Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

“Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e sai com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressas nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem menestréis chorar.

Você deve ter ouvido falar de mim.”

Há tempos que eu e os meus irmãos conhecemos o famigerado RPG (Role Playing Game), e em muitas dessas nossas aventuras, poucos não foram os bons e insuperáveis momentos que ficaram marcados em nossa memória afetiva. Momentos heróicos. Ações realizadas pelas “nossas personagens” que fariam qualquer Cavaleiro das Trevas, Thor ou Super-man tremer de inveja e admiração. E é nesse sentido, e seguindo essa mesma lógica, que afirmo categoricamente: Kvothe, figurinha central de O Nome do Vento, aplaudiria e lacrimejaria ao ouvir as nossas façanhas.

Escrevo isso (e digo logo, não esperem aqui resenha do livro, porque se assim quiserem, cliquem no hiperlink acima) porque foi assim que me vi ao finalizar o livro aqui comentado. A obra é fascinante. Cativa e envolve. Mas, apesar de todo o encanto, para mim, faltou um pouco mais de momentos extremamente heróicos. O romance tem excelentes trechos, claro; todavia, raríssimos foram aqueles que me tiraram do sofá e me fizeram gritar: FILHA DA PUTA, ESSE CARA É BOM DEMAIS, NA MORAL!!!

A leitura valeu muito apena, não tenho dúvida, contudo fico na expectativa de que as palavras do próprio Kvothe: “Amanhã teremos algumas das minhas histórias favoritas. A minha viagem à corte de Alveron. A aprendizagem da luta com os ademrianos. Feluriana…”; e do aprendiz Bast, ao dirigir-se ao homem que escreve a história do seu mestre: “Concentre-se nos atos heróicos, na argúcia dele, esse tipo de coisa” se concretizem em muitos momentos inesquecíveis.

Não obstante essa minha vontade de ver mais ação, ainda fico a pensar nas palavras do Cronista (é como se ele estivesse a falar comigo): “Mas estou compilando a história da vida dele. A história real (…). Sem as partes sombrias, é só uma tolice de contos de fadas…”

Bem, que venha como vier. É completamente válida a leitura. Sendo assim: aguardo ansiosamente pelo livro dois