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| Fotografia da minha autoria |
«Todas as rede social nascem boas,
são os seus usuários quem as estragam»
O mundo parece caminhar, vertiginosamente, para um palco de números. Esta faceta não é uma novidade, até porque, em muitos aspetos do quotidiano, o ser humano é medido por este indicativo, como se fosse o espelho de toda a sua competência. Por isso, seria de esperar que esta pressão minimizasse em plataformas que privilegiam o nosso conforto e entretenimento. No entanto, a competição, sinto, está mais tóxica do que nunca - ou, pelo menos, mais exposta. E será que a culpa é só das redes sociais? Ou haverá mais fatores a justificar esta tendência?
O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS
É desnecessário atribuir culpados, sobretudo, quando determinados comportamentos persistirão. Mas as redes sociais não são a fonte do problema, ainda que pareçam. Porque o conceito de cada uma delas é, até, bastante louvável. É a gestão dos seus utilizadores que pode melhorar ou condicionar todo o ambiente virtual, tendo em conta que as suas partilhas contêm sempre uma mensagem e serão vistas por alguém. E se, por um lado, até acredito que não sou totalmente responsável por aquilo que o outro interpreta - se o objetivo for criticar ou distorcer, encontrarão sempre uma maneira -, por outro, considero imprescindível sermos claros e honestos. Porque neste caminho todos somos influentes e influenciados e é mais vantajoso mantermos a autenticidade. Do lado de cá, há uma pessoa. Mas do outro também. Por isso, procuremos estabelecer um impacto positivo, pois a vida já é, suficientemente, desafiante e desgastante para estarmos a minar mais um circuíto de interação, acrescentando problemas que levam, imagine-se, a lugar nenhum. E tudo pela conveniência de um ideal numérico.
O QUE DIZEM OS MEUS NÚMEROS SOBRE MIM?
Nada! Ou, melhor, podem ser o teu cartão de visita, mas não são o teu empenho por inteiro. Eu entendo, perfeitamente, que as estatísticas sejam uma ferramenta essencial para quem tem nas redes sociais uma componente de trabalho. Até porque há marcas e objetivos associados, e é preciso justificar a aposta, perceber o que funcionou, qual é a meta e o que pode ser revisto. No entanto, para quem as gere como um mero passatempo, grupo no qual me insiro, esta obsessão já me provoca algum alvoroço interior. Porque, entretanto, deixam de retirar satisfação em algo que criaram para esse efeito. E eu creio que fazer publicações - seja qual for a sua natureza - em piloto automático, por preceito, só para corresponder a uma imagem padronizada não é nada benéfico.
A questão dos números é um eterno dilema. Porém, para mim, sempre esteve muito bem resolvido. É maravilhoso perceber que há mais pessoas interessadas no nosso espaço - e seria hipócrita da minha parte referir o contrário -, mas não me deixo deslumbrar, porque não é o meu foco. Eu divirto-me a escrever e sei que isso é independente da quantidade de público. Claro que o retorno transmite logo outra motivação e confiança, mas continuo a defender que temos que, primeiro, fazer as coisas para nós. Tudo o resto é um bónus. E por mais estranho que pareça, mantenho o meu discurso inicial: eu crio para mim, não para os outros. Porque é que isso pode soar estranho? Porque, a partir do momento em que disponibilizo o produto online, o conteúdo está acessível para todos e já não é só meu. Mas quando recorro a esta expressão é no sentido de apenas explorar o que me entusiasma. Eu tenho noção de que há temáticas que não chegarão a todos. Todavia, será que quero que cheguem? Não. E não o digo com arrogância. Menciono-o de peito aberto, porque não tento agradar. Mantenho-me fiel à minha identidade. E penso que é isso que fideliza.
PRESENÇA E EXIGÊNCIAS
De repente, há um conjunto de conceitos e regras que temos que cumprir: ter conhecimento da melhor hora para publicar. Ter cuidado com a organização do feed. Estar presente em tudo o que é rede, para otimizar o nosso propósito. Privilegiar fotografias verticais. Delimitar o nosso nicho. E a lista poderia continuar, porque este mar é imenso. Mas... E a liberdade de criar, fica onde? Uma vez mais, reforço o quanto compreendo que esta dinâmica seja crucial para quem tem nestas plataformas o seu escritório. Só não me parece justo exigirmos o mesmo resultado, ainda para mais, quando todos temos finalidades distintas. E eu não tenho que sentir essa pressão, se só procuro uma alternativa de entretenimento. Da mesma maneira que não censuro, nem posso, quem encara este palco com profissionalismo.
Ultimamente, no meu instagram, tenho publicado quase sempre à mesma hora, porque é quando fico disponível dos meus compromissos. E tenho organizado a tela com o mesmo efeito nas fotografias, porque gosto da energia que transmite. Mas digo-vos, com toda a franqueza, que não faço ideia se é o horário mais indicado ou não, se é o visual mais apelativo ou não. Nem estou importada. Porque o que me interessa é que corresponda à minha essência, aos meus gostos e à minha predisposição - temporal e emocional. Além disso, dentro de minha casa há espaço para inúmeros assuntos. E não estou disposta a abrir mão desta miscelânea. Porque o meu nicho é tudo o que me move, livre dos demais.
Dentro desta categoria, não posso deixar de mencionar os grupos de interação. Fiz parte de dois [aliás, nunca saí em definitivo, contudo, a minha participação nos mesmos é nula], porque acreditava que seria uma forma de me disciplinar ao nível das intervenções. No blogue, este compromisso é evidente. Porque valorizo bastante a partilha e a troca de ideias. Mas nas restantes redes acabo por ser mais desligada e não sentia que fosse justo. Só que, rapidamente, compreendi que havia ali um traço de obrigatoriedade que choca com aquilo que defendo e que espero que façam comigo: gostar e/ou comentar se, de facto, apreciarem o meu conteúdo. E é assim que vou limando e harmonizando as arestas.
DESDE QUANDO É QUE AS MINHAS REDES SOCIAIS SÃO GERIDAS PELOS OUTROS?
Quando abrimos esta porta, torna-se difícil fechá-la. Porque estamos a possibilitar um protagonismo que os outros acabarão por cobrar.
O Pedro Teixeira da Mota, no seu podcast, abordou um tema com o qual me debato, há algum tempo, porque é muito frequente ver criadores a perguntar que tipo de assuntos querem ver/ouvir/ler. Pontualmente, é útil, até para nos desafiarmos. Mas sempre? Perdoem-me, até porque não sou ninguém para colocar em causa a vossa gestão editorial [nem é essa a minha missão], mas assim parece que estão pouco seguros da vossa arte. Em simultâneo, acredito mesmo que respeito mais quem chega ao meu espaço mantendo o meu dialeto, do que estando sempre a bombardeá-lo com estas questões. Pode parecer egoísmo ou que não tenho em atenção a opinião de quem lê, mas não é o caso. Simplesmente, sem rodeios, nas minhas redes mando eu. Estou sempre disponível para receber críticas e socorrer-me delas para evoluir, mas quando ultrapassam a linha do aceitável, quando chegam a interferir com o próprio conteúdo, vamos com calma. Já para não referir que isso não é uma crítica, é uma tentativa de monopolização. Portanto, valorizem-se. E publiquem o que bem vos apetecer, desde que não ofenda, não discrimine, não inferiorize. Há espaço para todos e, lembrem-se, a opção de seguir/não seguir ainda é válida. Por isso, se determinada conta não vos inspira, avancem para a seguinte, não procurem que aquela seja à vossa imagem. Porque tem que ser à imagem do seu autor.
O QUE ME IRRITA
Aqui me confesso: tenho pouca paciência para pessoas que se colocam num pedestal, porque acreditam que os números as colocam numa posição insubstituível. Mas é necessário ser-se consciente. E humilde. Porque uma coisa é sugerirmos, outra é acharmos que somos donos da verdade. E há quem ganhe visibilidade e tente vender a ideia de que só existe uma forma de fazer isto bem - a delas. E isso é perigoso. Porque, numa altura em que há tanta gente à procura de fama rápida ou de mais reconhecimento, compram estas certezas e, depois, transformam-se em mais uma cópia, a sentir que só se podem moldar àqueles princípios.
Desenganem-se, não há apenas um caminho. E insistir no pensamento de que temos de encaixar nas mesmas medidas é descabido. E redutor, pois estamos a impedir que as pessoas invistam naquilo que as diferencia. E, pior, levamo-las a pensar que a sua perspetiva é errada, quando não o é. Incomoda-me o constante pedinchar, o seguir-deixar de seguir, a partilha para conquistar likes e a autopromoção exagerada. E também não compreendo quando só se focam na merda do algoritmo e o repetem como um mantra, porque sinto que se desviam do principal. Ou, então, quando persistem no queixume da falta de retorno, mas não param para perceber que as próprias não interagem [mas, atenção, para fazê-lo só por uma questão de números deixem-se estar sossegados no vosso canto]. Mas é, precisamente, por essa razão que tenho a opção de não acompanhar todo o mundo, podendo filtrar este tipo de abordagens.
Entendam uma coisa, a vossa postura não dita o que é aceitável. Nem a minha. E não há códigos únicos. Não tem que haver regas. Nem pedidos de permissão. Tem, sim, que haver respeito. Empatia. E verdade. Porque criar o que nos faz feliz não devia depender da bênção de terceiros.
A MINHA PEGADA DIGITAL
O blogue é a minha prioridade. Portanto, o meu investimento é muito maior por aqui. Nas redes sociais, faço uma gestão mais regrada e exploro outras finalidades. Mas sou eu por inteiro, publicando o que me inspira, colocando gostos no que me interessa e comentado, somente, quando sinto que tenho algo para dizer. Mas, admito, desilude-me quando há imposições camufladas em conselhos. E a minha tendência é ir-me afastando ainda mais. Porque percebo que não me acrescenta.
Esta é a minha posição. E não me torna melhor ou pior criadora de conteúdo. Torna-me igual a mim - e não peço desculpa por isso. Assim, a pegada que pretendo perpetuar nas minhas redes sociais coaduna-se com os meus valores. E mantém-me na minha bolha. Sem cobranças. Sem expectativas. Apenas com o prazer de dar asas às minhas paixões. Porque a minha voz ainda tem peso. E grita liberdade. De ser.
