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| Fotografia da minha autoria |
«A pergunta não é como, mas quando»
O meu apreço por séries não pertence a uma gaveta desconhecida, atendendo a que o partilho sempre que o coração o pede. Porque eu sou feita de histórias longas, que me permitem estabelecer vínculos mais profundos com as personagens - tal como nos livros. Por isso, deixo que os episódios se sucedam, tecendo um manto de temporadas sem igual.
É, também, ressalva desta casa que a aposta da RTP neste formato audiovisual tem sido de excelência. Naturalmente, houve séries a marcar-me mais que outras, como o caso de Sara, Sul e A Espia. Porém, creio que é inegável o compromisso de valorizar o que se faz de melhor em Portugal. E mantenho-me atenta às possibilidades em canal aberto e nas plataformas digitais, enriquecendo a minha experiência cultural.
Assim, há cinco séries portuguesas que acompanhei/estou a acompanhar que considero dignas de todo o destaque. Quer pela originalidade, quer pela qualidade do enredo e do elenco - sempre versátil e heterogéneo.
O ATENTADO
É a história do atentado ocorrido em 1937 contra o Professor Oliveira Salazar. Da autoria de Francisco Moita Flores, baseia-se em factos reais e revela «as voltas e reviravoltas da investigação contaminada pelo ódio político», mostrando não só o planeamento e a concretização do atentado, mas também o período terrível que se seguiu ao momento.
3 MULHERES
Esta série com vários apontamentos verídicos tem a particularidade de partir das biografias e da intervenção cultural e cívica da poetisa Natália Correia, da editora Snu Abecassis e da jornalista Vera Lagoa [pseudónimo de Maria Armanda Falcão]. Deste modo, recuamos e recordamos [a]os últimos anos do Estado Novo, compreendendo o combate contra a censura, a desigualdade e a desvalorização da mulher que foi assumido por estas personalidades inspiradoras. Com traços cómicos e intensos, na medida certa, há reencontros que nos permitem recomeçar.
CRÓNICA DOS BONS MALANDROS
Inspirada na obra homónima de Mário Zambujal, apresenta-nos um grupo de ladrões distinto e muito especial. Numa história quase insólita, que nos transporta para Lisboa dos anos 80, a boa disposição está garantida - e as peripécias também. Se procuram uma companhia para rir - mas que consegue, de igual forma, emocionar -, acredito que esta opção não desiludirá, até porque as personagens foram bem defendidas.
FILHA DA LEI
A Inspetora-Chefe da Polícia Judiciária, Isabel Garcia, é confrontada com o maior desafio da sua carreira, porque há uma série de assassinatos violentos a acontecer em Lisboa. Entre a obsessão de encontrar o culpado - que, para Isabel, é óbvio - e as pistas que parecem levar a lugar nenhum, existe uma energia misteriosa que nos faz duvidar de vários comportamentos. Em simultâneo, acompanhamos o desnorte de uma adolescente, que apenas procura a aprovação dos pais.
ATÉ QUE A VIDA NOS SEPARE
As famílias unem-se na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte se intrometa no caminho. Mas e quando é a vida a fazê-lo? Com várias histórias que se cruzam, acabamos a refletir sobre as inúmeras visões do amor. Privilegiando uma aura nostálgica e cómica, num equilíbrio perfeito, a nova aposta da RTP é bastante humana.
Que outras séries portuguesas recomendam?
