Fotografia da minha autoria

I

anoitece

como quem respira

um céu aberto

como asa que se ergue

sem levantar a poeira

de memórias fragmentadas

anoitece

e como é negro

o céu do meu desgosto

oposto às roupas que me cobrem

o corpo, a dor, a tua ausência

II

um quarto arrendado

em peito xxl

de olhares que nos pesam

e há tanta coisa que não nos serve

mas onde insistimos em encaixar

III

fazer morada em ti

nos contornos do corpo sob a roupa da cama

consciente de que não sei ficar