No fim do mês de setembro há uma festa, uma romaria em honra da Senhora do Cabo. O meu jeito para estas coisas não é muito e, a verdade, é que não acredito em nada destas coisas de santas ou milagres. Escrevi este pequeno poema em honra daqueles que mantém as tradições que são tão importantes para nos unir como povo. Às gentes da vila e às gentes do campo que se juntam para fazer a festa do Cabo, a minha singela poesia.
Cabo
Há um penhasco
E há a vida
O som da batida
Do seu coração
Que junto da ermida
Se recolhe no fundo
Da dor sem perdão.
Há um penhasco
Qual escarpa profunda
Onde se espreita o início
Deste nosso mundo
Em que grandes gigantes
Passaram sem pressa
E marcaram-lhe o fundo.
Há um penhasco
Um sentir que é preciso
No momento exato
Cair num abraço
Que a vida é mais forte
Mais valente, mais tudo
E se funde num laço.
Há uma estrada
Um caminho a percorrer
Vontade de seguir a vida
Com esperança no olhar
Uma família a acontecer
E junto daquela ermida
Há uma mulher a rezar.
Há um penhasco
E há uma história
Da pedra da mua
Onde a Senhora subiu
Padroeira da memória
Dizem que foi obra sua
O mar não os engoliu!
Elsa Filipe, setembro de 2024