Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Cheguei até esse livro tentando recomendar ao meu irmão Eduardo outros títulos de fantasia que não Senhor dos Anéis, Harry Potter, Eragon e seus congêneres famosos. Pesquisei sites especializados em literatura fantástica no intuito de ver o que eles avaliavam como boas promessas. O Nome do Vento é o volume um de “A Crônica do Matador do Rei”, de Patrick Rothfuss. Prefiro não fazer comparações e ater-me ao livro (mesmo sabendo que as comparações são inevitáveis):

É uma obra “clássica” de fantasia, com direito dragões que sopram fogo, espadas, demônios, tabernas, bardos, fadas e até uma escola de magia. Aí faço algumas correções, já que neste mundo (Quatro Cantos) há explicações racionais para muitas coisas: não há dragões, mas dracus; não é escola de magia, é uma Universidade (que sim, ensina também magia, mas de forma bastante restrita e “científica”); não há fadas, mas seres encantados; não há demônios… (bem, isso não ficou muito claro…).

A saga conta a história de Kvothe, um homem que começa a história como dono de uma hospedaria – Marco do Percurso – em um pequeno vilarejo, mas que se revela bem mais que isso. Ele é uma lenda viva, e sua história merece ser contada. Assim ele a começa:

“Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir.  Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles.”

Este livro obviamente não estava na minha lista de livros, mas, ao indicá-lo ao meu irmão (especialmente pelo fato de ele ter aceitado a indicação e comprado o livro), senti-me atraído a ver se meu palpite se revelaria bom, e resolvi abrir uma exceção, deixando um pouco de lado Faulkner e McCarthy, Cervantes e Huxley e lançando-me numa leitura despreocupada: fazia um bom tempo que eu não sabia o que era ler uma obra apenas pela história em si, sem prender-me à forma e à “mão do escritor”.

Foi uma experiência boa. Li o livro de 648 páginas em umas boas 11 horas, distribuídas em três dias. Li bastante relaxado – claro que algumas coisinhas não passaram incólumes, uns clichês básicos do gênero, mas isso não afetou, de forma alguma, o prazer que tive durante a leitura.

Para quem gosta de uma boa história e de um excelente personagem, “O Nome do Vento” é um prato cheio. Pena que o “segundo dia” da Crônica do Matador do Rei, pelo que pude pesquisar, sequer chegou a ser lançado em inglês, o que indica que vai demorar até que eu mate a minha curiosidade: como Kvothe aprendeu a lutar com espadas?