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| Fotografia da minha autoria |
«A vida é assim. Eu gosto assim»
A serenidade dos meus finais de dia ou das manhãs de fim de semana combina com uma chávena de chá - ou de café - e vários episódios das séries que acompanho. Nesta altura do ano, porém, a maioria está em pausa, por isso, sinto-me sempre um pouco órfã deste conteúdo, mas a RTP tem alternativas que não me deixam só.
SOMBRA

A minissérie, com argumento e realização de Bruno Gascon, é baseada em factos verídicos, atendendo a que se inspirou na história de Rui Pedro. E é impressionante como há casos que se mantêm presentes na nossa memória. Ainda assim, reconheço o privilégio que é, para mim, prosseguir com a minha vida sem o peso do seu desaparecimento, sem ter o seu rosto visível em tudo aquilo que eu faço. O mesmo não poderá dizer a sua mãe, cujo processo de luto nunca terminou. Este retrato, dividido em quatro episódios, tem sido um murro no estômago, mas vale a pena vê-lo, porque demonstra o amor incondicional de uma mãe, que continua à procura do seu bem mais precioso - mesmo que faltem as forças, mesmo que as provas não tragam esperança.
DA MOOD

Os sonhos impulsionam os nossos passos e, partindo desta premissa, há uma boys band a tentar encontrar o seu lugar no universo musical. Nada disto seria estranho, caso os elementos do grupo não fossem tão peculiares, parecendo não encaixar na energia uns dos outros. Aliás, juntá-los aparenta ser algo descabido, talvez um grande erro de casting. No entanto, rapidamente nos deixamos conquistar por esse traço improvável, que se vai harmonizando. Com muito humor e ironia, esta série aborda a ansiedade de um modo descomplicado, ao mesmo tempo que nos leva por uma viagem intimista, com desilusões, excessos, assédio, discussões e desentendimentos. No fundo, através do tom cómico, desmistifica assuntos muito sérios.
NEM A GENTE JANTA

Fui-me cruzando com o nome desta série no catálogo da RTP Play, mas, sem qualquer razão de maior, acabei por adiar a sua descoberta. Aventurei-me recentemente e fiquei de coração apertado. Embora tenha cenas cómicas e hilariantes, que nos arrancam gargalhadas sentidas, é o drama familiar que nos desarma: porque ainda há uma dor profunda a precisar de ser cuidada, porque ainda existem questões passadas para gerir. Abordando a demência, a solidão e a possibilidade de um despejo, a protagonista «refugia-se na figura imaginária do seu falecido pai». E é na sua introspeção - e através dos amigos - que vai curando as feridas.
