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| Fotografia da minha autoria |
«Quem faz música inspira sonhos»
O meu sonho é ter um gira-discos, para que a música ecoe pela casa através do som distinto dos vinis. No entanto, enquanto esse desejo não se concretiza, alterno entre as plataformas digitais e os álbuns que faço questão de adquirir. Não só para ter uma recordação física na estante, mas também para valorizar os artistas que tanto me inspiram.
Sempre fui uma ávida consumidora de música portuguesas, mas passei a estar mais atenta às novidades por causa da PORTUGALID[ARTE]. E a verdade é que setembro, em particular, foi palco de inúmeros lançamentos, aumentando o meu reportório. Ainda assim, não posso deixar de recuar a uma descoberta que fiz em agosto e avançar para uma de outubro. É notório que o nosso panorama musical tem talentos em ascensão, que acompanham muito bem os nomes já conhecidos do público.
Observando a lista, estes foram os últimos álbuns que me conquistaram.
COMUMDIDADE, MARIANA MOREIRA
O disco de estreia da ex-concorrente do The Voice tem uma versatilidade encantadora, até porque interliga o folk, o indie pop e a música tradicional portuguesa. Composto e produzido pela própria, leva-nos numa viagem por temas comuns a todos nós, em alguma fase da nossa jornada. Num misto de sensações, inquietações e certezas, o seu timbre embala-nos, colocando como metades da mesma moeda os dilemas que nos desarrumam por dentro e aquilo que nos deixa confortáveis.
CANÇÕES DO PÓS-GUERRA, SAMUEL ÚRIA
O sucessor de Carga de Ombro questiona «a pós-modernidade e o falhanço coletivo, de todos nós sem exceção». Portanto, é um trabalho melódico que nos faz olhar para dentro e refletir sobre os passos dados. Privilegiando a mistura entre o rock, o folk e a música tradicional portuguesa, funciona como um autêntico manifesto, um protesto, que é complementado por um plano visual e por «uma grande fome de palco».
O TEMPO VAI ESPERAR, OS QUATRO E MEIA
Este segundo álbum evidencia o amadurecimento do grupo e a exploração de novas sonoridades, recorrendo à introdução de instrumentos que não faziam parte da sua bagagem musical. Em simultâneo, nota-se uma certa heterogeneidade do estilo que articula a história de cada canção, porque partiram das influências que os inspiram e alargaram horizontes. Deste modo, deram forma a algo em que acreditam: a música não tem barreiras. Além disso, procuraram não se limitar a um único registo, estabelecendo, assim, um diálogo harmonioso entre a música popular portuguesa e outros géneros [a minha opinião completa aqui].
VIAS DE EXTINÇÃO, BENJAMIM
As teclas e os sintetizadores são a imagem sonora deste disco, transmitindo um lado muito mais pessoal, pois expõe as angústias e as dúvidas que o artista sente, tanto em relação ao presente, como em relação ao futuro. Apesar de ter visto o seu lançamento adiado por causa da pandemia, já é possível desfrutar deste pedaço de arte, que nos coloca em constante análise das rotas que estão por explorar.
UMA PALAVRA COMEÇADA POR N, NOISERV
Na última sexta-feira de cada mês, o cantor foi revelando as músicas que compunham o seu álbum. Numa verdadeira odisseia, este trabalho é uma história dividida por 11 capítulos, com vários cenários e personagens. Conhecido por «usar objetos inusitados como instrumentos», é certo que construiu uma autêntica obra de arte, cuja componente visual tem um grande impacto na interpretação de cada mensagem - por isso, todas as músicas saíram acompanhadas de um videoclipe. Tenho-o ouvido em permanente repetição. E não posso deixar de destacar a capa do disco, que é de uma originalidade espantosa.
DO CORAÇÃO, SARA CORREIA
Sou uma eterna apaixonada por fado. E a voz da Sara é inacreditável. Neste segundo trabalho, permitiu-se abrir a porta a novas influências, contando - e cantando - com letras de artistas tão distintos. Focando-se nas várias formas que o amor pode assumir, arriscou e trouxe outra dinâmica ao fado tradicional, mas sem perder a sua autenticidade.
PRIMAVERA, IRMA
O primeiro álbum de Irma Ribeiro espelha as suas influências angolanas, numa viagem que parte do coração para o mundo. Com uma voz que nos sossega, de tão serena que é, dá asas aos seus sonhos. E leva-nos a deambular por faixas que tanto elevam o nosso lado mais emocional, como nos deixam com vontade de dançar. Que preciosidade.
