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| Fotografia da minha autoria |
Tema 29: Flor + Refeição + Sol
O aroma da pequena flor amarela, esquecida no muro pintado de fresco, do outro lado da estrada, embala-me numa onda de nostalgia. Porque sinto-me bastante estranha. Afinal, nunca imaginei que ver-te ir embora fosse recompensador. Ou, melhor, permite-me reformular: nunca pensei que fosse um momento tão libertador.
A verdade é que te amei com tudo de mim. E foi tão forte o que senti, que cheguei a temer pela minha saúde - física e mental. Cheguei a crer que cegava de encanto. Esta doce ilusão que o coração nos faz viver é perigosa, mas, ao mesmo tempo, tem o seu charme. E eu caí nestas amarras de me sentir tão presa a ti, que nenhuma tempestade poderia romper os nós que atamos um ao outro. Como estava enganada! E não foi preciso a ameaça de o mundo virar do avesso para que os nossos laços se quebrassem. Eu tratei do assunto.
Acabou o fascínio. O amor. Assim de repente, como se nem tivesses chegado a ser-me tanto. Como é que nos afastamos tão rápido? Será que nunca nos aproximamos verdadeiramente? Com a pressa de te querer uma vida inteira, fiz-te maior do que eras. E tu, sem teres alcançado o meu coração, tinhas demasiadas sombras.
Caminhei até ao portão da quinta que me acolhe sempre que, em mim, o tempo se afigura enevoado. Há, porém, um pedaço de sol a espreitar, convidando-me a desfrutar de uma refeição serena. Porque, quando o peito bate num compasso de paz, são pequenos raios de luz a encaminhar-nos para a rota da esperança.
