Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Tenho várias ambições em relação à Literatura, e uma delas é aprender a APRECIAR A POESIA. Sou um apaixonado pela prosa. Perco-me facilmente em histórias bem narradas, e a forma de se contar a história exerce um fascínio especial sobre mim. Quando o assunto é POESIA, entretanto, revelo-me um total analfabeto. Meu conhecimento pode ser considerado nulo, mas, na minha opinião, o pior é que não consigo apreciar a poesia. Vejo os críticos e os grandes leitores, os personagens dos livros, os amantes da literatura falando de como se deixam levar pelas palavras, pelas rimas, pela fantasia dos poetas, e eu, nada.
Quero desenvolver isso, porque é óbvio que para gostar de poesia preciso ler bastante para ir conhecendo e aprendendo. Aqui no blog vou fazer um pequeno exercício: toda semana colocarei algum pequeno poema. Nem sempre vou compreender o que está sendo dito, adianto, e certamente nem sempre vou apreciar devidamente o que for colocado, mas ao menos compartilho com os outros esse meu desejo de adentrar neste mundo tão rico que é a POESIA.
Começo com Jorge Luis Borges e um pequeno poema, “Ao Triste”, traduzido livremente por Renato Suttana e disponível em (http://www.arquivors.com/):
AO TRISTE
Eis aqui o que foi: a rude espada
do saxão e sua métrica de ferro,
os oceanos e as ilhas do desterro,
o filho de Laertes, a dourada
lua do persa e intérminos jardins
que há na filosofia ou que há na história,
os ouros tumulares da memória,
e na sombra o perfume dos jasmins.
E nada disso importa. O resignado
exercício do verso não te salva,
nem as águas do sonho, nem a estrela
que na noite arrasada esquece a alva.
Somente uma mulher é teu cuidado:
igual a tantas outras, mas é ela.