Fotografia da minha autoria

«É preciso ver o que não foi visto, 

ver outra vez o que se viu já»

A nossa jornada pelo Alentejo, esse pedaço de casa que transporto no peito, levou-nos de volta a uma das cidades que não mais me saiu da memória: Beja. Inconscientemente, fui contando o tempo para o reencontro. Por isso, explorei alguns dos seus recantos com um sorriso largo e o coração a transbordar de felicidade. Porque há uma energia impossível de definir, quando chegamos a lugares que queremos tanto. E o carinho que lhe reservo ficará, para sempre, colado à minha pele.

Em sintonia com a Natureza, deambulamos numa fortaleza que irradia harmonia e amores. Com mais de 2500 anos de uma identidade sem igual, iniciei o meu percurso com destino ao seu castelo. Não foi possível visitar a Torre de Menagem, uma vez que coincidiu com a hora do fecho, mas foi suficiente para apaziguar as saudades. Relativamente à sua história, sabe-se que «as muralhas decalcam ou aproveitam muros de épocas anteriores». São tipicamente medievais e preservam um traço que contextualiza o seu passado de «intensas lutas entre muçulmanos e cristãos». Disposto numa planta pentagonal, e flanqueado por seis torres, o Castelo de Beja espelha esse caráter bélico e imponente. Imediatamente na lateral, encontramos a belíssima - e amarela - Casa do Governador, que funciona como Posto de Turismo e espaço museal, «preparado para receber exposições temporárias».

As ruas sinuosas permitiram-me, ainda, ficar deslumbrada com a Sé Catedral [onde se destaca o altar ao padroeiro da cidade], com a Ermida de São Estevão [uma das mais antigas] e com a Igreja de Santa Maria [destacando-se pela galilé, pelos altares barrocos e pela «representação da Árvore de Jessé, presente numa capela lateral»]. A par destes edifícios de máxima importância - e arquitetonicamente fascinantes -, deparamo-nos com o Convento de Nossa Senhora da Conceição, no qual se encontra instalado o Museu Regional de Beja, composto por coleções preciosas de «azulejaria, arte sacra, pintura e arqueologia». É neste imóvel que ficamos a conhecer a carismática história de Mariana Alcoforado, uma freira que lá viveu e a quem «se atribui a autoria das Cartas Portuguesas», que foram verdadeiras declarações de amor a um Cavaleiro Francês. É, portanto, fácil compreender que não faltam motivos para uma visita demorada.

Este município, tão belo e tão sentimental, não carece de detalhes artísticos, que nos convidam a parar e a contemplá-los. Desde o Arco Romano até à Janela Manuelina, passando pelos azulejos, pelo Passo da Rua da Ancha, pelas Arcadas da Praça da República e, também, pelo Arco dos Prazeres, tudo se revela motivo de interesse. E, observando com mais atenção, há muitas outras representações que merecem a nossa curiosidade. Porque, afinal, Beja é uma cidade para descobrir. Para viver. Para apreender. O difícil será, posteriormente, abraçar a despedida, pois queremos ficar sempre mais um pouco, apaixonando-nos por todo o seu mistério. E por todos os encantos camuflados.

Já estiveram em Beja?