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| Fotografia da minha autoria |
Tema: Um livro sobre natureza
O sonho, já cantava Manuel Freire, «é uma constante da vida». Motivada por esse traço quimérico, quis recuperar esta obra de José Saramago - escolhida para o novo tema do Alma Lusitana - na minha estante. O meu primeiro exemplar navega por mar incerto, portanto, não resisti à edição da Coleção Reino das Letras.
UMA BELA METÁFORA
O Conto da Ilha Desconhecida é uma história que se lê de uma forma célere, mas desarma-nos: pela escrita encantadora, pelas imagens que as palavras despertam na nossa imaginação [auxiliadas pelas ilustrações lindíssimas], pelas reflexões que a sustentam e, no fundo, pela essência da mensagem que procura transmitir.
«Mais lhes pertencerás tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei,
inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles, sem ti, poderão sempre navegar»
Através «de um homem [que] foi bater à porta do rei», somos capazes de reconsiderar o conformismo de quem se mantém na sua bolha, o descontentamento social perante a burocracia e a nossa pegada no mundo. Além disso, ensina-nos a ver para além do óbvio, a sermos perseverantes e a estarmos mais atentos ao que nos rodeia - e a quem. Com uma narrativa sensível, que nos convida a calçar os sapatos dos demais, pensando sobre tudo aquilo que esperamos uns dos outros, também encontramos uma crítica social e política sagaz.
«(...) também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco,
já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda
vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais nada que ver, é tudo igual»
Sinto que, para quem se quiser aventurar na obra de José Saramago, esta é a melhor maneira de nos ambientarmos à sua escrita, porque compreendemos não só a estética do discurso, mas também as metáforas que o caracterizam. E neste livro em particular temos uma bela metáfora acerca do mundo que nos habita.
«Se não sais de ti, não chegas a saber quem és»
O Conto da Ilha Desconhecida proporciona-nos uma viagem plural, transitando entre apontamentos de fantasia e de ironia. E sendo um retrato de todos os que pensam fora da caixa, lutando «contra as convenções», mostra-nos a importância de perseguirmos os nossos sonhos, mesmo que os desvalorizem, mesmo que o caminho seja turvo, incerto. Na maior parte das vezes, as ilhas desconhecidas estão a um palmo de distância.
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