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Tema: Um livro que te aconselharam, mas nunca leste
Os livros unem as pessoas. Por isso, é fundamental conversar sobre as histórias que lemos, partilhá-las e escutá-las sob novos pontos de vista. Porque esta dinâmica torna-as únicas. Assim que estreitei laços com a literatura, fui acolhendo sugestões: algumas já descobri, outras foram ficando num plano secundário, por sentir que não era o momento indicado, tal como aconteceu com a obra de Maria Teresa Maia Gonzalez.
«Fui eu que a imaginei. Quando quero pensar, coloco-a em
posição de quarto crescente e, quando estou triste, rodo-a
para quarto minguante e sento-me até que a tristeza passe»
A Lua de Joana permite-nos acompanhar a luta interior da protagonista, uma adolescente a lidar com a perda da sua melhor amiga. Através de uma escrita, falsamente, leve, a autora confronta-nos com o processo de luto, a dor, a solidão e a dificuldade do perdão, sobretudo, quando não compreendemos as motivações dos demais. Além disso, explora a dinâmica familiar e a negligência parental, uma vez que tendemos a concentrar-nos em aspetos fúteis, desvalorizando o que carece da nossa atenção. Neste sentido, é percetível que existem temas que permanecem envoltos em neblina, mas cuja discussão é essencial: para minimizar as dúvidas, para evidenciar o perigo iminente e para traçar planos de ação. Porque nem tudo é uma escolha. Há estradas que seguimos para preencher vazios e para camuflar toda a escuridão que nos consome.
«Não sabia que dizer-lhe, por isso abracei-a e ficámos assim
uma data de tempo, em silêncio. E o silêncio falou por nós»
Este livro, para além de abordar a toxicodependência, é um alerta para nos mantermos atentos - não só em relação aos outros, mas também a nós -, pois há coisas que não são ditas, mas cujos sinais são claros pedidos de auxílio. Ecoando um porquê ao longo de toda a narrativa e terminando de uma forma surpreendente, A Lua de Joana continua atual e pertinente, porque demonstra a facilidade com que cedemos aos vícios e porque incentiva a não menosprezar as angustias de quem nos rodeia.
«Ninguém tem respostas para as minhas
perguntas. Ninguém ouve as minhas perguntas...»
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