O CAMPEÃO VOLTOU | Entre Margens
futebol português, identidade clubística, história do FC Porto, gestão de crises desportivas, cultura de superação desportiva
Fotografia da minha autoria«Como nós, um de nós»A poesia escrita nas entrelinhas de uma conquista é sempre emocionante. E emociona-me ainda mais quando, perante um caminho tão adverso, mas palmilhado com uma raça inigualável, a bandeira azul e branca esvoaça alto, encaminhando-nos para a glória e abrindo as portas para celebrar um novo título nacional - o trigésimo.Foi uma época desgastante - física e emocionalmente. Mas aprendemos, uma vez mais, a transformar os sobressaltos num motor de superação. E como foi belo este ultrapassar de muros que tentaram construir ao nosso redor, na tentativa de diminuir a nossa consistência. Não sou, de todo, apologista de destacar fatores externos, até porque acredito que a nossa identidade e a nossa competência devem falar mais alto que qualquer amarra, no entanto, foi inegável o desrespeito e a falta de profissionalismo, em vários momentos da competição, com o claro intuito de prejudicar uma só equipa. Há erros, claro, mas quando a intencionalidade se torna evidente, é difícil acreditar em coincidências. Lamento por todos aqueles que tentaram. Porém, ainda não perceberam que a nossa mística e a nossa audácia hão-de levar-nos sempre ao lugar onde pertencemos.O foco e a união foram as nossas armas. E, além disso, entendeu-se que, mesmo que o Porto nos toque e nos mova de formas distintas, houve zelo e compromisso suficientes para o tornar numa prioridade coletiva. E este título é o reflexo dessa entrega, desse espírito de sacrifício e da vontade transversal a quem carrega, com fervor, o nosso emblema sobre o lado esquerdo do peito. Portanto, esta conquista, que sustenta tantas peças de uma caminhada singular [não perfeita, mas repleta de apontamentos bonitos, gratificantes e à Porto], tornou-se um novo grito de revolta e de liberdade, ecoando a uma só voz a essência de todos os portistas.O sete sempre foi o meu número favorito. E o sétimo dia de maio terá, a partir deste ano, um peso significativo. Emocionei-me muito: por tudo o que simboliza esta celebração, por todos os rostos que a construíram, por todos os que saíram e não se esquecem, por todos os que vestiram a camisola e se recusaram a desistir. Por isso, os Aliados e o Estádio do Dragão voltaram a cobrir-se com as cores mais bonitas: a do nosso amor.O campeão voltou. E como não tenho palavras suficientes para descrever a pele eriçada, as lágrimas de felicidade e a sensação indescritível de observar e sentir o nosso imenso mar azul, transbordo de orgulho ♥
Texto originalmente publicado em Entre Margens