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| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já»
Elvas. Cidade de duas faces: uma dentro e outra fora de muralhas. No interior desta fortaleza, senti-me num conto de fadas moderno, onde as paredes caiadas fazem sobressair apontamentos de um amarelo-sol e um azul-céu, que aconchegam a alma. Fiquei maravilhada a calcorrear as suas ruas. E, inclusive, tive a sensação de estar próxima de Santa Catarina, no Porto, pela envolvência e pela disposição dos vários estabelecimentos. Exaltando a essência alentejana, revelou-se um pequeno pedaço de sonho ao qual faço questão de regressar.
A Rainha da Fronteira localiza-se perto de Espanha e a sua fortificação desenha-se em forma de estrela. Além disso, desde 2012, foi classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, sendo riquíssima ao nível de património militar e religioso. Porém, não carece de pormenores extraordinários. A Praça de Elvas abrange todo o seu centro histórico e é «composta por sete baluartes e quatro meios baluartes». Para termos acesso à cidade, podemos seguir por três portas duplas «e por várias poternas», que são portas secundárias disfarçadas. Deambulando pelo seu interior, somos abraçados por palacetes, igrejas, fontes e inúmeros estilos arquitetónicos, potenciando um lado plural, que sobreviveu e renasceu nas mais diversas fases de evolução territorial. E nestas metamorfoses, que permanecem no tempo, há uma história absolutamente inspiradora.
A minha primeira paragem foi em frente ao Arco de Dr. Santa Clara [Porta de Tempre]. Logo de seguida, não é possível ignorar o Pelourinho. Descendo a rua, chegamos ao Mercado Municipal, conhecido como Casa das Barcas - como o nome permite antever, «tinha como finalidade a construção e o armazenamento de barcas para operações militares». Aproximando-me das suas limitações, deixei-me envolver pela paisagem tão pacífica e pelo vislumbre do Forte de Nossa Senhora da Graça, que terei que visitar numa oportunidade futura. Mantendo-me fiel à rota que fomos traçando no momento, passei pela Igreja de São Martinho e pela poterna com o mesmo nome. Deslumbrei-me com o Aqueduto da Amoreira. E apaixonei-me pela beleza e pela arquitetura da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. O melhor de tudo é que, quanto mais observava, mais me sentia conquistada.
O meu olhar atento proporcionou-me descobertas que não mais esquecerei, sobretudo, pelos contastes. É impressionante a quantidade de estímulos visuais e, ainda assim, a sensação de pertença. Absorta em pensamentos, sempre de máquina fotográfica pronta, cheguei à Praça da República, onde se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Assunção - antiga Sé Catedral -, o Posto de Turismo e a Casa da Cultura. Em simultâneo, privilegia esplanadas para desfrutarmos da vista. Da grandiosidade. E da paz que se sente em Elvas.
Sinto que nenhuma descrição fará justiça a esta cidade incrível, com imensos pontos de interesse. No entanto, para compensar, embarcamos numa viagem ao passado, desvendando preciosos tesouros, com a certeza de que há um traço contemporâneo que perpetuará a sua natureza.
Já conheceram Elvas?


































