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| Fotografia da minha autoria |
«Vamos todos ficar bem»
A realidade como a conhecemos está do avesso. E o mundo, por consequência, fica um pouco em suspenso. Porque é imprescindível cumprirmos ao máximo este período de quarentena. De modo a providenciar alguma estabilidade mental e emocional, foi criado um evento digno de destaque, demonstrando que a criatividade é uma arma poderosa. E que juntos somos mais fortes, como cantam os Amor Electro.
O Festival #EuFicoEmCasa nasceu, portanto, desta vontade bonita de acalentar a esperança que habita os nossos corações, tornando o isolamento mais leve. E tanto artistas, como editoras, agências e meios de comunicação quiseram agregar-se a este movimento. Assim, nos passados dias 17, 18, 19, 20, 21 e 22 de março, em direto no instagram de cada participante, vários interpretes, músicos e autores nacionais deram concertos individuais, com uma duração de 30 minutos, a partir das suas casas. Havia dois objetivos claros: «levar a música a todos os que ficaram privados dos espetáculos que foram cancelados por todo o país e, acima de tudo, sensibilizar a população portuguesa para a urgência de se manter resguardada no seu lar, nesta altura tão crítica». Durante quase uma semana, num total de 40 horas musicais, foram 78 nomes a construir pontes virtuais, numa partilha inesquecível. Porque, como alguém referiu num dos comentários, «estamos distantes, mas não separados». Afinal, a música salva-nos.
É estranha esta dinâmica de se atuar sem público físico, mas a onda de amor foi arrebatadora. Porque temos artistas com o coração no sítio certo e com um talento transcendente. Por isso, tive o privilégio de reencontrar alguns daqueles que me ajudaram a escrever capítulos presenciais tão importantes, algures na minha jornada, como o Diogo Piçarra, a Irma, o António Zambujo, o Pedro Abrunhosa, a Ana Bacalhau, a Ana Moura e o Tiago Bettencourt. E outros com quem me pretendo cruzar, quando tudo isto passar, num dos muitos palcos que abrilhantam o nosso país, como é o caso da Bárbara Tinoco, do Filipe Gonçalves, do Tiago Nacarato, do Tomás Adrião, do Chico da Tina, do Murta, do Fernando Daniel, do Paulo Sousa, da Cláudia Pascoal, do Agir, da Capicua, do Luís Severo, do Benjamim, do Héber Marques, da Carolina Deslandes e do João Só. O setor cultural, como muitos outros, está paralisado, mas provou que há sempre uma forma de derrubarmos muros.
O nosso maior festival online foi uma das iniciativas mais bonitas a que assisti. Pelo cuidado. Pela disponibilidade. E por ser[em] um ponto de luz no meio deste caos. A todos os envolvidos, obrigada ♥
Assistiram a algum dos concertos?
