Hoje deixo-vos o desejo de, seja qual for a vossa terra, lá possam sempre regressar, nem que seja nas lembranças.
O castelinho
Na minha aldeia, há um caminho
E nesse caminho, pegadas
Que levam a um castelinho
Com torres e pedras tombadas.
Na minha aldeia, há uma fonte
Com água cristalina
E ao subirmos o monte
Vem descendo a neblina.
Na minha aldeia, há um jardim
Onde os meninos se escondem
Entre arbustos de alecrim
Perto da escola onde aprendem.
Na minha terra, nesta aldeola
A vida passa devagar
Subimos a rua da Escola,
Entramos na praça do lagar.
Na minha aldeia, as senhoras
Enchem o rio de sabão
Enquanto lavam as roupas
Do menino e do patrão.
Na minha aldeia, caladas
Não contam as gralhas no ninho
De quem são as pegadas
Que levam ao castelinho.
Menina de saia rodada
Descalça, corre e se apressa
Nem vê que fica marcada
No caminho a sua pressa.
Elsa Filipe, 2022