Acabei hoje a leitura de "O vendedor de sonhos". Posso-vos dizer que adorei o livro e que chegou a uma parte em que ansiava por ter uns minutos livres para continuar a leitura! É daqueles livros que, sem sabermos como ou porquê, nos prendem às suas páginas de um modo tal que nos custa parar de ler.

Fala-nos de um homem que se auto intitula um caminhante que quer vender sonhos. Afinal, vender sonhos é uma metáfora para o pesadelo em que se tornou um dia a sua vida, numa simples opção que com a fatalidade dos acontecimentos por ele não programados, fizeram desabar todo o seu mundo, exterior, mas principalmente interior.

De entre as diversas mensagens que o livro  "O vendedor de sonhos" continha, esta foi uma das que mais gostei.

Identifiquem-se aqui com as palavras do autor! Tentem perceber o que estamos a fazer com as nossas acções e o que nos falta para sermos uns pais melhores e mais presentes.  Avaliem a vossa infância. Dêem uma infância feliz aos vossos filhos.

"Enquanto recordava a minha infância, o mestre parecia perscutar-me. Puxando o fôlego com vigor, comentou sobre o assassinato da infância na actualidade, uma das coisas que mais o perturbavam:

- Internet, jogos de vídeo, computadores são úteis, mas têm destruído algo inviolável: a infância. Onde está o prazer do silêncio? Onde está a arte da observação? (...)

De repente, teve uma reacção que eu nunca tinha presenciado. Vários pais passavam por nós levando os filhos, entre sete e nove anos, às compras. Eles estavam muito bem vestidos, ao rigor da moda (...)Mas revelavam evidente insatisfação. Alguns começavam a impor o que queriam consumir. Os pais, para não se perturbarem com os seus gritos e atritos, cediam.

(...)

- O que estão vocês a fazer aos vossos filhos? Levem-nos para os bosques! Tirem-lhes os sapatos, deixem-nos andar descalços na terra! Façam-nos subir às árvores, estimulem-nos a inventar as suas brincadeiras.(...)

- Quem quiser voar como uma borboleta levante as mãos.
Três crinaças levantaram as mãos, duas ficaram indiferentes e três esconderam-se atrás dos seus pais e responderam:
- Tenho medo de borboletas.
Os pais sentiram-se ofendidos com a petulância dos intrusos.
(...)