20
Dez24
Elsa Filipe
Este livro fez-me lembrar outros livros. Mas na sua essênci, traz-nos algo de soberbamente diferente, um jovialidade e uma visão diferente da realidade de uma época dramaticamente marcada pelo sofrimento e pela morte e, sobre a qual, já tanto se escreveu e se disse.
A história passa-se no ano de 1943, em Amesterdão. Hanneke é uma jovem de apenas 18 anos, sobre cujos ombros recai a responsabilidade de ajudar a família a sobreviver. Depressa Hanneke aprendeu que traficar alguns bens é, naqueles dias, não um crime de que se arrependa, mas uma forma de sobrevivência. De bicicleta, ela percorre diariamente as ruas da cidade para conseguir encontrar alguns produtos. Quanto mais raros, mais perigosos são de conseguir, mas isso não a impede de continuar. Ela ajuda-se a si mesma, mas está também a ajudar os outros, embora a jovem o faça não por bondade mas pelo dinheiro que consegue e que leva para casa. No mundo que conhece, não há espaço para a fragilidade nem para a bondade: a guerra devasta tudo à sua volta e está cada vez mais próxima da sua porta.
Num desses dias, uma das clientes habituais de Hanneke faz-lhe uma revelação tão perigoso que ela não pode ignorar: naquela casa, uma jovem judia esteve escondida durante alguns dias, mas acabou por desaparecer sem deixar qualquer pista. Hanneke resiste àquilo que sabe que esta revelação lhe poderá saber, mas acaba por ser incapaz de virar a cara e ignorar o destino desta jovem.
Mirjam, é uma rapariga judia, mas dela Hanneke só sabe que, no dia em que desapareceu, vestia um casaco azul. Aos poucos, a jovem vai descobrindo que à sua volta muitos outros segredos se escondem e que, está longe de ser a única a fazer coisas ilegais. A surpresa vai aparecendo a cada página que viramos!
O que Hanneke ainda não sabe, é que ao procurar Mirjam, ela vai acabar por se colocar frente a frente com os seus próprios fantasmas e a sua vida nunca mais irá ser a mesma. As bombas podem ter destruído a sua vida, mas os remorsos que sente, destroem-na a cada dia um pouco mais.
Um livro que me agarrou desde a primeira página e que fica agora na lista dos melhores que li até hoje. Uma escritora que voltarei a procurar numa das próximas vezes que regressar à biblioteca, certamente. E, de certa forma, um livro que recomendo para a faixa etária entre os 13 e os 18 anos, porque acho que os nossos jovens também precisam de saber o que se passou no mundo, especialmente na Europa e que lhes vai chegando a conta-gotas através dos livros de história com um filto que não deixa passar o choque com a verdadeira realidade.