Fotografia da minha autoria «A multidão num grito só de todos nós» Os primeiros raios de sol envolveram-me com um jeito sereno. Mas o coração palpitava num ritmo acelerado, exteriorizando o nervoso miudinho tão inerente a determinados reencontros. Porque a certeza de voltar a uma casa especial, para além de toda a emoção agregada, é indescritível. Pela nostalgia. E por percebermos que também é nossa. Em frente à porta 12, enquanto validava o bilhete, senti um arrepio em sinal de pertença. E, de seguida, ao subir a escadaria que me levaria ao meu lugar, houve uma necessidade iminente de combater a comoção que se apoderou da minha alma. É que sou mesmo feliz no Dragão, a absorver toda a energia deste clube sem igual, que ocupa o lado esquerdo do meu peito por inteiro. Antes de começar o jogo, tive 45 minutos para matar as saudades. Para observar, em silêncio, cada recanto que se cola à minha identidade. E para recordar cada momento único que vivi naquele palco, em diferentes bancadas e fases da minha vida. E não pude, por isso mesmo, deixar de me sentir privilegiada. Porque tenho uma série de memórias grandiosas a marcar o meu percurso de adepta portista. Há 27 anos que este é o meu dialeto. E, desde 2003, este passou a ser o meu lar. E um impulsionador de emoções fortes. Sentada no lugar 49, da fila 46, a vista panorâmica relembrou-de de inúmeras metamorfoses. E invadiu-me de uma admiração infinita. Embora se cante que ser «portista é uma bênção que não se pode partilhar», é maravilhoso dividir este sentimento com quem sente na mesma intensidade audaz. O Hino não tardou a ecoar. A desarmar-me. E, a uma só voz, a pele eriçou-se. E foi mágico. Sou Filha do Dragão. É aqui que pertenço. E este amor, que também vive fora do peito, é um dos que mais me define. Há uma certa plenitude no ar. Porque, finalmente, regressei a casa ❤