Duas histórias de vida... e tanto em comum entre duas mulheres de gerações diferentes. 

Vivian era Niahm, uma pequena emigrante irlandesa de 9 anos que em 1929 foi parar a Nova Iorque com a sua família. Tinha um lar onde, apesar de toda a pobreza, vivia com a sua família. Mas um devastador incêndio destrói tudo o que conhece e deixa-a sozinha no mundo. Niahm passa a ser apenas mais uma entre as centenas de crianças abandonadas em Nova Iorque e que acabam forçadas a embarcar no "Comboio dos Órfãos," um comboio que transporte crianças de cidade em cidade para que sejam adotadas. As que o são, passam a ter uma casa onde morar, mas são muitas vezes vítimas de trabalhos forçados e de escravatura, passam fome, frio e são maltratadas fisica e psicologicamente. Foi nesta situação que Niahm passou a maior parte da sua infância e juventude, tornando-se Dorothy e, mais tarde Vivian.

Molly Ayer é uma jovem que vive revoltada, inserida num sistema que não a consegue ajudar a integrar-se numa família que verdadeiramente a ame e a acolha, conhecendo apenas a rejeição das famílias de acolhimento por onde passa. Os livros são para ela um escape e numa atitude impensada, acaba por roubar um livro de uma biblioteca o que a leva a uma complicada situação, da qual sabe que ninguém a defenderá. Mas talvez esse erro lhe venha a abrir uma nova porta e a sua vida esteja prestes a mudar. Castigada com cinquenta horas de trabalho comunitário, Molly acaba por ir para a casa de Vivian, uma idosa que precisa libertar-se dos seus fantasmas e das lembranças que a assombram, uma tarefa na qual a Molly irá ter um papel preponderante.

Posso-vos dizer que foi um dos melhores livros que li até agora e recomendo a que o leiam. Além da maravilhosa história de amizade entre duas mulheres que poderiam ser avó e neta, é sem dúvida um livro que nos leva até uma época em que tantos procuraram o sonho americano e acabaram por fracassar. Para quem gosta de romances históricos, neste encontramos relatos adaptados de acontecimentos entre os finais do século XIX e meados do século XX, incluindo o envolvimento dos EUA na 2ª Guerra Mundial. É excelente a forma como a autora interliga duas realidades tão diferentes e de épocas tão distantes.

No final do livro encontramos também alguns esclarecimentos sobre a Associação que na época era responsável por estas crianças e por estas adoções, a Children Aid (a qual foi fundada em 1853 por Charles Loring Brace). O último comboio terá feito a sua derradeira viagem carregado de crianças para adoção em 1929.