Fotografia da minha autoria

«Tenho essa mania de amar o que está longe»

Eu sei: não convinha ter-me apaixonado por ti. Ainda para mais, quando foste tu a afirmar que não carregavas no olhar a mesma paixão com que te vejo. Mas também sei o quanto te magoa não a poderes retribuir.

Por favor, não me leias com esse ar triste, como se me devesses o mínimo de amor, porque não o deves. E eu hei-de aguentar; atravessar esse portão de ferro, que me impede de chegar ao outro lado da liberdade emocional. E a ferida há-de sarar. Só te peço que nunca te afastes por achares que me custa partilharmos o mesmo espaço, mas sem partilharmos o mesmo sentimento. Prometo-te que não. Porque não iria aguentar saber que estarias longe por sentires qualquer tipo de culpa.

Não escolhemos por quem nos apaixonamos. E, da mesma maneira que cheguei até aqui, serei capaz de percorrer o caminho inverso, esquecendo-te devagarinho. Não deixarei de te amar, pois aprendi a fazê-lo quando ainda mal sabia definir este tecido relacional, apenas deixarei de carregar no olhar a paixão que cresceu tanto com o tempo.

M, 02.04.2015