Gustave Flaubert

5 textos neste tema

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2011-07-01 17:29

Literatura, Técnica narrativa, Gustave Flaubert, Análise literária, Estilo cinematográfico na literatura

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Li mais rapidamente do que esperava este belíssimo romance francês. Quem me impulsionou a colocá-lo à frente de outros tantos que figuram na minha interminável lista de leitura foi James Wood, no seu livro Como funciona a ficção, que se derrama em elogios a Flaubert, chamando-o mais ou menos de fundador do romance moderno. Wood analisa diversas partes de A educação sentimental, abordando especialmente os aspectos técnicos do estilo indireto livro, do qual, segundo ele, Flaubert é o insuperável mestre.

Como não dispunha (e ainda não disponho, mas é uma questão de tempo) d’A educação sentimental e havia comprado em um sebo uma edição de 2002 de Madame Bovary, decidi ingressar no universo flaubertiano pelo seu maior clássico, o que não é meu hábito, como já escrevi por aqui umas duas vezes.

Pouco sabia sobre do que tratava o romance, além do fato de a protagonista ser uma adúltera e da célebre defesa de Flaubert. O tema do adultério não me atrai particularmente, de sorte que instintivamente li o romance mais concentrado em Flaubert do que em Carlos ou Ema Bovary (esses são os nomes da versão que li, traduzida por Enrico Corvisieri).

O livro trata justamente desse casal, ele um médico, ela uma jovem sonhadora e fútil, que está eternamente insatisfeita com a sua condição, seja ela qual for. Mais adiante abordarei aspectos da trama que conterão spoilers, mas quando aí chegar, alertá-los-ei.

Logo de início chamou a minha atenção o estilo magistral de Flaubert ao narrar. Nós somos ao mesmo tempo livres para imaginar, mas se nos detivermos bem (e James Wood alerta para estes “detalhes” que não são realmente detalhes) somos é reféns do que ele escolhe dar ênfase ou não, contar ou não. Para mim, uma das páginas mais bem escritas de todo o romance, neste sentido, é quando é narrada a morte da primeira esposa de Carlos (calma, isso ainda não é spoiler, está logo no início do romance). É um exemplo belíssimo de escolhas: ele passou diversas páginas narrando episódios corriqueiros que compunham um retrato de Heloísa. Depois, em um parágrafo, fazendo questão dizer que a situação ocorrera “oito dias depois” de uma certa discussão, narra com tanta austeridade e economia a morte dela que não pude deixar de me emocionar diante de tanto talento.

Mas não só de austeridade é feito esse romance. Pelo contrário, parece até um romance experimental, mas vindo na época da maturidade. Flaubert varia, muda o ritmo, usa de diferentes técnicas, entrega-se a diálogos rápidos, outras vezes a divagações filosóficas, algumas vezes prende-se a pequenas rusgas entre o padre e o farmacêutico, outras deixa-nos notar o coveiro desconfiando que lhe estão querendo roubar as batatas! É tal o controle dele sobre toda a situação, sobre toda a trama, que o envolvimento do leitor acaba sendo total. Eu estou ali. Ema Bovary existe, Léon existe, o caramanchão existe! Flaubert parece se limitar a passar adiante uma situação que realmente ocorreu e da qual ele teria sido testemunha ocular.

Mas aí ele novamente nos passa a perna e ao falar de alguns senhores importantes e imponentes, assim se expressa:

“Os que começavam a envelhecer pareciam jovens, ao passo que na fisionomia dos mais novos notava-se alguma coisa de maduro. No olhar indiferente flutuava a quietude de paixões diariamente saciadas; e, através das maneiras discretas, transparecia a brutalidade peculiar ao domínio de coisas fáceis, nas quais a força se exercita e a vaidade se satisfaz; governar cavalos de raça e conviver com mulheres perdidas.”

Que período! Dá quase para ouvi-lo inverter essa última frase!

Ao descrever Ema, em um dos seus acessos de espiritualidade, ele mostra toda a sua capacidade e, em um pequeno parágrafo mostra o abismo que separa os grandes dos medíocres:

“Os burgueses admiravam-lhe a economia; os clientes, a polidez; os pobres, a caridade. Ela, porém, fremia de desejos, de raiva, de ódio. Aquele vestido de pregas simples escondia um coração revoltado, e aqueles lábios tão pudicos nada revelavam de seu íntimo tormento.”

Contudo, o que mais me impressionou é a linguagem muitas vezes escancaradamente cinematográfica de Flaubert, particularmente em três cenas que devem ter ficado perfeitas no cinema, já que há pelo menos três versões do filme, nenhuma das quais eu vi:

(e aqui entrarão spoilers, só avance se já leu o livro)

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1) A cena do comício, em que Rodolfo corteja Ema. São duas cenas ocorrendo simultaneamente – o discurso do subprefeito, entrecortado pelo diálogo tenso dos dois futuros amantes. Você não sabe para onde olhar (na verdade sabe, e até deixaria de ouvir o subprefeito discursar de bom grado apenas para ouvir os dois, mas Flaubert também sabe disso, e nos quer atento aos menores detalhes).

2) A cena da carruagem, com Léon e Ema e o passeio interminável. Absolutamente genial, do início ao fim. Parece ter realmente sido escrita para o cinema.

3) O almoço do doutor Larivière na casa do sr. Homais, com todas as escusas, a excitação, enquanto Ema está moribunda ali ao lado. Esta quebra de ritmo depois de tanta tensão, de tanto sofrimento, esta pausa para contemplarmos este sr. Homais que, desde a primeira vez que aparece quer ser o centro do universo é sublime… e cinematográfico.

Madame Bovary é um dos romances mais bem escritos que já li, não tenho a menor dúvida disso. Não foi o que mais me cativou pela história, que, a despeito da temática voltada para o adultério, face os castigos e humilhações enfrentados por Ema, soou bastante como uma história moral. É o apuro da técnica e a perfeição da forma que me fazem sentir privilegiado de tê-lo lido pela primeira vez. Não sei o que ocorrerá quando eu revisitá-lo.

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2010-03-11 22:35

Literatura, Realismo, Romantismo, Análise Literária, Vida e obra de Gustave Flaubert

Por Renata Déda

11/03/2010

Durante as aulas de literatura sobre as escolas literárias, é comum o professor citar várias obras e fazer sempre um pequeníssimo resumo das principais. E meu professor fazia isso. Eu ficava muito curiosa com algumas histórias, mas nunca me determinava a lê-las. Como nós estudamos mais as escolas literárias no Brasil, e o assunto sempre se inicia com a origem da escola fora do país, o professor citava algumas obras importantes que foram marcos para suas respectivas escolas. Destas, as que mais me chamaram a atenção foram “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, que imagino ser muito deprimente, então devo me preparar psicologicamente antes de ler, e Madame Bovary. Esta última obra eu encontrei numa ida à Biblioteca Pública Epifânio Dórea. Sabia que era um clássico, mas não lembrava em que escola literária estava inserida. Olhei no meu caderno e vi que o livro foi o marco do realismo na França. Como essa história de realismo, no começo, gerou muita polêmica, procurei na internet algo relacionado, e encontrei que a escrita rendeu a Flaubert um julgamento, no qual foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma “obra execrável sob o ponto de vista moral”. O autor, por sua vez, conseguiu ser absolvido com a frase histórica: “Madame Bovary sou eu”. Há uma crítica muito forte à Igreja, e também à burguesia, fato que incomodou muito em 1858, ao ser lançado o romance.

O livro é dividido em três partes. Essas partes não são denominadas, e como não encontrei nada a respeito, acredito que seja apenas por questão de organização. Estou ainda no final da primeira parte e já percebo que ler Flaubert está sendo um desafio para mim, pois não tenho ainda intimidade com os livros, e sua linguagem ainda é difícil, principalmente por ser demasiadamente romântica e antiga, em minha opinião, além de ter muitas palavras desconhecidas. Pelo que já li, percebe-se claramente a principal característica do realismo: a descrição minuciosa das coisas, além da anti-heroicização da mulher, que já se mostra na primeira esposa de Charles Bovary – uma mulher autoritária e controladora do seu marido.

Flaubert foi especialmente excepcional quando mesclou o romantismo de décadas atrás, que ele mesmo já fora adepto ao escrever “Novembro” (1842), à personagem principal. Emma carrega consigo uma história secreta cheia de sonhos e aventuras ao lado do seu príncipe amado, e um futuro coberto de insatisfações amorosas, adultério e suicídio. Um momento do livro que eu percebi como importante foi o baile na casa do Marquês d’Andervilliers. Emma já tinha um espírito aburguesado, mas no momento do baile, vendo todos aqueles vestidos, aquela fartura de comida, as conversas sobre lugares famosos, sentia uma vontade imensa de viver tudo aquilo, e seu passado no campo tirando leite da vaca era como se nunca tivesse existido em sua vida.

Resumindo rapidamente, o livro fala sobre a história de Emma, uma moça prendada demais para ter sido criado no campo, que se casa com Charles, um jovem médico viúvo. Antes do casamento sentia até certa alegria e excitação ao vê-lo, mas ao casar, mesmo ele sendo sempre devotado a sua esposa, ela perde a animação e fica constantemente entediada, o que a leva a cometer os adultérios que eu ainda não li.

A própria vida de Gustave Flaubert pode ser dividida entre a primeira fase do romantismo, quando, aos 15 anos, apaixona-se perdidamente por uma mulher casada e com filhos e o realismo, quando resolve dedicar-se apenas à literatura e esquecer o seu amor. E nesse momento de sua vida, inspirado por um caso real de adultério seguido de suicídio, faz nascer Madame Bovary.

Além do livro, há também dois filmes. Um de 1933, dirigido por Jean Renoir, e outro de 1949, dirigido por Vincente Minnelli.

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

Com tradução de Milton Hatoum e Samuel Titan Jr., ‘Três Contos’ volta às prateleiras em boa edição

Por: Giovana Proença

Fonte: Revista Fina | Publicado em: 2021-02-01 19:49

Literatura Francesa, Realismo, Gustave Flaubert, Crítica Literária, Contos

Três contos de Flaubert mostram outra face do escritor de Madame Bovary e renovam a beleza da narrativa breve francesa.

O autor Gustave Flaubert

Giovana Proença

Inovador e escandaloso, o nome de Gustave Flaubert é automaticamente associado a publicação de seu mais notório romance, Madame Bovary. Inaugurando o realismo na literatura, as aventuras de infidelidade de Emma Bovary chocaram a sociedade francesa e o livro foi acusado de atentar contra a moral. A força da obra, que levou ao surgimento do conceito de bovarismo, eclipsa outras faces literárias da produção do escritor. Três contos, publicado no Brasil pela Editora 34, ostenta uma nova peculiaridade da vastidão da escrita de Flaubert, apresentando um ideal de elevação da prosa em língua francesa em três belas narrativas.

O trio de contes de Flaubert são narrativas distintas, que transitam da antiguidade até os tempos contemporâneos do escritor. “Um coração simples” conta a jornada de Felicité, eterna disposta a depositar seu amor e serventia, porém as adversidades enfrentadas colocam em xeque a felicidade para qual o nome a destinou. “A Legenda de São Julião Hospitaleiro” é uma releitura da existência do santo em termos do Oedipus christianus, a figura trágica de Édipo reaproveitada em moldes cristãos. “Herodíade” apresenta as iguarias do banquete de Heródes em nova perspectiva do episódio bíblico.

Apesar das distinções nos enredamentos das tramas, noções relacionadas à santidade e a renovação de elementos da tradição cristã são recorrentes nos Três contos. A sacralização é discutida a partir da oposição e do acompanhamento com a brutalidade e as diferentes formas em que ela se manifesta. A humanização, a animalização e seus limites tênues também são colocados em questão por Flaubert, a presença dos animais repete-se em relações de amor e embate com a figura humana.

Para além do enredo, as nítidas descrições e os contornos que os objetos adquirem dentro dos Três Contos colaboram para a expressividades das estórias. A habilidade técnica de Flaubert na composição da prosa cria narradores vívidos, capazes de imprimir ritmo e estilo próprios para o desenrolar melodioso dos contos. Nada parece estar fora do lugar, conferindo harmonia, melhor adjetivo empregado para designar as narrativas reunidas pelo autor francês no volume.

A tradição da narrativa breve francesa, enraizada com La Fontaine e Charles Perrault, passando por contemporâneos como Guy de Maupassant, deve reservar um espaço especial para Gustave Flaubert e sua naturalidade ao vestir os diferentes ares de destacados narradores. Na edição brasileira, as cartas anexadas do autor nos oferece um vislumbre da confecção dos Trois contes. Expondo novas facetas de sua produção literária, Flaubert provoca nova transgressão aos moldes de Madame Bovary ao elevar o ofício de contista e a literatura francesa ao nouveau niveau.

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TÍTULO: Três Contos

AUTOR: Gustave Flaubert

EDITORA: Editora 34

ANO DE EDIÇÃO: 2019

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Publicado por Giovana Proença

Taubateana de 2000. É pesquisadora na área de Teoria Literária na USP. Tem textos sobre livros e literatura publicados em jornais como Rascunho, Estado de Minas e O Estado de S. Paulo Ver todos os posts de Giovana Proença

Texto originalmente publicado em Revista Fina

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Por: catalisecritica

Fonte: Catálise Crítica | Publicado em: 2011-02-18 15:37

Literatura, Fidelidade conjugal, Condição humana, Crítica social, Desejo versus razão, Papel da mulher na sociedade

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

A genialidade de Gustave Flaubert está em dar início e valor a algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por concluir com algo tão complexo que ninguém consiga entender.

Explorando os sentimentos e as necessidades mais íntimas das suas personagens – medíocres, diga-se de passagem -, permeando a narrativa com uma esmerada análise da condição humana, o literato apresenta-nos nesse romance o mais íntimo do ser humano: o andrajo da alma: o inevitável e inesgotável conflito entre o impulso ao desejo e a fragilidade da razão.

O romance conta a história de Charles Bovary, um médico interiorano, sem atrativos, comum, passivo, que, de tão apaixonado pela esposa, acaba por apresentar-se somente como uma figura patética, inofensiva e com ideias puramente formulaicas. Charles tem uma paixão: Emma. Uma mulher sonhadora “pequeno-burguesa”, que aprendeu a “entender” e ver a vida através da literatura. Bela, requintada e insaciável – para os padrões provincianos -, casa-se com Charles Bovary, com o qual tem uma filha.

Após cimentarem-se em uma confortável residência, o casal começa a conviver com o cotidiano: Charles medica ou bajula a esposa, enquanto que Emma lê ou sonha com uma vida aventureira. Ela não está feliz. Imaginem que segundo o autor: “A conversa de Charles era sem relevo como uma calçada e as ideias de todo o mundo nela desfilaram com seu traje comum, sem excitar emoções, riso ou devaneio (…) não sabia nadar, nem equitação, nem atirar pôde, um dia, explicar-lhe um termo de equitação que ela encontrara num romance”. (p.60)

Torturada por impulsos que a colocavam em guerra com algumas das mais “cruéis” convenções de nossa sociedade – dentre elas, a fidelidade conjugal – a bela Bovary cede, por fim, às tentações que lhes cruzaram o caminho. Elas – as tentações – têm nome: Léon e Rodolphe.

Detalhe: não pense você leitor que eles – as personagens que se aventuraram nesses relacionamentos extraconjugais – perderam de vista a seriedade de suas ações, como se tudo mão passasse de uma brincadeira momentânea. Não, em nenhum momento. A todo instante podemos perceber o medo através dos seus olhos; o pavor daquele espectro ceifador e juiz dos mortais: a própria consciência, impregnada de antigos valores românticos e tradicionais. Assim, um mero movimento, um efêmero gesto, um simples objeto eram mais do que suficientes para evocar as lembranças do adultério e suas possíveis consequências.

Tecendo um panorama de uma época em que as mulheres estavam terminantemente proibidas de expressar os seus mais íntimos desejos, na qual desconheciam a participação política e eram condicionadas/educadas para serem apenas “mulheres dos seus maridos”, Ema Bovary guiou-se para outro caminho. Viveu intensamente – na medida do possível, claro –  as paixões e aventuras humanas até não mais poder suportar o fardo das suas escolhas.

Ao mesmo tempo em que projetou Flaubert no meio literário, o livro também causou grandes problemas ao seu compositor. Após a sua publicação alguns trechos foram considerados por demais “picantes”, o que levou Flaubert aos tribunais, com a acusação de ter disseminado a “imoralidade” na sociedade francesa. Todavia, um ano depois, o autor foi julgado, absolvido e teve a obra publicada.

Não obstante ser um livro que respeite a sua época e trabalhe de forma precisa o seu “tempo presente“, Madame Bovary é um desses clássicos que descortinam horizontes inesperados ao leitor atual, e nos convidam ainda a refazer uma nova leitura.

Texto originalmente publicado em Catálise Crítica

A crítica em

Fonte: Book Stories 2.0 | Publicado em: 2023-03-17 00:00

Literatura, Realismo literário, Sociedade burguesa do século XIX, Crítica social, Madame Bovary

Book Stories, 18.03.23 Em ‘Madame Bovary’, de Gustave Flaubert, encontramos uma história de esperança, de expetativas e de uma busca falhada por um amor que só existe nos livros ao mesmo tempo que somos confrontados com a realidade de uma sociedade burguesa do século XIX.O autor começa por nos apresentar Charles Bovary, um médico que é casado, mas que acaba por se apaixonar pela filha de um seu paciente.Um ano depois fica viúvo e então decide pedir a jovem Ema em casamento, que logo aceita, sonhando com a vida de casada que leu nos romances de que tanto gostava.Porém, o casal muda-se para uma zona do interior e logo começam as deceções de Ema, cuja vontade era a de viver numa grande cidade. Esta vontade torna-se ainda mais vincada depois de ter sido convidada, juntamente com o marido, para um baile na mansão de um marquês.Ema vê então tudo aquilo que quer ter: vestidos, bailes, criados, amigas da alta sociedade. Enfim, a jovem encontra numa realidade que não é a sua aquilo que sempre leu nos livros.Ema e Charles eram como o dia e a noite: ele muito recatado, ela muito deslumbrada.Esta é então a primeira crítica feita pelo autor, uma crítica profunda aos valores fúteis da burguesia do século XIX em que tudo o que importava era apenas e somente as aparências. O amor era algo perfeitamente dispensável – pelo menos, à primeira vista. E, no entanto, era com o amor que as jovens mulheres sonhavam.Face a todo este descontentamento, Ema decide que precisa de emoção e paixão na sua vida, o que a leva a cometer adultério numa busca pelas emoções que tanto leu, mas que nunca vivenciou.Este livro é um importante marco na literatura da época, pois afasta-se do romantismo e é um dos inauguradores do realismo literário.As críticas à sociedade, aos valores que eram impostos à luz mas que eram deturpados à sombra, ao papel ditatorial da igreja valeram ao autor idas a tribunal.Ema é uma mulher sonhadora sempre em busca de mais e mais, o que a leva a perder a pequena fortuna gastando o seu dinheiro e o do marido em futilidades e com os seus amantes.O final é triste e trágico para ambos que não vão ser capazes de enfrentar, por um lado, as consequências dos seus atos, e, por outro, a cegueira provocada pelo amor e por uma personalidade paciente.Quem também tem um final infeliz é Berta, a filha do casal.✅ o retrato perfecionista de uma sociedade burguesa do século XIX❌ descrições demasiado extensas⭐ 4 « anteriorinícioseguinte »

Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0