Émile Zola é um dos grandes nomes da literatura clássica.

Li este livro em 2012. É um dos grandes romances clássicos, extenso e caraterísticas da época do naturalismo. Zola escreve, apesar de tudo, com "objetividade, em oposição ao sentimentalismo romântico", mas não deixamos de ter de ir lendo e interpretando quase parágrafo a parágrafo, com a necessidade de se ir enquadrando as personagens e os acontecimentos à luz da época em que acontecem, na visão de um escritor nascido em pleno século XIX.

"Nascida no meio operário, filha de um pai alcoólico e de uma lavadeira, Nana precisa de dinheiro para criar o filho que teve aos dezasseis anos de um pai desconhecido. Medíocre artista de teatro, prostitui-se para compor o ordenado ao fim do mês." É este o caminho que acaba por seguir, mas Nana quer mais e sabe como o poe conseguir.

"A sua ascensão social começa com o papel de Vénus, que vai interpretar num teatro parisiense. Não sabe cantar, mas as suas roupas impudicas e a sexualidade intensa atraem os homens e permitem-lhe viver num apartamento luxuoso, onde foi instalada por um rico comerciante de Moscovo."

"Nana vai tornar-se um exemplo de prostituta de luxo, da cortesã francesa do Segundo Império." Neste mundo, ela aprende a mexer-se e a integrar-se, alcançando  a riqueza, e afirmando-se "nos meios da aristocracia e da finança, reinando no seu palacete da avenida de Villiers, assumindo a mais completa liberdade entre móveis de laca branca e perfumes perturbadores."

Com as suas ações, Nana acaba a espalhar "heranças e mergulha famílias no desespero, exercendo o seu poder sobre os homens," que não lhe conseguem resistir. Nana desfere "golpes devastadores numa sociedade corrupta que despreza" através da sua posição social mas acabará "por ser vítima" da sua própria sede de poder.

Nesta obra de Émile Zola, a mulher desempenha o papel principal e toda a história gira à sua volta. Apesar de ser descrita como prostituta, Nana é vista como uma mulher forte, com valores bem definidos e uma determinação impar. É a sociedade que acaba por destruí-la, fechando-lhe portas e deixando apenas livres os caminhos que levam à sua desgraça.

Fontes:

https://www.wook.pt/livro/nana-emile-zola/23030500