Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Terminei de ler ontem à noite. Havia começado e parei por um tempo, mas faltava justamente a parte da história do capelão, e logo após isso, o desfecho final. Pouco mais de 20 páginas.
Esse post, originalmente foi sendo escrito como um comentário no post de Leonardo para esse livro, mas conforme fui escrevendo, o comentário foi tomando ares de post…
A leitura de O Processo foi bastante interessante para mim por que fugi das minhas leituras habituais (literatura fantástica), para um livro totalmente filosófico, baseado em problemas da sociedade burocrática, tema totalmente novo para mim.
O livro abre tantas portas para a interpretação, que se o leitor não tiver uma mente aberta o odiará. Lendo alguns comentários no skoob, vi que várias pessoas ficaram apegadas ao crime cometido por K., o que torna a boa leitura (leitura interpretativa, no caso deste livro) quase impossível (e também muito chata). Ler o livro sobre o prisma do crime é um erro.
O objeto do texto é o processo em si, a dificuldade de reconhecer o que se deve ou não fazer, e o porquê. Entender o que está acontecendo, até mesmo saber se as pessoas a quem se recorre sabem alguma coisa sobre a Justiça. Entender que justiça é essa tão distante, tão sem substância, tão imaginária e irracional. Quem faz a justiça afinal? Baseada em que ela foi escrita? E por quem? O crime em si não importa, é apenas uma necessidade literária, algo necessário à própria existência de sentido do livro, pois não importa, afinal, que tipo de crime foi cometido, o processo é o mesmo; a dificuldade, a culpa, o peso, a paranoia que se cria diante da situação de ser um acusado é o que importa. Foi para relatar isso que o livro foi escrito, para isso que ele existe.
Afinal, será mesmo que K. não conhecia o crime pelo qual foi acusado? Como poderia então se declarar inocente, escrever petição, buscar defesa, de algo que não conhecia? Contudo, se é mesmo verdade que ele desconhecia o motivo de sua acusação, seria essa burocracia tão cega que não importa o motivo da acusação, e sim ter sido acusado. A justiça é cega, surda e sem preceitos/fundamentos que independe de crime, move-se por critérios desconhecidos, funcionários estranhos, em locais estranhos, para um desfecho, muitas vezes, inalcançável?
Por fim, dou nota 5/5. É um livro curto, mas de conteúdo brilhante. Obrigatório. Mas sua leitura não é para todo mundo.