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| Fotografia da minha autoria |
Tema: Um livro para reler
Leiria - mais concretamente, Monte Real - foi, durante vários anos, palco das minhas férias em família. E guardo memórias especiais de tudo o que por lá vivi. É por motivos como este que creio que devemos regressar onde somos felizes. Seja a um lugar, seja a uma história. Portanto, para o Alma Lusitana, fui reler o livro de José Saramago.
«Dali para diante, para o nosso menino, será só uma
pergunta sem literatura: "Vou ou não vou?" E foi»
A Maior Flor do Mundo parte de uma provocação: «e se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para adultos? Seriam capazes de aprender o que ensinam?». E deambula para um tom de autoanálise breve, no qual o autor reconhece a sua limitação na literatura infantil. No entanto, mesmo apresentando palavras mais difíceis, a mensagem é lindíssima e compreensível, até porque combina a simplicidade da ação com um contexto proximal. Além disso, envolve-nos através de ilustrações fantásticas, que complementam a narrativa.
«No côncavo das mãos recolhe quanto de água lá cabia»
Esta obra consciencializa-nos para uma componente ecológica, atendendo a que nos mostra a importância de preservarmos o meio ambiente, porque não é só a Natureza que fica devastada - a nossa vida também. Em simultâneo, reforça o quanto são imprescindíveis os vínculos afetivos, priorizando a empatia, e a necessidade de movermos todos os esforços para lutarmos por um bem maior, mesmo que isso implique dificuldades.
«Correram tudo, já em lágrimas tantas, e era quase sol-pôr
quando levantaram os olhos e viram ao longe uma flor enorme»
A Maior Flor do Mundo talvez não seja um livro para crianças, mas tenha a missão de recuperar a criança que habita em nós. Independentemente do propósito, é maravilhoso. Porque nos faz sentir. E porque coloca a tónica numa aprendizagem que considero fulcral: precisamos uns dos outros, seja para aprendermos, seja para não esmorecermos. E, por isso, até o gesto mais simples provoca mudanças.
«(...) diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma
coisa que era muito maior do que o seu tamanho»
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