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Fotografia da minha autoria |
«Tua voz é meu alento»
A minha alma amanhece. E o meu peito pede a primeira fonte de energia: a música. Porque é assim que desperto, que me movimento e que me permito ser criativa, sentindo uma alternância de sensações indefinidas, mas decifráveis dentro de mim. Por isso, ligada a esta corrente, alimento a minha curiosidade e a minha vontade de explorar os meus artistas-casa, mas com a porta sempre entreaberta, para que novos nomes possam chegar. E acomodar-se neste coração hospedeiro.
Na semana passada, enquanto deambulava pelo twitter, cruzei-me com uma partilha da @pinto_bju que mencionava, e passo a citar, «Tainá é tanto de bom». Felizmente, anexou uma das canções. E eu apaixonei-me ao primeiro acorde. Porque senti uma paz imensa. E deixei-me ficar na sua companhia, escutando um álbum homónimo, de 2019, que é uma verdadeira obra de arte. É um pedaço de bondade. E um trilho poético que se cola à nossa pele. Sem perceber que o tempo avançava, senti-me a entrar numa bolha paralela. E limitei-me a estar presente, sem distrações, apenas a ouvir cada um dos seus temas e das suas mensagens. Durante 12 composições, não fui mais do que uma espectadora silenciosa, a renascer nas suas palavras, que transbordam uma cadência singular.
Tainá é natural de Nova Marabá. E tem uma doçura na voz que nos desarma. Neste primeiro disco, convida-nos a quebrar muros. A conhecer o[s] seu[s] mundo[s]. A conversar sobre receios, impulsos, solidão e desejos. Há um traço muito genuíno nas suas histórias, estabelecendo uma ponte para que nos sintamos mais perto. E, de facto, estamos, pois é tão simples identificarmo-nos com tudo aquilo que sente e que nos expõe. Contando com a presença de LEFT e de Janeiro, transportamo-nos para um cenário de contradições. De vulnerabilidade. De fé. De amor.
O talento é evidente. E a forma como comunica em ritmos e em silêncios é difícil de esquecer. Portanto, escutá-la é sentir que permanecemos em casa. De janelas abertas. Serenos. Para deixar a vida entrar.
