Literatura sobre o Holocausto

31 textos neste tema

Resenha – O Diário de Helga – Helga Weiss

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2013-05-03 23:06

Segunda Guerra Mundial, Holocausto, Campos de concentração, Literatura autobiográfica, Terezín, Auschwitz

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Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Há algum tempo, quando escrevi sobre as minhas impressões (negativas) a respeito de Bastardos Inglórios (aqui), disse que o tema 2ª Guerra Mundial estava mais do que saturado. Repeti isso quando escrevi sobre Beatriz e Virgílio, de Yann Martel, desta vez reconhecendo que é possível trazer à baila algo novo (e chocante). Chega às minhas mãos esse “O Diário de Helga”, e a primeira coisa que me veio à mente foi O Diário de Anne Frank, que não li.

Não comecei muito empolgado, mas esvaziei-me de qualquer preconceito, de qualquer saturação com o tema, para aproveitar o livro pelo que ele traz, não pelo que minha mente traz de maneira pré-concebida.

O livro é o “relato de uma menina sobre a vida em um campo de concentração”, informação que consta na capa. A contracapa acrescenta: “Das 15.000 crianças que foram para o campo de concentração de Terezín, calcula-se que apenas 100 estavam vivas no final da guerra. Helga Weiss foi uma delas. Seu diário inédito, escrito entre 1938 e 1945, revela como uma menina conseguiu sobreviver ao Holocausto”.

Nascida em 1929, Helga era uma menina entrando na adolescência quando a guerra começou. Ela vivia em Praga com seus pais, e é aí que começa a primeira parte do diário, que também contempla o período em que ela viveu no campo de concentração de Terezín, além de suas passagens por Auschwitz, Freiberg, Mauthausen e seu retorno a Praga.

Helga - Desenho 1

Quando começa seu diário, fica clara a inocência de Helga em relação a boa parte do que se passa no mundo, mas também é evidente a sua inteligência e curiosidade. Nesta primeira parte o destaque é como se dá a transição de uma vida quase normal, afetada tangencialmente pela guerra, até a completa imersão no inferno nazista. Os primeiros sinais são as fugas para os porões por medo de ataques aéreos, os pais sempre atentos às notícias do rádio, o clima de tristeza e apreensão na escola quando se soube que o exército alemão invadiu a Tchecoslováquia. Logo que o Reich alemão assume a situação, o antissemitismo começa a crescer, e ordens antijudaicas não tardam a aparecer. Da proibição do acesso de alguns lugares públicos aos judeus até o envio para campos de concentração não demora muito.

Helga - Desenho 2

Boa parte da primeira parte é ocupada pela apreensão da pequena Helga com o momento em que chegará a inevitável notícia do transporte da sua família, que nada mais é do que a transferência para um campo de concentração. Helga narra a viagem de trem, que é demorada, e começa a perceber que sua vida não será nada fácil.

A segunda parte do diário narra o período em que eles estiveram em Terezín, que era tido como um “campo de concentração modelo”. Isso não significa, naturalmente, que eles não tiveram seu quinhão de sofrimento. As coisas vão piorando com o tempo. Quando chega o Natal, Helga, que vive com sua mãe na ala feminina, narra sua tristeza pelo fato de seu pai, que vive do outro lado do campo, na ala masculina, não ter conseguido manipular o sistema e vir vê-las. Comecei a ficar fã desse homem quando li isso:

“É véspera de Natal. Que pena, seria mais saboroso se estivéssemos juntos. Esperamos em vão até escurecer. Poderíamos adivinhar que meu pai não viria. Ele não sabe manipular o sistema. É preciso molhar algumas mãos, mas meu pai não combina com mãos molhadas.”

ILUSTRACAO-HELGA WEISS, PAO EM CARROS FUNEBRES

À medida que o tempo passa, as coisas pioram. Aqui cabe uma das passagens mais marcantes do diário:

“Todos os carros fúnebres estão em uso. Pela primeira vez levam uma carga viva. E, no entanto, não poderia ser mais apropriado. Aonde esses destroços de seres humanos irão? Onde serão jogados seus corpos? Ninguém chorará por eles, ninguém lamentará sua morte. Até que, um dia, sejam mencionados em nossos livros escolares. Aí, o único título apropriado será: ‘Enterrados vivos’”.

Um dos momentos mais difíceis para Helga e sua mãe em Terezín foi a partida de seu pai para outro campo de concentração, provavelmente Auschwitz:

“Meu pai está pronto. Ele provavelmente não precisaria ir; poderia ser remanejado. Poderia se safar, mas não seria ele. ‘Pedir por mim? Cinco mil irão, por que eu não deveria ir também? Alguém precisaria ir no meu lugar’”.

Aí, definitivamente, fiquei fã do pai de Helga.

Helga - Desenho 4

O diário segue e Helga vai narrando com detalhes seu cotidiano, suas pequenas lutas, destacando sempre que ela não se permitia “frescuras”. Não importava quão ruim ou intragável era a comida, se aparecia a chance de comer, ela comia. Precisava ser pragmática, forte, resistente. Rezava sempre para que se acontecesse de morrer, que sua mãe morresse junto. Não suportaria saber que ficaria só ou que a deixaria só. Ela e sua mãe passam fome, adoecem, são maltratadas, passam frio, são transportadas de um lugar para o outro e seu sofrimento aumenta ainda mais – o que sequer parece possível – quando vão para Auschwitz. Há momentos em que ela chega a pensar no suicídio, mas o amor por sua mãe fala mais alto.

Sempre mantendo viva a esperança de reencontrar seu pai, ela divaga assim em certo momento:

“Minha parte preferida no dia é quando voltamos ao pátio de trabalho. Os especialistas ainda não retornaram do jantar e as luzes estão apagadas. Sara nos manda para o trabalho cedo, sem a menor necessidade. Eu sempre subo ao topo do andaime para ficar sozinha por alguns minutos. É o único momento do dia em que não vejo outras pessoas… Papai e eu prometemos que sempre pensaríamos um no outro às sete da noite. Não é possível no meio da confusão, do aperto e do barulho da refeição. Então penso nele meia hora depois. Talvez meu pai também não tenha tempo às sete em ponto. Talvez esteja dormindo após o turno do dia, ou começando a trabalhar, ou talvez tenha um intervalo exatamente na mesma hora e esteja pensando em nós.”

Apesar de o diário não ser em sua totalidade um diário – Helga escreveu boa parte dele nos anos que se seguiram ao fim da guerra – é tudo muito vívido e real. Helga, que é uma artista, uma talentosíssima pintora, deixa transparecer sua imensa sensibilidade também no seu texto.

Encerro com uma pergunta feita a Helga Weiss em 1º de dezembro de 2011 por Neil Bermel, que é uma pergunta que me fiz antes de iniciar a leitura do diário:

Por que deveríamos ler mais um relato sobre o Holocausto?

Resposta de Helga: Principalmente por ser verdadeiro. Coloquei nele meus sentimentos, esses sentimentos são intensos, comoventes e principalmente verdadeiros. E, talvez, por ser narrado naquela forma um pouco infantil, é acessível, expressivo, e creio que ajudará as pessoas a entender aqueles tempos.

Ah! Esses desenhos ao longo do post são de autoria da própria Helga, ainda no campo de concentração. Ao fazer um desenho e mostrá-lo ao seu pai, ele disse a Helga: Desenhe tudo que você vir!

O Diário de Helga é uma leitura tocante e recomendável sob todos os aspectos.

Minha Avaliação:

5 estrelas em 5.

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

Vamos refletir sobre o que nos conta

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2021-03-14 00:00

Holocausto, Segunda Guerra Mundial, Campos de concentração, Literatura de testemunho, Condição humana

Castanhos Quentes Citação Inspiradora Outono Pos

Ao contrário do que tenho feito com outros livros - mas à semelhança do que fiz com 'Vozes de Chernobyl', de Svetlana Alexievich - desta vez não vou tecer a minha opinião sobre o livro 'Se Isto é Um Homem', pois a obra é tão realista, tão profunda e tão dura que as frases que selecionei falam por si.

Vou apenas acrescentar que este foi o melhor livro que li sobre os campos de concentração nazis, pois foi o primeiro que li que realmente mostra o lado humano dos prisioneiros: como eles se sentem, como eles se veem uns aos outros, qual a representação que têm deles próprios naquele inferno em comparação com aquilo que costumavam ser e sentir.

Leiam os excetos que retirem e sintam a profundidade dos mesmos. Reflitam. Não se esqueçam. Passem a palavra. Uma barbárie destas não pode, jamais, ser esquecida.

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“Nenhum dos guardas teve a coragem de ir ver o que é que faziam os homens quando sabiam que iam morrer”

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“Não há espelhos para noss vermos, mas o nosso aspeto está diante de nós, refletido em 100 rostos miseráveis e sórdidos”

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“O meu próprio corpo já não me pertence: tenho o ventre inchado e os membros emagrecidos; o rosto inchado de manhã e encovado à noite; alguns entre nós têm a pele amarela, outros cinzenta; quando ficamos sem nos ver por três ou quatro dias, temos dificuldade em reconhecer-nos”

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“Porque o Lager [o campo de concentração] é uma grande máquina para nos reduzir a animais, nos não devemos tornar-nos animais; neste lugar também se pode sobreviver e por isso é preciso querer sobreviver, para contar, para testemunhar”

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“Não se deve sonhar: o momento da consciência que acompanha o acordar é o sofrimento mais intenso. Mas não nos acontece muitas vezes e os sonhos não duram muito tempo: mais não somos do que animais cansados”

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“Os alemães conseguiram: são 10 mil [os prisioneiros] e são uma única máquina cinzenta; estão perfeitamente dominados, não pensam e não têm vontade, marcham”

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“Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para o mundo, juntamente com a marca gravada na carne, a terrível notícia do que, em Auschtwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem”

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“Se pudéssemos chorar! Se pudéssemos enfrentar o vento como fazíamos outrora, de igual para igual, não como aqui, como vermes sem alma”

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“Verifica-se que existem entre os homens duas classes particularmente bem distintas: os que se salvam e os que sucumbem”

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“Muitíssimos foram os caminhos por nós inventados e praticados para não morrer: tantos quanto são os caracteres humanos”

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“Sobreviver sem renunciar a nada do seu mundo moral a não ser por poderosas e dietas intervenções da sorte. Só foi concedido a pouquíssimos indivíduos superiores com vocação de mártires e de santos”

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“Aqui no Lager não há criminosos nem loucos: não há criminosos porque não há lei moral à qual desobedecer; não há loucos, porque somos determinados e cada ação nossa é, naquele momento e naquele lugar, sensivelmente a única possível”

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“Esperar agrada-nos. Enquanto se espera, o tempo avança sem sobressaltos, sem termos de intervir para o fazer avançar; pelo contrário, quando se trabalha cada minuto percorre-nos com fadiga e tem de ser expulso com muito esforço. Por isso, é sempre agradável esperar durante horas com a completa e obtusa inércia das aranhas nas velhas teias”

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“Para nós era proibido o acesso aos abrigos blindados. Quando a terra começava a tremer, arrastávamo-nos, atordoados e coxeando, através dos fumos corrosivos dos gases até às amplas áreas ínclitas, sórdidas e estéreis. Ali jazíamos inertes, amontoados uns em cima dos outros como mortos e todavia sensíveis à momentânea doçura dos membros em repouso”

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“Um operário civil italiano trouxe-me um bocado de pão e os restos do seu rancho todos os dias durante seis meses; ofereceu-me uma camisola sua cheia de remendos; escreveu por mim um postal para Itália e fez-me chegar a resposta. Por tudo isto, não pediu nem aceitou alguma compensação, porque era bom e simples, e não achava que o bem devesse fazer-se para obter compensações”

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“Creio que devo a Lorenzo o facto de estar vivo hoje; não tanto pela sua ajuda lateral, quanto por me ter constantemente lembrado com a sua presença, com a sua maneira tão linear e fácil de ser bom, que ainda existia um mundo justo para além do nosso, algo ou alguém ainda puro e incontaminado, não corrupto e não selvagem, alheio ao ódio e ao medo”

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“Já não sou bastante vivo para ser capaz de pôr termo à minha vida”

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“Destruir o homem é difícil, quase tanto como criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os alemães conseguiram-no. Desfilamos dóceis debaixo dos seus olhares: da nossa parte nada mais têm a recear: nem atos de revolta, nem palavras de desafio, nem sequer um olhar de condenação"

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Resenha: O rouxinol – Kristin Hannah.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2016-05-12 15:04

Segunda Guerra Mundial, Nazismo, Ficção histórica, Literatura feminina, Resenha literária

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2015

Edit. Arqueiro – 2015 – Ficção americana – 425 páginas – Nota 5♥♥♥♥♥.

Bom dia,

Muito feliz de poder falar sobre esse livro que amei. O comprei porque adorei a capa, o título e já conhecia a escritora. Já li um livro dela, em 2015, nota 3, chamado Jardim de Inverno, sendo um presente que dei para minha mãe. (Ah, adoro presentear com livros, pois usufruo do presente também, hahaha) e gostei. A capa é linda e delicada. Algo como conseguir ver beleza no obscuro. Em meio à tempestade, nublado e triste, enxergar além, as formas secundárias, o desfocado. Sempre há um pássaro livre e alheio à feiura. Ver além do vidro, do embaçado. O nítido de verdade é a essência (Filosofei sobre a capa). Se pudesse definir o livro em três palavras, seriam: CORAGEM, SOBREVIVÊNCIA e LIBERDADE. O livro tem tudo aquilo que aprecio em uma leitura: Tema de fundo da história: Nazismo. Adoro livros sobre o assunto e outros similares, sobre guerras e fatos históricos. Seguindo a linha de A menina que roubava livros e A garota que você deixou para trás. Além de histórico, amo livros de época, talvez pela curiosidade que surge quanto ao desconhecido, ficando por cargo de imaginar apenas. Outro ponto positivo são as emoções retratadas no livro e que afetam quem o lê. Fome, frio, solidão, abandono, morte, fuga, luta, tristeza, força, amor, dor, raiva, desesperança, raiva, conformismo, resiliência, amizade, ideais, injustiça, crueldade, escolhas, ética, moral, vida, dúvidas, reflexões. E não existe como fugir de se envolver na pesada e intensa história. Se manter absorta com tanta dor. Os absurdos cometidos em nome da guerra, homens matando uns aos outros em nome de algo irrealmente bom. Injustificável. Já as duas irmãs, não me permiti julgá-las, pois entendi seus motivos. Chego a conclusão de que histórias tristes me fascinam. Será um traço de minha personalidade? Me comovem e fazem refletir. O livro é narrado como duas partes. Nos dias atuais (não tão atual assim, 1995) em primeira pessoa por uma das irmãs, narrando como se fossem lembranças. E a segunda parte acontece entre 1939 a 1945 em terceira pessoa contando a história de Isabelle e Vianne, irmãs. A história se passa na França, em Paris e Carriveau durante o período da segunda guerra mundial e de Hitler tentando dominar o mundo. Há semelhanças nítidas com o primeiro livro que li da autora, que contava a história de uma mãe já bem envelhecida e sua aparente falta de amor pelas duas filhas nos dias atuais e que começava a contar a elas tudo o que enfrentou entre 1939 e 1945 na Polônia. Só que O Rouxinol é bem melhor, no meu conceito, porque me prendeu desde o começo. Segue o mesmo padrão, como tema terrível, o nazismo. O assunto central na verdade pra mim seria “as mulheres e a guerra”. Após a leitura, acredito que eu seria a Vianne, que ganha força no decorrer da história, mas que eu gostaria de ser Isabelle. A história é contada por uma das irmãs, mas só no final se descobre qual (eu acertei desde o início). O livro tem tantos acontecimentos que fica impossível fazer um resumo dele. Ainda porque atrapalharia se eu citasse fatos, acabando com o suspense que mantém o leitor pelas páginas. Outro ponto forte porque não cansa ou entendia o leitor um segundo sequer. Isabelle, fez tantos feitos inacreditáveis, salvando vidas assim como Vianne, cada uma à sua maneira, com suas prioridades particulares. E foram salvas por suas dolorosas escolhas. Tiveram o corpo violado e machucado, mas a alma se manteve intacta. Grandes corações e as páginas finais foram emocionantes. O livro é detalhista, na medida exata, os personagens secundários são cativantes e peculiares, cada um acrescentando valor à leitura. Encontrei alguns erros na escrita, mas nada que comprometesse o texto. Minha alma feminista percebe como as mulheres nunca foram reconhecidas por seus nobres atos. Sempre precisaram lutar, a maioria sem armas e sem a glória destinada apenas aos homens. Nunca colheram os frutos por sua coragem e amor. Espero pela próxima publicação desta autora que se tornou uma das minhas queridinhas!

Beijos e até Sábado.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Depois dos nazis, os russos e ainda os erros históricos - Book Stories 2.0

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2020-10-18 00:00

Holocausto, Campos de concentração, Goulags, Resiliência, Polêmicas literárias, História do século XX

📸Peter Tóth por Pixabay ‘A Coragem de Cilka’, escrita por Heather Morris, foi publicado pela Editorial Presença em 2020.Sinopse:Em 1942, com apenas 16 anos, Cilka Klein é levada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. O comandante do campo, Johann Schwarzhuber, sente-se de imediato atraído pela beleza dos seus longos cabelos e decide separá-la das outras prisioneiras. Cilka depressa aprende que o poder pode ditar a sobrevivência.Após a libertação, Cilka acaba por ser condenada pelos russos por ter colaborado com os nazis e é enviada para Vorkuta, um desolado e horrendo campo de trabalhos forçados na Sibéria, no Círculo Polar Ártico. Inocente, mas de novo prisioneira, Cilka enfrenta novos desafios, igualmente aterradores, numa batalha diária pela sobrevivência. Trava amizade com uma médica de Vorkuta e aprende a cuidar dos prisioneiros doentes esforçando-se para tratar deles, sob condições inimagináveis. Mas é ao cuidar de um homem chamado Aleksandr que Cilka descobre que, apesar de tudo, ainda há espaço no seu coração para o amor.Baseado em factos conhecidos sobre o período em que Cilka Klein esteve detida em Auschwitz e nos testemunhos de prisioneiras nos campos de trabalhos forçados na Sibéria, A Coragem de Cilka é a continuação da narrativa do bestseller internacional O Tatuador de Auschwitz. É uma obra de cortar o fôlego, uma poderosa homenagem ao triunfo da resiliência, um romance que nos leva às lágrimas. Mas é também uma história que nos deixa estarrecidos e encorajados pela feroz determinação de uma mulher que, contra todas as probabilidades, sobreviveu.Opinião:Este livro é uma continuação de ‘O Tatuador de Auschwitz’ (cuja review podem ler aqui), mas tendo como personagem principal a jovem Cilka, a melhor amiga de Gita, a mulher de Lale (o tatuador).Logo nas primeiras páginas percebemos que depois de ser prisioneira em Auschwitz, onde foi violada continuamente por dois oficiais nazis, Cilka foi levada pelo exército russo como prisioneira para os campos de trabalho forçados (goulags) na Sibéria.O seu crime? Ter “dormido com o inimigo”Isto logo me fez pensar na História. O holocausto é responsabilidade única do regime nazi, isso é um facto indesmentível. No entanto, o regime estalinista também matou milhões pessoas nos seus campos de trabalho forçados, mas poucos são os que veem o regime comunista dessa forma. O que é uma pena e, acima de tudo, um encapotar de responsabilidades históricas, uma vez que continuam a existir partidos comunistas.Politiquices à parte, neste livro a autora conta-nos oito anos da vida de Cilka passados em Vorkut, para onde foi enviada após a libertação dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau.Ao longo do livro, Cilka foi-me impressionando por várias vezes, dada a sua força de viver, a sua vontade de continuar viva e, acima de tudo, a sua necessidade de ajudar as pessoas que a rodeavam. Muitas vezes dei comigo a pensar que eu teria desistido de viver ainda em Auschwitz.Um dos momentos que mais me marcou no livro foi quando Cilka teve a oportunidade de sair em liberdade, deixando Vorkut para trás, e, no entanto...[SPOILER ALERT]...deu o seu lugar a uma amiga para que esta deixasse o goulag com a sua bebé de dois anos.Quem, em que mundo, seria capaz de tal atitude altruísta?Tal como aconteceu com ‘O Tatuador de Auschwitz’, Heather Morris é um pouco trapalhona na descrição dos acontecimentos. O estilo deste livro mantém-se igual ao anterior e, portanto, as críticas também se mantêm.PolémicaHeather Morris e a produção dos seus dois livros está envolta em várias polémicas que se prendem com a autenticidade dos factos que relata.A família da sobrevivente do Holocausto, na qual a autora se baseou para contar a história de Gita, acusa-a - e ameaça agir judicialmente - de manchar o nome de Cecilia Kovachova com “mentiras devastadoras e ofensivas” com propósitos comerciais.Aliás, o enteado de Cecilia Kovachova garante que a madrasta nunca foi uma escrava sexual e que “não fez nenhuma das coisas que foram escritas por Morris".A instituição Memorial do Holocausto desaconselhou, inclusivamente, a leitura de 'O Tatuador de Auschwitz' por este conter demasiados erros históricos que em nada contribuem, e apenas afastam, as pessoas da realidade do que foram os campos de extermínio nazis.Posto isto, confesso que a minha avaliação acaba por ser também um pouco influenciada por esta questão. No entanto, acredito que para quem estas questões não são um problema e que, ou quer apenas ler uma boa história ou está a iniciar a sua compreensão do mundo dos campos de concentração estes livros podem servir de um pequeno incentivo, pois a realidade do que lá se passou é bem mais dura e cruel do que Heather Morris retrata.📖☝️ Pontos Positivos: foi a primeira vez que li a história de alguém que saiu dos campos nazis diretamente para os russos – e a verdade é que a diferença não era assim tão grande (só as câmaras de gás).👇 Pontos Negativos: A pobreza da escrita e a polémica com a família de Cecilia Kovachova⭐ Avaliação: 3 estrelas

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Resenha de Livros: A lista de Schindler – Thomas Keneally.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2016-07-27 13:21

Holocausto, Segunda Guerra Mundial, Biografia, Resenha literária, Nazismo

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BestBolso – 2016 – Holocausto/ Biografia – 531 páginas – Nota 4♥♥♥♥.

Livro escrito originalmente em 1982, após o autor se deparar com sobreviventes no Holocausto e se aprofundar no assunto, entrevistando muitas vítimas da época nazista que foram ajudados por Oskar Schindler. Sempre quis ler este livro, porque é um clássico da literatura, conhecido e aclamado pelo público. Sua adaptação memorável para o cinema por Steven Spielberg ganhou muitos Oscar´s pela produção de 1993, baseado no livro. Comprei pela edição de bolso (mais uma vez) e o tamanho pequeno quase engana em um primeiro momento achar que a leitura será rápida. Porém com 531 páginas e letras pequenas e pouco espaço para margem, as páginas são lentas. Não muito, graças à competência do autor em criar um romance em cima da biografia de Oscar, tendo como pano de fundo (e total influência) a época do Nazismo e do Holocausto. A narração é atraente e desenvolve bem os personagens. Escrito em terceira pessoa, poderia me desestimular, porém os diálogos misturados a narrativa não permitem que o livro se torne tedioso, embora na metade do livro eu tenha me desapegado um pouco do livro e até tenha lido outro durante essa leitura, mas acredito tratar-se do fato do livro ser denso e extenso mesmo e que seja normal. A narrativa é sobre a vida de Oskar durante o período de 1939 a 1944. O protagonista é um ser imperfeito e acho que isso que o torna tão interessante. Já li muitos livros sobre a história da Segunda Guerra Mundial, sobre o nazismo e Holocausto, mas nenhum nunca foi tão rico em detalhes como este. É realmente quase uma monografia em forma de romance. Muitos nomes e personagens, muitos acontecimentos trazendo ao livro o poder de ser quase um livro científico. Senti dificuldade em certas páginas, pois ele não segue uma ordem cronológica rigorosa, nos confundindo um pouco. Não digo que a leitura não tenha sido cansativa, mas vale muito a pena devido ao seu teor histórico e o detalhamento de toda a época trazendo conhecimento ao leitor. Não há censura, tão pouco sensacionalismo na narrativa o que é incrível. Triste, cruel e emocionante em muitos momentos, o livro é facilmente sentido.

“Schindler fundou a fábrica de utensílios de cozinha Emalia para enriquecer com a guerra. Nela empregou entre 1939 e 1944 muitas centenas de judeus. Era a sua força de trabalho, empregados especializados, mesmo que não o fossem, não deixavam de serem escravos. Pensou, durante algum tempo, que bastava aos seus judeus e aos outros manterem-se saudáveis para chegarem ao fim da guerra vivos. Percebeu que não, depois percebeu que iam morrer todos e usou o que ganhara com eles para salvar alguns. Mais de mil. Schindler escreveu os seus nomes numa lista e deu-lhes vida”

(FONTE: http://alistadeschindler.com/).

Típico fanfarrão, simpatizante do nazismo, rico, mas que pela sua extrema solidariedade para com o ser humano, é capaz de “perder” toda a sua fortuna, em prol de salvar mais de mil judeus dos campos de concentração. Não é nazista declarado e nem um militante pró judeus. Schindler usava a sua fortuna para comprar tudo que bem entendia: mulheres, bebida, bens, produtos no mercado negro, além de pessoas do alto escalão da Gestapo. Sendo retratado desta forma é fácil pensarmos em um ser egoísta, egocêntrico e mau. Porém, a realidade à sua volta, o torna uma pessoa generosa, corajosa e boa. Enfrentando o sistema de forma sutil e silenciosa.

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto o regime nazista enviava milhares de prisioneiros aos fornos de Auschwitz, o industrial alemão Oskar Schindler abrigava centenas de judeus em sua fábrica, de onde ele finalmente os transferia em segurança para a Tchecoslováquia. Um lugar na lista de Schindler significava a única chance de sobrevivência para um prisioneiro judeu. Oskar Schindler, o herói do Holocausto, é retratado de modo inédito e comovente pelo romancista Thomas Keneally, que passou dois anos entrevistando sobreviventes beneficiados por Schindler em sete países: Austrália, Israel, Alemanha Ocidental, Áustria, Estados Unidos, Argentina e Brasil. Escrito com paixão, mas também com absoluta fidelidade aos fatos, o autor realizou uma espantosa recriação de um episódio histórico, narrado com toda a ênfase de uma ficção.

Espero que gostem. Até!

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Resenha de Livros: Toda luz que não podemos ver – Anthony Doerr.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2016-12-16 09:30

Segunda Guerra Mundial, Ficção histórica, Resenha literária, Literatura estrangeira

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Intrínseca – 2015 – Ficção americana – 528 páginas – Nota 5♥♥♥♥♥.

Bom dia, leitores.

Nossa, que livro! Conheci através de sites literários e li ótimos comentários. Pesquisando sobre, descobri os diversos prêmios importantes que a obra recebeu. Ainda adorei o título, de uma pureza que fala com nossa alma. A capa é muito bonita e o enredo é o meu preferido, Segunda Guerra Mundial contada a partir do ponto de vista de jovens. Tudo perfeito. Devido ao volume do livro, só o li dentro de casa (carregar mais de quinhentas páginas na bolsa para cima e para baixo não é fácil), portanto demorei umas duas semanas para ler inteiro. E ainda assim, conseguiu me prender e me cativar. Letras pequenas, espaçamento pequeno, a leitura é devagar, porém a forma como os capítulos são colocados, facilita.

O livro traz a história de dois jovens de lados opostos. Marie-Laurie, uma menina cega de seis anos de idade que vive com o pai em Paris e Werner, um garoto alemão órfão, que vive em uma casa para crianças, sendo cuidado pela Frau Elena junto com sua irmã Jutta.

A história é dividida em três datas, começando em 1940, contando boa parte dos eventos ocorridos em 1943 a 1945, intercalando entre Marie e Werner em pequenos capítulos de duas a três paginas, o que me ajudou muito no fluxo da leitura e finaliza nos anos 2000.

Werner e Marie-Laurie são altamente cativantes, perceptivos e inteligentes. Marie é corajosa e bondosa, Werner também é bondoso, só lhe falta a coragem. Mas seu talento para consertar rádios é fascinante. A lealdade no coração dos dois é algo próprio de livros onde o locutor é uma criança. Mostra todas as dificuldades que eles enfrentam ao longo da Guerra, as mudanças de cidade e de condições de sobrevivência. Marie tem papel fundamental na libertação do país e Werner tem igualmente na libertação de uma pessoa. A narrativa do escritor é tão boa que eu me vi aflitiva em boa parte da história, querendo saber o que aconteceria a seguir com os personagens. Uma mistura de drama, suspense e romance, não no sentido visceral, homem e mulher, mas na forma amorosa com que a história é contada, ainda que sobre esse período histórico trágico. Importante lembrar que existe uma pedra preciosa chamada de Mar de Chamas que interliga as histórias. Também nos faz repensar em possíveis atitudes em situações extremas. Uma reavaliação. Eu verdadeiramente não consegui julgar os atos dos protagonistas, pois era totalmente entendível.

Existem personagens secundários como Madame Manec, Tio Etienne, Ruelle e o Papa de Marie, assim como Volkheimer e Frederik, por parte de Werner que são importantes, mas nada se compara a esses dois protagonistas que conquistaram meu coração. Ainda conta com um personagem que esbarra em ambas as histórias, Von Rumpel, e persegue um objetivo durante todo o livro. Momentos emocionantes também lhe esperam na parte final. Este é aquele tipo de livro que quando acaba, ficamos saudosistas. Recomendo demais.

Sinopse oficial: Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner  cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Beijos e até logo.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Em sua maior obra, ‘É isto um homem?’, Primo Levi oferece corajoso depoimento sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial

Por: Revista Fina

Fonte: Revista Fina | Publicado em: 2021-04-11 01:08

Holocausto, Segunda Guerra Mundial, Memórias, Sobrevivência, Dignidade Humana, Trauma

Imagem: reprodução

Das significantes mensagens passadas por Levi, a lição de que sempre há um “porém” no sofrimento que permeia os dias é a mais forte delas – mesmo que se esteja no limiar da morbidez.

Angélica Cigoli Frangella , Colaboração para a Fina

Primo Levi nos proporcionou muito mais que um livro. Com o título, “É isto um homem?”, nos impôs esse questionamento como um sussurro no peito que nos acompanha durante toda a leitura. Ao longo de poucas páginas que resumem meses de sofrimento, Levi nos guia por sua memória enquanto um judeu italiano aprisionado em Auschwitz durante o regime nazista. Detido nos dias finais de 1943, acompanhamos as barbáries pensadas principalmente com o intuito de desumanizar aqueles que estavam no campo de concentração. De cabelos raspados e com os nomes substituídos por números, agora eram apenas Algo. Judeus, homossexuais, presos políticos: independente do motivo de estarem ali, diante os olhos dos nazistas eram Coisas – ou animais, como apontado pelo autor. Levi, bem como os demais prisioneiros, não cederam a esse atentado:

“[…] justamente porque o Campo é uma grande engrenagem para nos transformar em animais, não devemos nos transformar em animais […] Sim, somos escravos, despojados de qualquer direito, expostos a qualquer injúria, destinados a uma morte quase certa, mas ainda nos resta uma opção. Devemos nos esforçar por defendê-la a todo custo, justamente porque é a última: a opção de recusar nosso consentimento. Portanto, devemos nos lavar, sim; ainda que sem sabão, com essa água suja e usando o casaco como toalha. Devemos engraxar os sapatos, não porque assim reza o regulamento, e sim por dignidade e alinho. Devemos marchar eretos, sem arrastar os pés, não em homenagem à disciplina prussiana, e sim para continuarmos vivos, para não começarmos a morrer.” (p. 55)

Ver um filme sobre o Holocausto é, em partes, bem diferente de ler um relato autobiográfico do ocorrido. Sempre nos deparamos com cenas acerca dos trabalhos exaustivos e que mostrem a violência da separação das famílias, por exemplo, mas e quanto a higiene desses homens? E se, por acaso, ficarem doentes, quem cuidará deles? E alguém, num ambiente tão agressivo como aquele, se importaria em cuidar? Para além da exaustão de uma tarde carregando ferro, tinham também de se preocupar em proteger seus poucos itens, como a colher com que tomavam sopa diariamente, evitando que fossem roubados por outro sujeito em desespero. Levi narra diversos episódios em que dormia com sua colher escondida, pois sem ela tampouco teria como tomar o líquido ralo que lhes serviam como única fonte de energia para aguentar os fadigosos dias no campo.

Mas há um aspecto que muito me emocionou durante a leitura: apesar de todos os pesares, a esperança estava morta, mas ainda havia uma ponta de sorte: “É estranho: de alguma maneira, sempre tem-se a impressão de ter sorte; de que alguma circunstância, ainda que insignificante, nos segure à beira do desespero, nos permita viver. Chove, mas não está ventando.”. Das significantes mensagens passadas por Levi, a lição de que sempre há um “porém” no sofrimento que permeia os dias é a mais forte delas – mesmo que se esteja no limiar da morbidez.

Terminar de ler É isto um homem? gera uma tristeza imensurável em nós, é verdade. Mas também é verdade que há uma alegria implícita, uma felicidade com estruturas diferentes que nos faz agradecer por Levi ter sido um homem tão corajoso. Apesar do inverno rigoroso, dos pés feridos, da fome insaciável, da escarlatina… Apesar do Campo, Levi teve a coragem de sobreviver e dar a nós esse tão duro depoimento. Se eu estivesse em frente a Levi, certamente eu pensaria É isto um homem – em forma de afirmação, pois certamente é assim que um homem se parece.

Infelizmente, como mostrado em algumas biografias do autor, Levi cometeu suicídio. Passada a guerra, ainda se tem de viver com o trauma.

A Segunda Guerra Mundial serve de pano de fundo, mas a barbárie não se esgotou ao final do livro. Que após essa dolorida leitura peguemos os jornais atuais, analisemos os fatos mais recentes e perpetuemos o questionamento e perplexidade de Primo Levi: esse homem que nos governa, é isto um homem?

ISTO É UM HOMEM?

PRIMO LEVI

VÁRIAS EDIÇÕES

Texto originalmente publicado em Revista Fina

'O Bloco das Crianças de Auschwitz' onde as crianças (afinal) não são a personagem principal - Book Stories 2.0

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2021-03-02 00:00

Holocausto, Campos de concentração, Auschwitz-Birkenau, Literatura autobiográfica, Experiência infantil na guerra, Vida em guetos

‘O Bloco das Crianças de Auschwitz’ foi publicado em 2019 pela Editorial PresençaOpiniãoEu gosto imenso de ler livros sobre os campos de concentração nazis, os guetos da resistência judia, mas este livro foi muito difícil para mim.Demorei praticamente um mês para o ler e não foi pelo número de páginas, mas, infelizmente, este livro não me cativou e, pior, deixou-me sem vontade ler rigorosamente nada.‘O Bloco das Crianças de Auschwitz’ é uma obra autobiográfica escrita por um dos sobreviventes durante a sua passagem pelo campo de concentração criado pelo regime nazi.Com este livro ficamos a conhecer melhor o bloco familiar existente dentro do enorme complexo Auschwitz-Birkenau e confesso que agora estou confusa porque quando visitei Auschwitz vi um bloco que era o das crianças e gostava de perceber se esse bloco é o que é aqui retratado – vou ter de investigar melhor.Mas falando sobre o livro. A narrativa não é fácil, pois no início são-nos apresentadas muitas personagens de uma só vez, o que nos obriga a fazer aquele puzzle mental do ‘quem é quem’. E o balde de água fria que é quando aquela personagem que já encaixámos num determinado ‘local’ da história afinal já está morta e tudo o que estávamos a ler era passado?!A primeira metade do livro é cansativa, porque há vários saltos entre o passado e o presente, um grande número de personagens apresentadas de uma só vez e exagerado número de descrições técnicas e logísticas – “com 396 buracos e duas valas paralelas que serviam para escoar o terreno lamacento”.Quando finalmente se percebe quem são as personagens principais, a história começa a ficar mais interessante, até porque passamos a conhecer também o seu passado – quem eram, de onde vinham, quais eram os seus sonhos.Este livro é também, à semelhança dos bons livros que existem sobre o tema, um grande murro no estômago que mostra a crueldade dos nazis para com os judeus, fossem pessoas doentes, idosas ou crianças.Mas não só. Este relato feito por quem viveu aquele horror mostra também como as vítimas se tornavam elas também agressoras. A forma como Julius Abeles morreu é a prova disso mesmo.Os campos de concentração eram uma amálgama de diferentes pessoas, com diferentes formas de estar na vida, variadas personalidades, mas com duas coisas em comum: a ausência de liberdade e a constante humilhação.Estavam expostos ao frio, à fome, ao constante fedor da decomposição, às úlceras purulentas das suas feridas e ao fumo agridoce que emanava das oferendas imoladas pelo fogo e que se enrolava em grinaldas sobre a paisagemEstas pessoas eram despojadas dos seus bens, das suas roupas, sendo obrigadas a permanecer nuas à frente de quem quer que fosse; estas pessoas eram humilhadas diretamente quando as tatuavam com números e lhes raspavam os cabelos e os pelos púbicos sem pudor; e indiretamente quando as obrigavam a negócios paralelos em que muitas vezes, em especial as mulheres, se prostituíam para terem o que comer e para terem o que dar de comer aos filhos que estavam com elas nos campos.A fome, a contínua fome, era também ela uma forma de humilhação. Como se sentiriam as pessoas que toda a vida tiveram sempre comida à mesa, ainda que não fosse abundante era o suficiente para saciar a fome e agora viam a sua alimentação reduzida a um pão rijo e uma sopa de beterraba que mais parecia água suja?No bloco das crianças a vida não era tão má como nos restantes blocos do enorme campo de concentração. A maioria das pessoas que ali vivia também ali trabalhava, mas as funções eram mais leves do que as dos restantes prisioneiros, pois não implicavam esforço físico exagerado.O mais importante deste livro, na minha ótica, é ter uma pequena noção de como as crianças passavam os seus dias: com que se entretinham, o que comiam, com que brincavam, como confraternizavam umas com as outras.Ainda não tinha lido nenhum livro que pormenorizasse a vida das crianças num campo nazi e que mostrasse como elas tinham a capacidade de se fazer abstrair do que se passava à sua volta, havendo também aqueles mais velhos que se revoltavam e se tornavam ‘moços de recados’ dos kapos (comandantes) dos campos.No entanto, pese embora o livro se chame ‘O Bloco das Crianças de Auschwitz’, o foco não são as crianças, mas sim os seus ‘professores’. Faltou explorar a visão infantil daquele lugar horrível.📖☝️Pontos Positivos: Dar a conhecer o bloco onde (sobre)viviam as crianças em Auschwitz👇 Pontos Negativos: O foco da trama não são as crianças; a narrativa inicial é confusa e desmotivante⭐ Avaliação: 3,5 estrelas

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Uma história de um amor nascido numa tragédia - Book Stories 2.0

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2020-09-29 00:00

Holocausto, Auschwitz-Birkenau, Segunda Guerra Mundial, Literatura, Histórias reais, Resenha literária

Book Stories, 28.09.20

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‘O Tatuador de Auschwitz’, escrito por Heather Morris, foi publicado pela Editorial Presença em 2018.

Sinopse:

Esta é a história assombrosa do tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto.

Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Ludwig (Lale) Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram A Lista de Schindler e O Rapaz do Pijama às Riscas, e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

Opinião

Já tinha lido várias coisas sobre Auschwitz, tal como já tinha visto os mais diversos filmes a este respeito.

No ano passado visitei o complexo Auschwitz-Birkenau e o choque foi tão grande que durante quase um ano não voltei a ler nada sobre o tema.

Aproveitei as férias para regressar aquele inferno. A primeira viagem foi através de ‘O Tatuador de Auschwitz’, da autoria de Heather Morris.

Esta não é apenas uma história de uma tragédia, nem uma história de amor: é uma história de amor nascida no meio de uma tragédia; é uma história de perseverança e solidariedade; é uma história que mostra como determinado contexto pode trazer ao de cima o pior de cada ser humano, mas ainda assim, também o melhor de cada um de nós.

Lale é um judeu que é enviado para Auschwitz onde se torna tatuador. O seu trabalho era tatuar números nos braços dos prisioneiros. Dito assim não parece nada de extraordinário, mas a verdade é que aqueles números resumiam aquelas pessoas. Os prisioneiros deixavam de ser pessoas e, para os alemães, eram apenas números.

E foi no decorrer das suas funções que conheceu Gita, o amor da sua vida, por quem fez tudo o que pôde e o que não pôde para melhorar a sua estadia no terrível campo de concentração, de trabalhos forçados, de prostituição forçada e de morte, de muita morte.

Mas não só. Lale arriscou também a sua vida para ajudar amigos que fez dentro do campo.

Por isso é que escrevi que esta é uma história de amor e de amizade, de solidariedade no sofrimento. É uma história de horror e uma história real, infelizmente.

Conclusão:

A análise a esta obra não é fácil. O tema merece cinco estrelas, naturalmente. Mas o estilo de escrita está longe de ser brilhante. A linguagem é simples e demasiado direta e, por vezes, falta algum nexo aos diálogos. Em determinados momentos senti que estava a ler a correr porque a ação passava demasiado depressa, o que faz com que a narrativa perca pormenores e todos sabemos como este tema é rico em detalhes, bons e maus.

Creio que se deve ao facto de ser o primeiro livro que a autora escreve, sendo também justificável com o facto de, inicialmente, esta história ter sido escrita, numa primeira versão, como argumento para um filme.

Ainda assim vale a pena a leitura para conhecermos Lale, Gita e Cilka. 

📖

☝️ Pontos Positivosa história ser quase um diário de Lale, uma vez que a autora conversou com o ex-prisioneiro que, ao longo de três anos, lhe contou o inferno que viveu

👇 Pontos Negativos: A pobreza da escrita

⭐ Avaliação: 3 estrelas (só mesmo por causa da escrita da autora)

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Resenha de Livro: O diário de Anne Frank – Anne Frank

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2016-01-22 01:29

Holocausto, Nazismo, Resenha literária, Reflexões sociais, Direitos humanos

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#Nota04♥♥♥♥

Boa noite pessoal, como é possível ver (na realidade, não ver hehe), essa semana mais li do que escrevi, bem, na verdade, só estou escrevendo agora. Conforme combinado, hoje é quinta-feira e tenho uma resenha prometida a fazer. Sempre tive vontade de ler esse livro por diversos motivos, sempre ouvi falar bem, é mundialmente conhecido e relata algo que gosto muito de ler sobre, a época do Holocausto. Já li outros livros sobre o tema e o acho comovente e profundo. Impactante e reflexivo. Ainda nos dias de hoje, me vejo questionando se a nossa sociedade já teria se livrado de ditadores como este. Se houvesse um Hitler, se a população brasileira o apoiaria e com grande tristeza, escrevo que acho que sim. Existem muitos “cidadãos do bem” que agem como o ditador, achando-se superior e totalmente convencidos de que seus direitos devem sobressair sobre os demais e ainda que as minorias do país devam se manter caladas e no patamar abaixo do seu. É vergonhoso e cruel, mas nossa sociedade ainda apedreja e lincha pessoas, deseja à morte de outras tantas e quer justiça a todo custo, uma justiça parcial, que só atenda seus interesses. Um desejo de vingança e um ódio permanente que me causam pavor. Pessoas preconceituosas a meu ver se equiparam ao pensamento de Hitler e se tivessem o poder que ele detinha, seguiriam seu manual meticulosamente.

O Diário de Anne Frank, no qual ela conta um pouco do seu passado “normal” de escola, amizades e brincadeiras e focando em seu período de vida desde 1942 até Agosto de 1944 (no qual o livro foi escrito), no Anexo secreto, um fundo de escritório no qual ela, seu pai, mãe e irmã com mais quatro pessoas se escondiam apenas por serem judeus, na Holanda que lutava contra a Alemanha na época de Hitler e o nazismo. Conta detalhadamente sobre as comidas, o dia a dia, seus estudos, leituras, tarefas, discussões e medos que enfrentava lá. Por ser uma menina tão nova, ela se mostra sagaz e muito inteligente. Usa uma linguagem totalmente apropriada como se fosse alguém bem mais velha e talvez o fosse psicologicamente após tudo o que passou. O que cativa é que a gente percebe sua própria mudança ao longo do livro. Suas aflições e descobertas que vão sendo narradas conforme acontecem. Pelo que sei da história do livro, ele foi revisto várias vezes ao longo dos anos e resumido, pois o diário oficial era imenso. Sei também que seu pai, quem tornou a publicação do livro possível, após sobreviver à época, removeu algumas partes que tratavam de seus sentimentos quanto à família e ao seu amigo/ amor. Ela desenvolve um sentimento por Peter, filho dos Van Dann, que vive escondido no mesmo lugar e narra sutilmente o descobrimento do amor. Ela mostra-se muito sincera e crua no que diz respeito ao seu relacionamento com a família, o que só seria possível se tratando de um diário, pois o relato é tão fiel que assusta. Ela não se dá bem com a família, talvez próprio da sua idade, mas a questão é que ela é tão inspiradora que nos vemos comprando a briga dela e a vontade que temos é protegê-la. Relata todos eles sendo capturados e levados aos campos de concentração em diferentes lugares. É uma menina esperta e madura que aos quinze anos tem gênio forte, senso de humor e opiniões no qual expõe tudo no diário, se tornando sua fiel e confidente amiga, que ela chama de Kitty. Você fica com vontade de que o livro nunca acabe e quer fazer parte da vida dela. A dica que deixo aqui para vocês é que deixem para ler o final do livro em um lugar tranquilo, pois a emoção é grande e eu quase passei vergonha.

Até breve 😉

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

O menino do pijama listrado – John Bayne

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2011-04-25 23:27

Literatura, Crítica literária, Holocausto, Nazismo, Maniqueísmo

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Um livro de sessão da tarde”. Essa foi a minha sentença ao término de Ponto de Impacto e O código Da Vinci, ambos do superestimado escritor norte-americano, Dan Brown. Conclusão tomada não somente pela simplicidade rasteira do texto, mas também pela “intenção desonesta” – proposital? – do escritor em fazer emocionar a partir de cenas aparentemente pensadas para as telonas. Será que deu para entender alguma coisa? E se deu, o que foi colocado aqui é, realmente, um problema? Pois bem, se esse tipo de escolha se repete aos montes com o “Marrom”, assim acontece, da mesma maneira – e quem sabe, mais enfadonha -, com o pequeno livro, O menino do pijama listrado.

O livro é narrado em primeira pessoa pela personagem Bruno, um menino de nove anos de idade que mora em Berlim com a sua família e que brinca com os mesmos três amigos. Todavia, logo no início do texto, o garoto tem a triste notícia de que eles – Gretel, sua irmã; Elza, mãe; Ralf, pai; e Maria, empregada – precisarão se mudar: da sua enorme casa na capital alemã, para uma pequena e sem graça residência próxima a um campo de concentração em Auschwitz.

Passado quase metade do livro, com muitas, mais muitas reclamações, frases estúpidas e tiradas extremamente inteligentes – que, em muitos casos, não condizem com a personagem; demonstrando, assim, muita incoerência do autor -, Bruno começa a entender um pouco mais sobre a sua família, sobre o trabalho do pai e a respeito do seu mais novo “melhor amigo para toda a vida” e dos vizinhos: o menino do pijama listrado, e todas as pessoas que vestem os mesmos trajes e que moram na “fazenda” do outro lado da cerca. E aqui está, para mim, a maior fragilidade desse romance: o relacionamento entre esses dois garotos de nove anos não cativa, não convence… É sem graça, deixei-me dizer logo!

Outro ponto também irritante são os momentos nos quais Boyne teima em repetir trechos do texto, para que nós leitores, a partir de então, comecemos a repetir e a rir, enquanto lemos, algumas “frases de efeito” ou expressões da personagem Bruno, como por exemplo: O “O” que ele faz com a boca quando está surpreso; “Caso perdido”, quando se refere à irmã; ou ainda, a respeito do quarto do Pai, onde é “proibido entrar em todos os momentos sem exceção”; temos o “Não era da conta de mais ninguém”, sobre as suas coisas que ficam escondidas no seu armário; os amigos “Karl, e Daniel e Mart”, entre tantos outras frases que se repetem, repetem…

 O que mais posso dizer, caro leitor?! Hummm, vejamos. O desfecho do livro. A pessoa precisa estar com o coração muito aberto e inocente a novas emoções para não deduzir, quase que de imediato, o que vai acontecer ao “ariano chinfrim” e ao “judeu listrado”, Shmuel.

Desculpem-me, estimados leitores e amantes desse livro, mas o autor é insuportavelmente maniqueísta. Chato. O livro é bonzinho/bonitinho demais. E outra, o tema “Holocausto” está chegando perto do seu saturamento (e não chegou ainda? Kkkkkk). Tenho plena consciência de que não dá para apagarmos a nódoa do nazismo da história da humanidade; todavia podemos escolher da melhor forma possível as histórias que queremos contar.

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

A menina que roubava livros

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2010-01-23 15:03

Literatura, Alemanha Nazista, Segunda Guerra Mundial, Natureza humana, Poder das palavras, Morte

Por Jôsi Ribeiro

Explorando os sentimentos, permeado de uma dose de psicologia, Markus Zusak nos conduz a quatro anos perturbadores na vida de uma garota que roubava livros. Ambientado em 1939, primordialmente, na Alemanha nazista, o livro retrata o ódio, as alegrias, a amizade e os sonhos construídos sob o céu rude de uma cidadezinha alemã. O fato inquietante, porém, residia na nossa narradora: a Morte. A menina lhe escapara três vezes, de modo que a própria ceifeira, de tão admirada, conta-nos as aventuras e desventuras de uma ladra de livros na pátria do nazismo.

O trem. Viajavam a Munique onde logo seriam entregues a pais de criação. A mãe de Liesel era comunista e seu pai, judeu. Era preciso dizer mais? Seu único irmão acabara de morrer, a seu lado. Liesel Meminger sai aparentemente ilesa de seu primeiro encontro com a Morte.  Uma coisa preta e retangular caíra do bolso do casaco do coveiro. O Manual do coveiro. Liesel desejou-o: era o começo de uma carreira ilustre.

O literato celebra nesse romance o poder da linguagem na Alemanha hitleriana. De um lado, o Führer dominando o mundo com palavras, alimentando uma nação de pensamentos cultivados com palavras. Do outro, Liesel Meminger furtando livros, provando que sua existência humana vale a pena. Palavras que constroem e destroem. No entanto, oculto nas entrelinhas, estava o amor caminhando na corda bamba em direção ao sol e manifestado no desejo comum de viver. De sobreviver.

Alterando a linearidade da narrativa e com reflexões intercaladas a esta, a Morte descreve personagens inesquecíveis. “Um punhado de bem. Um punhado de mal. Depois, é só misturar a água”. Essencialmente humanos. Parte de um panorama sombrio, eles tentam sobreviver à miséria unidos pelo medo iridescente da guerra. Inserindo histórias na história, entra em cena um lutador judeu em busca de proteção. A tarefa de esconder um judeu toma proporções epicamente perigosas, mas não o bastante para que os Hubermann, pais de criação de Liesel, não o chamassem à vida alicerçada na crueza proveniente da guerra.

Peça fundamental no enredo, Rudy Steiner é o melhor amigo de Liesel. Transbordando certa “fidelidade” à amiga, ele é o companheiro designado para seus furtos (executados principalmente na biblioteca do prefeito). Unidos pelas “artes da ladroagem”, Liesel e Rudy cimentaram por completo sua amizade. Nesse ínterim, a conversa dos projéteis fazia-se ouvir. Viver era o mais difícil. Nos breves momentos em que as pessoas conseguiam esquecer o que e quem as rodeava, nestes momentos elas conseguiam viver tocando um acordeão, jogando futebol, roubando livros.

Num dos episódios mais dolorosos da Humanidade, a tortura da sobrevivência. E mais adiante Liesel Meminger que se permite observar e compreender a natureza humana. Tecendo o panorama desta época sombria, Markus encanta o público com lirismo e ironia pontuados. Numa última nota da narradora: “Os seres humanos me assombram”. A própria Morte condói-se da miséria humana resultante da violência e da guerra. Sim, meus caros, a Morte tem coração. Mantenha a calma, ela é só um resultado. Quer vê-la? “Olhe no espelho”.

“Amei e odiei as palavras e espero tê-las usado direito.” (Liesel Meminger)

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

Ningún de nós ha volver, de Charlotte Delbo

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2022-04-13 15:27

Literatura do Holocausto, Memória, Testemunho, Auschwitz, Resistência francesa

Charlotte Delbo

Ningún de nós ha volver (tradución de Sergio Gómez Blanco)

Rinoceronte, Cangas do Morrazo, 138 páxinas, 16 €, 2022

Adóitanse considerar como textos claves da denominada literatura da Shoah, ou literatura do Holocausto ou, se se quer, volumes como Se isto é un home (1947), de Primo Levi; o Diario de Ana Frank -leo arestora o magnífico Despois do Diario de Anna Frank-; A especie humana (1947), de Robert Antelme e A noite (1958), de Elie Wiesel, estas dúas últimas “aínda” non traducidas á nosa lingua. Hai, con todo, unha longa listaxe de pezas narrativas de altura entre as que se atopa a que nos trae Rinoceronte da man do tradutor Sergio Gómez Blanco, que realizou un excelente traballo, como é Ningún de nós ha volver, de Charlotte Delbo.

Teño para min que este volume, considerándoo como documento literario testemuñal e de primeira man, é unha extraodinaria peza literaria que transmite a indignidade á que foron sometidas, especialmente, un continxente enorme de mulleres no campo de exterminio de Auschwitz da man dunha delas que logrou sobrevivir, aínda que probablemente nunha situación límite tal e como confesa. De feito, Delbo tivo que deixar vinte anos para decidir, en París, darlle forma literaria á súa traumática experiencia, persoal e colectiva. Ela fora deportada a Auschwitz-Birkenau en 1943, como integrante da Resistencia francesa, a carón de 230 mulleres das que tan só lograrían sobrevivir 49. 

E a forma que lle deu as evocacións da súa memoria -rescatadas coma se se tratase dun diario escrito aqueles días do holocausto- transmite, con transparencia, a indignidade á que foi, mais ben á que foron sometidas ela e as súas compañeiras, pois sempre latexa unha vontade de converter, a súa, nunha voz coral e, indiscutiblemente, vinculada coa sorte que correu xunto coas súas compañeiras.

Teño para min que un dos elementos máis singulares da proposta narrativa radica na adopción dunha perspectiva na que abraza a plasmación precisa, tamén sobria do vivido, coma se quixese distanciarse daquela terrible realidade cotiá que viviu. En ocasións semellan dolorosas, claro é, estampas arrincadas da memoria que non queren perderse en requilorios formalistas malia que non atope outra formulación que converter algúns acontecementos, algunhas vivencias, en discursos líricos, sempre conmovedores, que apelan á ignominia que supuxo aquel paso polo inferno. Imposible manterse indiferente diante dunha obra coma esta.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

Despois do diario de Anne Frank, de Bas von Benda-Beckmann

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2022-04-25 15:58

Holocausto, História, Anne Frank, Segunda Guerra Mundial, Memória histórica

Bas von Benda-Beckmann

Despois do diario de Anne Frank (tradución de María Alonso Seisdedos e Antón Vialle)

Faktoría K de Libros, Pontevedra, 448 páxinas, 20 €

En 2004 Faktoría K abordou a publicación do Diario de Ana Frank: libro reeditado en varias ocasións o que testemuña o interese que suscita ao longo dos anos este clásico. Resultaba natural, así pois, que o mesmo selo se responsabilizase da publicación dun volume que pescuda, coas ferramentas analíticas que proporciona tanto a historia oral como as fontes indirectas, no que ocorreu coas oito persoas agochadas na célebre Casa de atrás inmortalizadas no devandito libro. Desta maneira, o investigador neerlandés Bas von Benda-Beckmann dá conta do destino de todas elas, incluída a propia Anne Frank, e chega á nosa lingua grazas ao excelente traballo de tradución realizado a cargo de Antón Vialle e María Alonso Seisdedos.

É este un volume, así pois, que reconstrúe as experiencias daquelas oito persoas tras o seu arresto: agás o pai de Anne, Otto Frank, que conseguiu sobrevivir, un foi gaseado e o resto abandonáronse á súa sorte con graves doenzas, o que vén ser o mesmo. Asemade, deséñase unha visión panorámica das claves da política xenocida practicada polo nazismo e posibilita realizar un percorrido de dimensión colectiva que revela as dinámicas que deron forma á chamada die endlösung , isto é, a solución final. Velaquí unha revisión desta ignominia histórica que se traduciu na existencia dos campos de exterminio ou de concentración que van de Westerbork a Auschwitz, de Bergen-Belsen a Neuengamme, de Mauthausen a Ragunh. Territorios do horror, singularizados con trazos diferentes que foron destino tamén de persoas que lograron sobrevivir e ás que se acudiu para reclamar os seus valiosos testemuños orais sobre aquela experiencia. Non se esquece tampouco, por exemplo, reflectir tanto a relevancia centrada na vontade de resistir dos prisioneiros ou a existencia dos muselmann: aquelas persoas xa vencidas, exhaustas e derrotadas.

A edición enriquécese cun extenso corpo de notas e conta cun estimable corpus fotográfico e documental, en ocasións verdadeiramente estremecedor. Un libro comprometido coa causa da memoria e que, como se sinala no seu colofón, repara no Holocausto e nas súas vítimas pero non só desde a perspectiva da Historia pois asume a  relevancia que ten desde o punto de vista moral e humano.

Esta recensión publicouse na sección “Ex umbra in solem” do suplemento Fugas, La Voz de Galicia, o 22 de abril de 2022.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

O mundo en que vivín, de Ilse Losa

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2019-05-18 06:33

Holocausto, Memória, Literatura galega, Autobiografia, Identidade judaica

9788494984310Ilse Losa

O mundo en que vivín (tradución de Anxo Tarrío)

Hércules de Ediciones, 256 páxinas, 15 €, A Coruña, 2019

A lectura deste libro lembroume a visión de Shoah, o documental francés dirixido en 1985 por Claude Lanzmann no que entrevistaba a superviventes, testemuñas e perpetradores do Holocausto. Lembroumo porque, xustamente, O mundo en que vivín se articula como unha transparente achega literaria que desvela a fase anterior a cando todo estoupou.

Entendo como un acerto traer á lingua galega este libro -traducido con excelencia por Anxo Tarrío e cun limiar magnífico a cargo da profesora Ana Cristina Vasconcelos de Macedo- dunha escritora alemá como Ilsa Losa (1913-2006), que se refuxiou en Portugal en 1934 por causa da súa ascendencia xudía e onde se converteu nunha célebre autora de literatura infantil e tamén novelista para un público adulto ata a súa morte.

Apunta atinadamente a prologuista do libro que con este libro, e coa súa lectura, se cumpre o que se dá en chamar “o deber da memoria”, isto é, a obriga de non esquecer, de combater a amnesia e de impedir a reorganización das diversas  formas que adquire a intolerancia contra a dignidade humana. En efecto, Rose Frankfurter -unha sorte de alter-ego da autora- condúcenos polos fíos da memoria familiar con exquisita precisións e cun poderoso alento narrativo que posibilita desvelar as claves dun contexto histórico que alenta entre as consecuencias da primeira guerra mundial e o ascenso dos nazis ao poder. Mais este pano de fondo non oculta a lóxica esmagadora que exhibe unha nena que entende os silencios e que tamén avanza, imparablemente, cara á mocidade.

Rose narra, ás veces con sorprendente humor e ironía, como o mundo que a rodea cambia para nunca máis ser o mesmo: modifícase o entorno familiar, son novos os territorios nos que se vai instalando, desvélanse as diferenzas dos dogmas e das prácticas relixiosas e, sobre todo, constátase  o peso da hostilidade que ela percibe diante da súa orixe xudía mais, con todo, sempre resiste a felicidade evocada na memoria da neve que cae, no arrecendo dunhas mazás asadas, nun saboroso marmelo de amorodo.

Esta recensión publicouse nas páxinas do suplemento Fugas, de La Voz de Galicia, o 17 de maio de 2019.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

Resenha: O menino do pijama listrado – John Boyne.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2016-02-04 22:51

Holocausto, Nazismo, Segunda Guerra Mundial, Literatura infantojuvenil, Amizade

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Companhia das letras – 2007 – Literatura estrangeira – 186 páginas – Nota 4♥♥♥♥.

Noite de quinta-feira, conforme combinado, estou aqui para falar desse livro incrível. Não há como falarmos de livros sobre a história mundial, especificando o holocausto, na época do nazismo e não citar este livro. O li há alguns anos atrás, mas o carrego na mente até os dias atuais. Livro pequeno, muito rápido de ler e de fácil entendimento. Serve bem tanto para quem quer ler sobre essa temida época, como quem quer um bom livro de história. A capa do livro faz jus à história contada e ao título do livro. Muito conhecido e já comentado, é quase impossível não se apaixonar por Bruno. Devo dizer que o filme também é muito bom, mas como sempre, não supera a leitura. Aos mais sensíveis fica o aviso que o volume pode despertar lágrimas sem que você perceba e consiga fugir, pois ele toca-nos pela sua forma sutil e triste. A narrativa do livro é em terceira pessoa e o autor utiliza uma linguagem bem simples e básica.

História de um garoto, Bruno, de nove anos, filho de um general de Adolf Hitler na época do nazismo que nada conhece a tragédia que o cerca. Apenas sabe que por motivo de trabalho, seu pai e sua família, incluindo ele tiveram que mudar de cidade e habitar uma casa triste, isolada e sem nenhum atrativo. Como o garoto disposto que é, se vê entediado por não ter com o que e nem com quem brincar. Em uma das suas caminhadas a esmo, encontra Shmuel, um garoto da sua idade, que está de pijama listrado, assim como todas as outras pessoas que estão atrás da cerca que os separa. Aos poucos uma amizade linda ganha forma e ele ajuda como pode seu amigo. Apesar de sua inocência, ele percebe que não deve comentar com sua família sobre seu amigo. Shmuel se mostra um menino retraído com medo, que não tem coragem de contar às coisas que presencia ao amigo. Mas o sentimento entre eles é algo tão singelo que vai contra todas as suas diferenças que se torna único. A ingenuidade de Bruno é tão palpável e cruel com ele mesmo, porque embora o protagonista não tenha conhecimento do que está acontecendo, nós leitores o temos e a dor talvez seja essa. O final, ainda que vago, o que poderia causar dúvidas e desconforto na realidade é tão forte porque ainda sim, sabemos exatamente o fim. Particularmente é um assunto que me afeta muito, desde sempre e acredito que nunca deixarei de ficar perplexa e triste. Recomendo e muito!

Até a próxima Quinta-feira!

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Se isto é un home, de Primo Levi

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2019-02-09 16:03

Holocausto, Memória, Literatura Italiana, Resiliência, Auschwitz

Primo Levi

Se isto é un home (tradución de X. M. Garrido Vilariño)

Xerais, Vigo, 304 páxinas, 18 €, 2019

Se un libro que visitaches hai décadas pervive na memoria talvez se deba a que, polas causas que sexan, aquela lectura supuxo unha experiencia distinta que o fixo perdurable. Isto foi o que me aconteceu con Se isto é un home, de Primo Levi, vertido agora con excelencia á lingua galega polo profesor X.M. Garrido: unha das persoas que máis coñecementos posúe sobre o holocausto e que, con acerto, engade a esta edición un apéndice que recupera, en primeiro lugar, as respostas ás preguntas máis habituais que o propio Levi recolleu dos numerosos  encontros que mantivo co lectorado e, en segundo lugar, engade un epílogo verdadeiramente clave para comprender, en todas as dimensións, o libro e a traxectoria do seu autor.

Se isto é un home é unha novela, a meu entender, que mantén unha plena vixencia xa non só como documento memorialístico sobre unha das páxinas máis escuras e crueis da historia recente,  ao asomarse como é sabido ao relato das experiencias do propio Primo Levi e doutras persoas que sufriron as condicións de vida impostas polo nazismo no campo de concentración de Auschwitz-Birkenau, senón como testemuño dos límites de resistencia que pode, en ocasións, abrazar a condición humana sometida a un proceso de desposuimento, de negación e de sufrimento. É, daquela, Se isto é un home unha novela?, en boa parte si porque está escrita cos recursos da ficción mais  tamén é un crónica, esgazadora, que supera as fronteiras xenéricas, mesmo que supera a lectura testemuñal para converterse nun dos grandes libros do século XX. Imposible non renderse e conmoverse diante do exemplo de resiliencia que este libro simboliza: unha reacción honesta contra o aniquilamento que entendo como absolutamente necesario coñecer. O premio Nobel Imre Kertész, recluído naquel campo, dixo moi claramente que logo de Auschwitz “estamos máis sós”. Este libro recórdanolo de maneira tallante e nidia.

Esta recensión publicouse na sección “Ex umbra in solem” do suplemento Fugas, de La Voz de Galicia, o 8 de febreiro de 2019.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

Livro: A guerra que me ensinou a viver – Kimberly Brubaker Bradley.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2020-11-20 14:25

Segunda Guerra Mundial, Amadurecimento, Resiliência, Refugiados, Literatura Juvenil

Bom dia, leitores 🐎
Neste 2° #livro da duologia, vemos a Ada finalmente recuperando sua auto estima e crença no amor. Quando li o 1°, em Agosto, foi meu livro favorito do ano (resenhado aqui também). Este, apesar de não me cativar tanto quanto, foi uma #leitura fluída, onde os personagens são bem trabalhados, Ruth sendo a personagem com mais camadas, além da protagonista. E se passa durante a #segundaguerramundial, assunto que me atrai. #recomendo #dicasdelivros.

Após uma infância de maus-tratos, Ada finalmente recebe o cuidado que merece ao ter seu pé operado. Enquanto tenta se ajustar à sua nova realidade e superar os traumas do passado, ela se muda com Jamie, lady Thorton e Susan — agora sua guardiã legal — para um chalé em busca de um recomeço. Com a guerra se intensificando lá fora, as adversidades batem à porta: o racionamento de alimentos é uma preocupante realidade, e os sacrifícios que todos devem fazer em nome do confronto partem corações e deixam cicatrizes. Outra questão é a chegada de Ruth, uma garota judia e alemã, que gera uma comoção no chalé. Seria ela uma espiã disfarçada? Ou uma aliada em meio à calamidade? Uma narrativa carregada de sensibilidade. Seu registro historicamente preciso revela o conflito armado pela perspectiva de uma criança, além de lançar luz sobre a atual crise de refugiados, a maior desde a guerra de Hitler, que já obrigou milhões de pessoas a deixarem seus lares em busca de paz. Discutindo assuntos delicados com ternura, a autora guia o leitor por uma jornada que mostra a beleza dos pequenos gestos. E, ao revelar as camadas de seus personagens, apresenta uma história sobre amadurecimento e aceitação — principalmente para Ada, que precisa aprender a acreditar. Acreditar em sua família e em si mesma. Na resiliência que vem da dor. Na superação que vem do medo. Na empatia, que reacende a humanidade. E no amor, é claro. Em sua forma mais pura e sincera. Heroínas que salvam leitores pelo coração. Corajosa, justa e inteligente, Ada é realmente invencível.

#aguerraquemeensinouaviver
#kimberlybrubakerbradley #darksidebooks #2018 #ficcao #jovemadulto #literaturaestrangeira #notaquatro #books #leitora

Beijos e até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Livro: A guerra que salvou a minha vida – Kimberly Bradley.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2020-06-20 00:47

Segunda Guerra Mundial, Literatura infantojuvenil, Superação, Relações familiares, Resenha literária

Boa noite leitores,
Muito satisfeita em escrever sobre esse #livro porque foi o melhor que li este ano. #Leitura em #ebook bastante rápida. Do tipo em que você até consegue parar de ler, mas não quer. Ouvi ótimos comentários sobre, mas não sabia do que se tratava. E me surpreendeu o título. Como seria possível? E é. Comovente e forte. E lerei o segundo volume.
A #historia acontece durante a segunda guerra mundial, na Inglaterra. Dois irmãos, Ada e James, 10 e 07 anos que fogem para um lugar seguro, em dois sentidos. Dos bombardeios e da própria mãe. Carrasca e cruel. Susan, que os adota contra a própria vontade, lhes ensina a viver. Com cuidado, carinho e proteção. Um pônei e um gato ajudam a tornar a narrativa ainda mais bonita. Ada aprende que sua deficiência física não a impede de realizar seus desejos. James aprende que é possível viver sem medo. O mundo é bom. Os diálogos e principalmente, tudo aquilo que não é dito, mas sentido, trazem fluidez e profundidade. Indico sem pensar duas vezes. Mostrar a guerra através do olhar infantil sempre me emociona.

Ada nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.

#aguerraquesalvouaminhavida
#kimberlybrubakerbradley #darksidebooks #2017 #romanceingles #notacinco #favorito #leitora #lendo #drama #infantojuvenil #literaturaestrangeira

Beijos e até a próxima 📚🧡.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

"O rapaz do Pijama às Riscas"

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2025-02-03 00:00

Holocausto, Inocência infantil, Amizade, Segunda Guerra Mundial, Literatura

Este era um dos livros que eu tinha a aguardar para ler, assim que me fosse possível e, quando peguei nele, li-o em poucas horas...Bruno é um rapaz de nove anos que vive com os pais e com a irmã em Berlim. Um dia, é-lhe anunciado que irão mudar de casa, devido ao emprego do pai - um comandante que é destacado para Auschwitz. Bruno não entende nada do que se passa e não fica nada satisfeito por abandonar a sua casa e deixar os seus amigos. Mas aos poucos, começa a espreitar pela janela do quarto, na nova casa e, percebe, que há pessoas do lado de lá de uma vedação. Sem nada para fazer, começa a aproximar-se da vedação e é ali que conhece um menino como ele, Shmuel, que por coincidência faz anos exatamente no mesmo dia que ele. Os dois constroem uma relação de amizade, mas continuam separados por algo muito mais denso que a "simples" vedação que está entre os dois. Schmuel é judeu e Bruno é filho de um comandante nazi. Mas para os dois, nada disso interessa.Todas as pessoas que se encontram do lado de Schmuel têm algo em comum: todas usam todas um pijama às riscas. Os dois amigos conversam através da rede sempre que podem e desenvolvem uma forte amizade. Mas um dia, quando está quase a regressar a Berlim, Bruno aventura-se mais um pouco...O que mais impressiona neste livro é a forma como toda a situação é vista aos olhos de três crianças diferentes: Bruno, um menino inocente que designa o campo como "quase-vil" e o Fhurer, como "Fúria", sem saber o que está a acontecer mesmo ali ao seu lado; a irmã, um pouco mais velha e que começa aos poucos a entender que a vida é muito mais complicada do que a que assiste dentro da sua bolha protetora; e Schmuel, um menino judeu que se encontra preso no Campo de Auschwitz e que luta por sobreviver. Nenhum dos dois rapazes sabe o que é o ódio.John Boyne conta-nos uma história bem pesada, adoçada com a inocência da infância. Na verdade, seria difícil senão quase impossível algo do género ter acontecido. Nem Bruno, aos 9 anos, poderia ser tão inocente que não soubesse quem era Hittler, nem tão pouco os dois poderiam ficar a conversar tanto tempo sem ninguém ter dado conta. Mas o que aqui importa, é a mensagem subliminar que é passada. Um livro que, a ser explorado nas escolas, poderia despertar um interessante debate sobre o tema do Holocausto.

Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

Livro: A mala de Hana – Karen Levine.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2019-09-16 01:53

Segunda Guerra Mundial, Holocausto, Literatura infantojuvenil, Preconceito, História

Boa noite leitores,
Esse #livro veio parar em minhas mãos da melhor forma possível, um amigo recente achou que eu gostaria da história e me ofereceu emprestado.
E embora eu não tenho chorado, como outros leitores, pelo que eu soube, é um livro muito fofo. Sim, já disse outras vezes que a Segunda guerra mundial me atrai (veja bem, apenas em conhecimento, porque sou contra a guerra, ainda mais essa) e as histórias sobre o assunto que mais gosto são contadas pelo ponto de vista de crianças (há uma grande variedade desse tipo) porque como já expliquei algumas vezes, o olhar ingênuo sobre algo terrível torna a leitura menos indigesta.
Nesse relato biográfico sobre a história da Hana, uma menina judia, que vivia na Tchecoslováquia, hoje República Tcheca, teve sua infância marcada pelo nazismo e pelo holocausto. Seus pais são levados de casa e algum tempo depois, ela e seu irmão George também são intimados a embarcar para campos de concentração.
E a história dessa menina só foi descoberta em 2000, através de uma mala com seu nome, mostrada em Tókio, no Japão, o que levou a diretora do museu, Fumiko a começar a investigar o passado até descobrir a verdade, onde estaria Hana?
Com capítulos curtos, uma obra de poucas páginas, intercalando entre 1940 com Hana contando sua história e já em 2000 com Tomiko em busca de respostas, a #leituradeumdia é emocionante e dinâmica.
Recomendado para jovens e pré adolescentes, é uma boa opção de presente e poderia ser indicado nas escolas. A obra traz uma mensagem muito importante, como a própria Fumiko declara, ensinar as crianças o perigo do preconceito, da crueldade e da intolerância, para que a história não se repita. Ah, meu Brasil, é uma dica preciosa para nós.
#amaladehana #karenlevine #melhoramentos #2007 #literaturainfantojuvenil #notaquatro #hanassuitcase #lendo #leitora

Beijos e até a próxima 📚.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

Trágico, belo e profundo. Assim é 'A Bela Senhora Seidenman'

Por: author

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-06-25 06:57

Segunda Guerra Mundial, Holocausto, Literatura Polaca, Resenha Literária

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Trágico, belo e profundo, 'A Bela Senhora Seidenman', de Andrzej Azczypiorski, dá-nos a conhecer uma mulher e uma cidade num mundo em convulsão.
 
Em 1943, a cidade de Varsóvia encontra-se sob a ocupação nazi. 
Irma Seidenman é uma jovem viúva judia com dois atributos preciosos: cabelo loiro e olhos azuis.
 
São eles a delimitar a fronteira entre a sua vida e a sua morte. Com a ajuda de documentos falsos, consegue escapar ao gueto fazendo-se passar pela mulher de um oficial polaco, até ao dia em que é descoberta e entregue à Gestapo.
 
Seguem-se trinta e seis horas de detenção e um resgate no limite do impossível, que chega quando os últimos judeus da cidade enfrentam a morte num cenário de terror apocalíptico.
 
 
Nas ruas de Varsóvia, personagens tão reais que parecem saltar das páginas repetem as rotinas possíveis por entre o caos e o violento desenrolar da História.
 
As suas vozes acompanham-nos nesta caleidoscópica e inquietante viagem aos limites do amor, da abnegação e da crueldade.
 
Brilhante e oportuno, este romance foi internacionalmente aclamado pela crítica e pelo público aquando da sua publicação na década de 1980, e surge agora numa nova edição com introdução de Chimamanda Ngozi Adichie.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Livro: O tatuador de Auschwitz – Heather Morris.

Por: umapaixaochamadalivrosblog

Fonte: Umapaixaochamadalivrosblog | Publicado em: 2019-09-21 23:42

Holocausto, Segunda Guerra Mundial, Resiliência, História real, Literatura estrangeira

Boa noite leitores,
Mais um #livro sobre o #holocausto e mais uma vez por empréstimo de um amigo, nesta obra temos um enredo um pouco diferente. Mostrando que o amor floresce mesmo nos campos mais improdutivos. Fácil e rápido de ler, quem nos conta a história é Lale, um rapaz eslovaco que se sacrifica pela família indo para o campo de concentração de Auschwitz e Birkenau, judeu e cheio de sonhos, conhece Gita, uma jovem eslovaca. E se apaixonam. E fazem de tudo para permanecerem vivos. O mais incrível é que retrata uma história real, baseada em pessoas reais que descrevem as atrocidades cometidas ali. E que fazem o possível e o impensável para sobreviver.
Livros como esse me fazem repensar algumas coisas. O limite do certo e errado, os meios e os fins, o suportável e insuportável, o medo que move ou paralisa, a conivência ou a resiliência, a força braçal ou psiquica, a fome, a vaidade humana, como se manter inteiro, como voltar pra casa entre tantas questões. Nos faz sentir bobos por nossos problemas e dilemas tão pequenos.
Personagens secundários que contribuem para a dinâmica do livro e o personagem protagonista cativante me emocionaram.
Bem escrito e bem fluído, vale a #leitura.
Que amor verdadeiro!

#otatuadordeauschwitz #heathermorris #planeta #2018 #ficcaoinglesa #notacinco #leitora #dicadelivro #lendo #literaturaestrangeira

Beijos e até a próxima 📚.

Texto originalmente publicado em Umapaixaochamadalivrosblog

‘70072: A menina que não sabia odiar’ e que sobreviveu a 13 meses em Auschwitz

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-01-19 00:00

Holocausto, Auschwitz-Birkenau, Biografia, Segunda Guerra Mundial, História

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Lidia Maksymowicz tinha três anos quando, em dezembro de 1943, entrou com a mãe no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, onde foi marcada com o n.º 70072. Durante treze meses, sobreviveu àquele inferno como uma das pequenas cobaias de Josef Mengele, conhecido como o ‘Anjo da Morte’.

Em janeiro de 1945, após a libertação, sai de Auschwitz na companhia de uma mulher polaca, que decidiu adotar um dos órfãos deixados num local repleto de cadáveres. É na casa desta mulher que Lidia vive e cresce. No entanto, a pequena sobrevivente não esquece o seu nome nem a mãe biológica: não deixa de acreditar que a mãe está viva, nem de a procurar. E, de forma quase miraculosa, as duas irão reencontrar-se, dezassete anos depois.

Em 2021, Lidia Maksymowicz foi a Roma para a estreia de um documentário sobre a sua vida e, após cumprimentar o Papa Francisco, levantou a manga da camisa, mostrando ao Sumo Pontífice o número de inscrição com que havia sido marcada à entrada para o campo de concentração: 70072.

‘70072: A menina que não sabia odiar’, a biografia de Lidia Maksymowicz, a criança que passou mais tempo no campo de concentração Auschwitz-Birkenau, já se encontra em pré-venda e chega às livrarias a 26 de Janeiro, na véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Holocausto.

O prefácio é da autoria do próprio Papa Francisco.

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0

Novidade (73): Se isto é un home, de Primo Levi

Por: Ramón Nicolás

Fonte: Caderno da Crítica (em galego) | Publicado em: 2019-01-21 19:49

literatura, Holocausto, tradução, língua galega

Como unha moi feliz noticia entendo a aparición, en lingua galega, do célebre Se isto é un home, de Primo Levi, en tradución de Xoán Manuel Garrido Vilariño, responsable, asemade, dun interesante e completo epílogo que precede, ao mesmo tempo, un apéndice en que o propio Levi responde as preguntas máis recorrentes que ao longo de moitos anos se lle formularon sobre a súa experiencia vital e sobre o propio libro.

Garrido é unha das máximas autoridades galegas sobre o Holocausto e, talvez, unha das persoas máis acaídas para levar a cabo a tradución do que me parece un dos libros máis necesarios e estarrecedores sobre as consecuencias do antisemitismo nazi e da negación e exterminio do ser humano polo propio ser humano. Se isto é un home, particulamente un dos libros que máis pegada deixou en min como lector, é un libro de obrigada lectura ou relectura nestes tempos convulsos. Volverei a el máis amplamente en breve. Parabéns por esta iniciativa.

Texto originalmente publicado em Caderno da Crítica (em galego)

A Filha Esquecida

Por: author

Fonte: Leituras - Isaltina Martins | Publicado em: 2022-03-06 09:29

Segunda Guerra Mundial, Nazismo, Holocausto, Trauma, Crianças na guerra, Resiliência materna

Armando Lucas Correia, A Filha Esquecida, TOPSELLER, 2019, 301 páginas.

O horror da guerra e da perseguição nazi,  o sofrimento das crianças e o trauma que as perseguirá para a vida, estes os temas centrais desta narrativa de um tempo tenebroso, com o qual a humanidade parece não ter aprendido.

Aqui encontramos as hediondas perseguições aos judeus, a fuga e a não segurança, seja em que parte do mundo for. A obra mostra-nos como a crueldade humana não tem limites e como a obediência cega a um poder louco pode transformar o mais inocente ser num criminoso. Vemos o sofrimento das crianças, tornadas adultos sofredores depois de presenciarem o horror, e a coragem de uma mãe que tudo faz para salvar as suas filhas.

E o passado, adormecido, mas não esquecido, volta, muitos anos depois, para trazer à memória as dores e sofrimentos enterrados no mais fundo da alma.

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Texto originalmente publicado em Leituras - Isaltina Martins

Novidade – “Sem Destino” Imre Kertész

Fonte: Ministério dos Livros | Publicado em: 2025-01-23 12:45

Holocausto, Literatura húngara, Segunda Guerra Mundial, Identidade

O primeiro e mais lido romance do Prémio Nobel da Literatura narra o quotidiano em Auschwitz e Buchenwald pelos olhos de um rapaz adolescente.

Georg Koves tem quase 15 anos quando é arrancado de sua casa, em Budapeste, e posto num comboio para Auschwitz. No seu espírito e no seu coração, nada compreende sobre o que lhe está a acontecer. Sim, é judeu, mas raramente pensa em si como tal. Agora, ouve dos outros prisioneiros: «Tu não és judeu.» E ali está Georg, no campo que havíamos de conhecer por tremendos horrores, um rapaz judeu no meio de judeus, sentindo-se completamente excluído.

Porém, é esse lugar de não-pertença que permite ao rapaz que narra este livro ter um olhar diferente, agudo, sagaz sobre o que está a acontecer à sua volta. É esse isolamento que nos deixa ouvir a história que conta, procurando incessantemente dar sentido à barbárie, ver beleza no mais terrífico cenário, iluminar aquele mundo.

Texto originalmente publicado em Ministério dos Livros

"O Diário de Anne Frank"

Por: author

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2025-05-20 11:14

Literatura, Relatos históricos, Segunda Guerra Mundial, Releitura

A história, já é bem conhecida. O livro, acabei por o reler nos últimos dias, a propósito de ter encontrado a "versão definitiva," alguns aninhos depois de ter lido este "Diário" pela primeira vez. Impactou-me de forma diferente. Hoje, sei que o li com outros olhos e com um (...)

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Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

"O Carteiro de Auschwitz"

Por: author

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2025-05-06 21:07

Holocausto, Memórias, Segunda Guerra Mundial, Literatura

Joe Rosemblum conta-nos a sua história na primeira pessoa, descrevendo de forma crua, aquilo por que passou durante o Holocausto. Joe era apenas um adolescente, como qualquer outro, tendo apenas como caraterística especial ter nascido judeu, e um problema, conseguir sobreviver. (...)

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Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

"A bailarina de Auschwitz"

Por: author

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2025-08-06 12:49

Holocausto, Literatura, Superação, Campos de concentração

"A bailarina de Auschwitz" é mais do que uma história sobre campos de concentração. Aquilo que mais me surpreendeu, foi a forma como, mesmo depois de saber que Edith tinha sobrevivido e era ela própria a autora do livro, tremia perante a sensação de morte. Tal só é possível (...)

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Texto originalmente publicado em Elsa Filipe

"A Rapariga Polaca"

Por: author

Fonte: Elsa Filipe | Publicado em: 2025-08-01 07:40

Literatura, Guerra, Resenha de livro, História de vida

Malka Adler descreve-nos uma sala onde um grupo de convivas escuta atentamente a história de vida de Anna, uma mulher polaca que se vê sozinha com dois filhos num país em guerra. Ao seu lado está Danusha, uma menina que escuta a versão dos acontecimentos narrados pela mãe, mas (...)

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Texto originalmente publicado em Elsa Filipe