto como Miguel Esteves Cardoso. «A Cor de Portugal» e «Parabéns Obrigados» foram as minhas crónicas favoritas.
Nota: Esta publicação contém links de afiliada da Wook e da Bertrand
