Bom dia, lindos!
Hoje estou aqui para falar de outro seriado nacional que gostei bastante. A minissérie começou dia 22/08/2016 no canal aberto de televisão Rede Globo, às 22:15, contando com quatros capítulos semanais do total de vinte, no qual cada dia será apresentada uma das quatro histórias retratadas, não havendo exibição de quarta-feira. Quatro prisões em uma mesma noite. Sete anos atrás das grades. Um único sentimento: justiça. Mostrando como forma de lembranças os acontecimentos que levaram a prisão de cada um e passado os sete anos, nos dias atuais, as atitudes deles em busca de justiça, vingança ou redenção. Não é uma história sobre tribunais nem sobre legislação. É sobre pessoas. Personagens que, justa ou injustamente, foram condenados e precisam pagar legalmente pelos seus atos. As histórias são:

Segunda-feira: Apresenta Vicente (Jesuíta Barbosa) e Elisa (Debora Bloch). Ele é um playboy inconsequente que mata a noiva, Isabela (Marina Ruy Barbosa), única filha de Elisa em um surto de ciúme. Passados sete anos, ele está livre para recomeçar sua vida e Elisa promete vingança, contrariando Heitor (Cássio Gabus Mendes) que tenta fazê-la desistir, sem sucesso, pois no caso dela, ela acredita que nunca será possível realmente recomeçar.

Terça-feira: Apresenta Fátima (Adriana Esteves) que mata o cachorro dos vizinhos Douglas e Kellen (Enrique Diaz e Leandra Leal) para defender os filhos após inúmeras invasões em seu quintal, enquanto o marido Waldir (Ângelo Antônio) está na UTI do hospital após ser esfaqueado em uma briga no bar do bairro e é vitima de uma armação do dono do animal que é policial, colocando drogas escondidas em seu terreno, fazendo-a ser presa, enquanto os filhos, ainda crianças, ficam sozinhos. Quando ela sai da cadeia, vai até sua casa, que está completamente abandonada e destruída e seu maior objetivo é encontrar e recuperar os dois filhos.

Quinta-feira: Apresenta Rose (Jéssica Ellen) que durante a comemoração de dezoito anos e também de seu ingresso na faculdade, após a meia-noite é abordada por policiais que só revistam as pessoas negras presentes e liberam as brancas. Débora (Luisa Arraes), melhor amiga e filha da patroa Lucy (Fernanda Viana) de sua mãe Zelita (Teca Pereira) assustada, foge do local assim como todo mundo que tinha pedido que Rose comprasse as drogas para consumirem. Rose é presa por tráfico devido à quantidade de ecstasy encontrada e passa sete anos presa. Quando sai, sua mãe já faleceu e ela recorre a Débora que a recebe de braços abertos e coração culpado na casa onde mora com o marido Marcelo (Igor Angelkorte), contra a vontade dele. Rose descobre que Débora foi estuprada há um tempo e promete ajudar a amiga a se vingar do homem.

Sexta-feira: Marjorie Estiano e Cauã Reymond juntos chega a ser covardia porque adoro demais os dois. Apresenta Mauricio (Cauã), contador da empresa de Euclydes, homem correto, bem casado com Beatriz, seu grande amor que após a esposa ser atropelada pelo irresponsável Antenor em sua tentativa de fuga do país foge sem prestar socorro, deixando Beatriz tetraplégica e não desejando mais viver (uma excelente bailarina, que vive da dança), pratica a eutanásia nela a seu pedido e é preso por isso, saindo após sete anos e jurando vingança a Antenor que agora é político influente.

O local onde as histórias acontecem, Recife, é um diferencial muito bem colocado. A fotografia e sutileza das cenas contrastando com a força e brutalidade necessária funciona bem. O enredo, os diálogos fortes e envolventes nos conectam as histórias, mérito da autora Manuela Dias, porque são reais, são comuns, são do cotidiano, poderia ser conosco e há identificação. Os personagens bem apresentados e, óbvio, atores carismáticos e conhecidos, adorados pelo público e por mim, ajudam bastante na contribuição para o sucesso. Ainda com todas essas qualidades, o que se destaca é o tema, a abordagem, porque nos faz refletir e analisar, contradizer e remexer com os sentimentos humanos. O que é o certo e o errado? O que é a verdade? Se cada pessoa tem a sua verdade, ela existe? É concreta? A justiça fica sendo algo intangível, algo móvel, não entendível. Passível de erros e concepções variáveis. Onde termina a justiça e começa a vingança? Como determinar isso? O que fica claro é que a justiça é de cada um, algo próprio e particular, de acordo com suas crenças, religião, fé, entendimento e experiência de vida, contradizendo o que deveria ser, que são as leis do homem, nosso código penal. A pergunta “Se a lei não serve para fazer justiça, para que serve?”. Mas o importante é analisar o que as pessoas esperam e buscam no código penal, que vai além do cumprimento da lei e da pena. Do que a vingança representa para cada pessoa. Do que é justo. E tudo isso é muito pessoal e contraditório no geral, por isso não funciona para todos. Porque é individual. Precisa ser analisado de perto, se colocar no lugar de cada pessoa para entender se seus atos são certos ou errados? A minissérie traz muito mais dúvidas do que respostas. E eu adoro isso. O impacto da realidade aproxima o público. Certas fortes, de nudez e sexo também despertam o interesse do público. As cenas intimistas são mérito do diretor José Luiz Villamarim. As imagens desfocadas ao fundo trazem suavidade. As quatro histórias intercaladas e conectadas, participando ora sucintamente, ora fortemente uma das outras me agradaram bastante. Algumas cenas são mostradas de ângulos diferentes, dependendo de quem é o protagonista da história no dia. Mostrando que tudo pode mudar, o quanto somos responsáveis pelas conseqüências na vida de outras pessoas dependendo das nossas atitudes. As histórias cruzadas como pano de fundo enaltece os diferentes pontos de vista de todas as histórias. As fatalidades, os acasos, as reações são pontos que nos fazem pirar. Fiz analogias, comparações, palpites desde o início. O que ficou de surpreendente para mim na primeira semana é que o fato que desencadeou todos os outros fatos e a prisão dos quatro personagens, assim como todas as tragédias foi o roubo feito por Antenor. É possível analisar que ele foi quem desencadeou todas as tristezas de todos os personagens, que peso enorme em suas costas, hein? Explicando rapidamente: Ele rouba Euclydes, seu sócio, que abre falência, conturbando o filho e o relacionamento com Isabela e tudo o mais, assim como isso que causa a greve na empresa de ônibus que Waldir trabalha, impossibilitando de pegar as crianças na escola e sem receber salário, o revolta, o que o faz beber no bar e tudo o mais de novo, só não consegui conectá-lo com a história de Rose, além dos fatos delas estarem na cena do atropelamento na fatídica noite. Ainda arrisco dizer que o personagem de Antônio Calloni que está em alta velocidade e atropela Beatriz pode ser o Antenor em fuga (e de fato é, pelo capítulo de Sexta-feira e esse texto já estava escrito), portanto, ele foi responsável pela tragédia de Beatriz e Maurício. Porém, isso também seria injusto, a partir da questão que cada personagem fez suas escolhas e tomou decisões, cabendo a eles também as conseqüências. Indo além, injusto também porque existe o destino e crenças que dizem que tudo que acontece era para ser. Isso também é questionável de cada espectador. Podemos dizer que se Waldir tivesse deixado o motorista em alta velocidade passar pelo ônibus rapidamente, ao invés de segurá-lo, mesmo estando na sua razão, o carro não teria atropelado Beatriz? Seria justo?
O capítulo mais sensível ao meu coração foi o de Fátima, onde a tristeza de sua vida ultrapassa todos os limites possíveis. Importante também dizer que Vladimir Brichta no papel de Celso está atrelado à história de Vicente, Rose e Maurício (só não à da própria esposa kkk) e é fundamental em algumas consequencias das histórias alheias. Quase um co-responsável, sem ser de fato, pelas tragédias.
Não posso deixar de comentar sobre a música tema da minissérie chamada “Hallelujah” de Rufus Wainwright é extramente triste para mim, ajudando a dar o clima tenso e doloroso necessário as cenas finais de cada capítulo.

E essa semana tem mais, ainda bem!
Até quarta-feira com resenha de livro. Beijos.