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| Fotografia da minha autoria |
«Uma cidade sem livrarias é uma cidade sem alma»
Livro. Essa palavra exata que se amplia em tantos significados, consoante as histórias que nos enlaçam, consoante os sentimentos que elevam; essa palavra que nos agrega como comunidade e que nos permite viajar pelas mais distintas rotas. Livro. Esse objeto transcendente que serena o mundo, que nos permite desfrutar do silêncio, que nos torna mais críticos, mais empáticos, mais plenos. É sempre inacreditável quando as palavras nos acrescentam tanto. E, por isso, é nos livros que nos perdemos e nos encontramos sempre.
Enquanto apaixonada pela leitura, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é uma data que faço questão de celebrar, porque acredito que todas as ocasiões são perfeitas para conversarmos sobre narrativas que adoramos e nos transformam e sobre escritores que têm o nosso coração por inteiro - ou muito perto disso. Dia Especial (2015), responder à proposta da Sofia Costa Lima (2018), Comprar vs Requisitar Livros (2019), Estante Cápsula (2020, acompanhado de uma semana temática), Dois Para Três (2021) e Contem-me Histórias (2022) foram as minhas abordagens até hoje. Para este ano, procurei dedicar-me a outro formato.
É inevitável, neste dia, pensar em todas as obras/todos os autores que se colaram à minha pele - e os quais recomendo sempre que possível. No entanto, quis distanciar-me de elementos concretos e concentrar-me no lugar onde a magia acontece. Assim, nesta data tão bonita, abro o Passaporte Livrólico para uma edição especial, para irmos descobrir quatro livrarias portuenses extraordinárias - e os livros que adquiri em cada uma.
LIVRARIA ABERTA
A Livraria Aberta não deixa ninguém à margem. Assumindo-se como uma livraria queer, na designação mais inclusiva do termo, o espaço encantou-me pelo traço minimalista e aconchegante, com um catálogo diverso e cuidado e um ambiente que aparenta ser «uma galeria de arte», na qual o livro é o centro das atenções.
O Paulo e o Ricardo idealizaram o projeto com todo o empenho e isso é bastante percetível pelo trabalho desenvolvido nas redes sociais e pela preocupação que ambos têm em proporcionar uma experiência confortável a todos os que procuram a livraria: quer na seleção das obras que podemos encontrar por lá, quer pelos eventos que organizam e que nos permitem debater tantas questões sociais pertinentes e urgentes.
Com exemplares em várias línguas e para diferentes faixas etárias, encontram-na na Rua do Paraíso.
Os livros que comprei
📖 Tudo Sobre o Amor, Bell Hooks;
📖 Mar Alto, Caleb Azumah Nelson;
📖 Rádio Silêncio, Alice Oseman;
📖 Bloom Volume 1, Kevin Panetta.
✏ Desta lista, já li Mar Alto (que se tornou num favorito) e Bloom (que ficou aquém das expectativas).
LIVRARIA TÉRMITA
É necessário ir de olhar atento para não passarmos ao lado deste lugar cheio de charme, com inúmeras histórias para contar e lançamentos de livros à espreita. Paredes meias com o Café Candelabro, temos de percorrer «um corredor para entrar». E é nesta transição que nos transportamos para uma realidade paralela.
O espaço recebe-nos como se chegássemos a casa. E por entre mesas, estantes altas, bem preenchidas, plantas e um jogo de luzes - naturais e artificiais - que lhe confere um ambiente singular, descobrimos um catálogo generalista, que comprova o quanto continuam «a acreditar no livro como objeto materializado».
Na Térmita vendem-se livros novos e usados, com particular destaque para títulos de fotografia, poesia, prosa e ensaio. Além disso, oferecem um programa versátil e apetecível. Encontram-na no Largo de Mompilher.
Os livros que comprei
📖 Obras Completas Maria Judite de Carvalho II, Maria Judite de Carvalho;
📖 Obras Completas Maria Judite de Carvalho V, Maria Judite de Carvalho;
📖 Para Que o Fogo Aconteça, Filipe Homem Fonseca.
✏ Pretendo ler Para Que o Fogo Aconteça ainda este mês (ou outros reservei para o Alma Lusitana).
LIVRARIA FLÂNEUR
A Flâneur é paragem obrigatória, para mim, em cada visita à Feira do Livro do Porto - e é onde faço a maior despesa. Curiosamente, nunca tinha visitado a livraria e perdi-me de encantos, assim que a inclui no roteiro.
A Cátia e o Arnaldo encontram nos livros «novos fôlegos, entusiasmo, vida», mas sempre de um ponto de vista livre, para que sejam partilhados. É por isso que, quando entramos neste espaço, somos logo acolhidos por uma sala ampla, recheada de estantes, de coleções, de títulos que contemplam vários géneros. Simultaneamente, somos convidados a ficar, a deambular entre prateleiras e mesas tão coloridas, e a voltar sempre que nos apetecer, para vermos livros específicos ou, então, para termos um encontro literário às cegas.
Livraria e Editora, relativamente perto da Casa da Música, encontram-na na Rua de Fernandes Costa.
Os livros que comprei
📖 A Estrada Para Firopótamos, Filipa Leal;
📖 Volta Para a Tua Terra Volume 2, Manuella Bezerra de Melo & Wladimir Vaz;
📖 Os Meus Sentimentos, Dulce Maria Cardoso;
📖 M Train, Patti Smith;
📖 Já Não Me Deito em Pose de Morrer, Cláudia R. Sampaio;
📖 Mar Negro, Ana Pessoa (que deixei encomendado e que, entretanto, já chegou).
✏ Desta lista, li M Train (que viagem tão bonita) e estou a pensar incluir A Estrada Para Firopótamos, Já Não Me Deito em Pose de Morrer e Mar Negro na TBR de maio (mês em que leio apenas autores portugueses).
LIVRARIA POETRIA
A Poetria nasceu, em 2003, «com dois grandes amores: a poesia e o teatro». Já a tinha tentado visitar noutras ocasiões, mas sem sucesso. Ainda assim, à terceira foi de vez e valeu totalmente a pena estes desencontros.
Com edições próprias, através da Fresca, e um catálogo «escolhido a dedo», encontramos títulos de autores portugueses, ingleses e brasileiros, fomentando a diversidade e dando voz a escritores marginalizados. A primeira casa da livraria situava-se nas Galerias Lumière, no entanto, após um período turbulento, com «ordens de despejo, propostas de indemnizações, petições públicas e mobilizações cívicas», a Poetria resistiu e mudou-se para uma nova morada, «a 100 metros da localização anterior», para continuar a sua missão.
O espaço, que conta com dois pisos (o primeiro com prateleiras recheadas de histórias e o segundo para lazer), é encantador, acolhedor e irresistível. Mas não se faz só de livros, já que também organizam eventos na livraria. Encontram-na na Rua Sá de Noronha, com o melhor anfitrião de sempre: o amoroso cão Blake.
Os livros que comprei
📖 Guarda Nocturno, Ana Freitas Reis;
📖 A Importância do Pequeno-Almoço, Francisca Camelo;
📖 O Ano do Macaco, Patti Smith.
✏ Desta lista, ainda não descobri qualquer título, mas devo incluir Guarda Nocturno nas leituras de maio.
Feliz Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor ♥
