O AMOR
O amor é um rastilho aceso por dentro dos ferros
De púrpura dos meses
O amor é um pano inconsútil pendurado nos arames dos pátios
O amor é uma lenta transmudação da água nos incêndios
O amor é uma âncora dividia entre o peso do lodo e
A leveza insustentável das alavancas hidráulicas
O amor percorre os labirintos de creta sem nenhum fio pretérito
O amor quima por dentro dos pulmões quando
Se respira junto às falésias de calcário
O amor é uma pedra e outra pedra escondida
Nas gaivas oscilatórias dos sismos
O amor é um vórtice onde se misturam palavras e buracos negros
O amor é uma árvore com as raízes atadas à nuvem das lágrimas
O amor é uma onda que precede o desmoronamento das
Cabeceiras declivosas das penínsulas
O amor é uma molécula da água a transformar-se em éter
O amor é a fórmula de heisenberg
O amor é um mapa em que o momento e a posição não coincidem
O amor é a pele incandescente
O amor é uma Puta
O amor é um arco que dispara em círculo
Contra o desprotegido coração.
José Carlos Barros é um poeta nascido em 1963 em Boticas.e é dos nossos poetas favoritos. É licenciado em arquitectura paisagista pela Universidade de Évora. Vive e trabalha em Vila Real de Santo António, no Algarve. Tem alguns livros publicados e aquele de onde retirámos este poema intitula-se Las Moradas Inútiles (As Moradas Inúteis) e foi lançado em Espanha, em edição bilingue com tradução do poeta Manuel Moya (ed: punta umbría) e integra a colecção Palavra Ibérica.

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