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«O Natal é um dia de significados e tradições»

A alma deslumbrante do Natal é resultado dos detalhes que se repetem a cada novo ano e que dividimos, de peito aberto, com as nossas pessoas-casa. E eu fico sempre fascinada com esta dinâmica familiar, que prioriza momentos mais íntimos e partilhas muito particulares.

Os rituais que procuramos preservar ou acolher permitem acrescentar um novo capítulo à nossa história. E, embora cá em casa não tínhamos tradições surpreendentes, apaixona-me a certeza de estarmos envolvidos nesta sinergia; num elo próprio e especial. Ademais, vibro imenso com o facto de haver costumes transversais, ao mesmo tempo que outros estão colados à pele de cada lar. Portanto, valorizo muito os que me correm no coração, enriquecendo esta quadra com ainda mais cor.

Há um traço carismático que também abraça metamorfoses. Porque crescemos e adotamos novos métodos, adequando-os à nossa essência. Durante anos, fui eu a assumir a figura do Pai Natal, na altura de abrir os presentes, com os meus tios e os meus primos reunidos à mesa. Atualmente, o protagonista vai alternando. Por isso, acredito, as minhas tradições movem-se por chão seguro, com amor, descrevendo-me.

Decorações de Natal: Por mais apaixonada que seja, só montamos a árvore no dia 8 de dezembro. Esta passagem de testemunho, que vem do tempo da minha avó materna, mantém-nos conectados às memórias, àquela sensação de pertença acolhedora e às pessoas que, hoje, apenas têm morada no nosso coração. Por essa razão - e enquanto não fizer sentido outra data -, faço por continuar este costume. No futuro, não sei, mas, para já, é o que me deixa plena. Além disso, esta ocasião é perfeita para evidenciar todo o espírito de equipa que nos une, porque dividimos tarefas e estamos envolvidos para o mesmo fim. E é assim que, a seis mãos, a casa vai ficando vestida para a época.

Noite de Consoada: Não pode faltar o bacalhau cozido - que só me sabe realmente bem neste dia. A mesa cheia de conversa, animação, gargalhadas e partilha - mesmo quando repetimos algumas histórias pela milésima vez. E, no final, os presentes abrem-se à meia-noite, nem que, para isso, seja necessário fechar os olhos, fazendo o tempo voar.

Postais de Natal: Numa vertente mais pessoal, adoro escrever à mão e acho que um postal faz sempre a diferença, porque demonstra cuidado e lembrança. Nos últimos anos, fazia-o de uma forma bastante esporádica, mas era uma das tradições que mais queria recuperar. E, agora, tenho conseguido ser mais ativa neste objetivo, mimando um grupo de pessoas específicas, porque a blogosfera tem este dom de construir pontes.

Filmes, Mantas e Sofá: A minha relação com o cinema não é a mais sólida. No entanto, na noite e no dia de Natal, graças aos canais televisivos portugueses, reuniamo-nos para ver clássicos imperdíveis, como o Sozinho em Casa [que revejo todos os anos] e Harry Potter e a Pedra Filosofal [a RTP transmitia-o sempre e nós deixavamo-nos ficar no sofá, embalados por toda a magia e mistério associados ao argumento]. Entre conversas intermináveis e comentários mais irónicos, porque nem as adaptações cinematográficas têm força suficiente para nos manter em silêncio, aconchegamo-nos numa verdadeira onda de amor.

Biscoitos de Banana com Pepitas de Chocolate: No dia 24 de dezembro, a nossa cozinha parece um campo de batalha, onde os aromas assumem o protagonismo. Enquanto os meus pais se revezam na confeção dos doces mais tradicionais, eu divirto-me a preparar esta receita que encontrei, há uns anos, no blogue da Cê - Sem Jeito Nenhum.

Reunião Familiar: Esta é, muito provavelmente, a tradição mais óbvia. Mas é, também, a mais especial. Porque, para mim, o Natal tem que ser passado em família, mudando, apenas, a casa onde o celebramos. Tudo o resto pode nem sequer acontecer, mas esta reunião é obrigatória. E que sortuda sou por ainda ter a maioria dos lugares à mesa ocupados. Cresço imenso neste convívio. E não o trocava por nenhum outro.

Mensagens Temáticas: Tento sempre criar uma mensagem para enviar à minha família do coração. Uma vez que não podemos estar juntos, é uma maneira de encurtarmos as distâncias e estarmos presentes.

A Minha Bolha: A título individual, é nesta altura que aproveito para reler O Principezinho e O Quebra-Nozes - revendo, ainda, o filme desta última história. Por todo o caráter mágico que se funde nesta época natalíca. E por sentir que representam tudo aquilo em que acredito.

Que tradições mantêm presentes?