Este poema é dedicado a quem vive do mar. Quem me conhece sabde que hoje faria anos uma pessoa muito especial para mim e que sempre viveu do mar. Um dia, ainda hei-de saber quem foi realmente este homem que tantos segredos escondia.

Mar

Se porventura havia a sorte

De o vento ir de feição

Ia o barco para o mar.

Transpunha as ondas e o forte

Chamava por eles então

Punham-se a navegar.

A areia branca ficava

Atrás deles saudosa

A vê-los dali partir

Se a maré se punha brava

Ficava a mulher chorosa

Não os quer deixar partir.

Da faina que traz o pão

Para alimentar este povo

Que espera o barco no cais

Traz também a solidão

Da mulher do homem novo

Que perdeu o seu arrais.

Lágrimas em silêncio escoam

E são tantas as mulheres

Na areia a gritar

Que não ouvem como ecoam

Os gritos e gargalhadas

Das crianças a brincar.

E volta o barco imponente

Traz na volta da labuta

A doca no seu olhar

São os homens fortes da gente

Que sobre qualquer disputa

Vivem apenas do mar.

Elsa Filipe, agosto de 2023