Fotografia da minha autoria

«Escrever é a minha forma de mudar o mundo 

- pelo menos, o meu»

A caneta esteve quase sempre em movimento, atribuindo uma forma desenhada - a azul ou a preto - aos meus pensamentos. Às minhas memórias. Às minhas leituras. Aos meus sonhos. Porque é neste ritmo criativo que me encontro, desvendo e reinvento. Sou mais eu quando mergulho na infinidade de uma folha em branco, oferecendo asas à minha imaginação. E, por isso mesmo, As gavetas da minha casa encantada só podia ser uma extensão de tudo o que confidencio nos meus cadernos.

O ano passado, alcancei um registo inédito no arquivo deste blogue [365 dias, 365 publicações], mas não me permiti ficar presa a esse número, até porque não é isso que me motiva. Em 2019, mantive a mesma dinâmica diária, mas tive necessidade de fazer pequenas paragens, para desfrutar de oportunidades imperdíveis, descansando a mente e reorganizando a identidade que priorizo em qualquer circunstância. Por essa razão, sinto-me bastante orgulhosa do percurso traçado neste lar virtual e no conteúdo que partilhei em rede, uma vez que representa muito daquilo que guardo no lado esquerdo do peito. Num processo intimista de autoanálise, compreendi que evoluí e que continuei a reservar espaço para todas as minhas paixões. Além disso, entre projetos pessoais e iniciativas que me despertaram vontade de as abraçar, escrevi muito mais sobre cultura. E aprimorei a linha editorial desta casa, mas sem fechar a porta a novas aventuras.

Escrever é mesmo o meu dialeto. É a forma mais bonita e desafiante de me expressar. E coloco toda a minha alma em cada texto que produzo - seja ou não biográfico. Portanto, é sempre complicado enumerar aqueles que me realizaram mais, porque, honestamente, todos têm algo de especial. Ainda assim, há 12 publicações que se destacaram.

// JANEIRO //

Avenida dos Aliados | Diogo Piçarra: A noite estava fria. As luzes da cidade cobriam o céu de um tom quente. E, ao longe, enquanto me despedida da estação de S. Bento, avistava uma Avenida dos Aliados - tão familiar e sempre tão intensa na forma como nos acolhe no seu regaço - a ser preenchida por uma moldura humana plural, distinta e unida por um motivo comum: o concerto do Diogo Piçarra, que voltou a fazer história. Que privilégio acompanhar este momento [aqui].

// FEVEREIRO //

Desapegar & Destralhar: O peso do que nos mantém presos não fica mais leve. Muito pelo contrário. E as falsas raízes, que acreditamos serem genuínas e descomplexas, só nos atrasam. Por isso, a nossa vida tem fases. Tem processos. Tem ritmos. E tem capítulos que precisamos de avançar - ou de parar de escrever. Porque o desapego é poético, mas, caso não venha de dentro, é uma mera folha a esvoaçar sem direção. E eu sinto que estou numa etapa em que tenho que voltar a destralhar: a alma, o armário, o meu sentido. Mantendo a bagagem certa [aqui].

// MARÇO //

TBC | As Mulheres da Minha Vida: Mulher. Botão de camélia a florescer. Jardim em flor. Com o futuro em ascensão. Não me recordo de, algum dia, ter tido desejo de não ser mulher, por muito que, por vezes, parecesse mais facilitado ser homem - mas, neste contexto social, nunca o será, porque o preconceito não está só no género. Vem de dentro, de um lugar escuro de uma personalidade frágil e sem amor próprio. Porém, mesmo em menina, sempre senti um orgulho visceral - e inexplicável - de ser mulher. Num bem-estar pleno com a minha essência, com a minha feminilidade - nesta vaidade que nunca me retirou o doce traço de consciência e humildade [aqui].

// ABRIL //

Os Livros da Minha Infância: As palavras sempre foram uma constante no meu percurso, bem como as histórias. No entanto, talvez numa ordem inversa: primeiro, rendi-me às escritas e, só depois, às lidas. Porque os meus hábitos de leitura não eram tão prioritários como a minha relação com a criatividade que via crescer, através dos meus dedos pequenos e rechonchudos, em papéis que pareciam não ter fim. Apesar de tudo, houve livros que me marcaram e que ainda hoje faço questão de preservar, porque retêm memórias da minha infância [aqui].

// MAIO //

Azul e Branco é o Coração: O futebol nunca será só um jogo dentro de quatro linhas. É, pelo contrário, um espetáculo de emoções fortes, que me move, que me implica por inteiro, que me apaixona. E não permito que me quebrem a certeza de que esta festa pode renascer sempre da verdade. Há um lado enegrecido que é preciso combater, para que não contamine a raiz bonita que ainda sustenta o entusiasmo da massa adepta. E nesta chama azul e branca, que avança contra tudo o que a tenta apagar, eu sinto a mística de um clube sem igual [aqui].

// JUNHO //

Dez Anos // E Se Eu Não Tivesse Criado o Blogue?: A nossa mente é um lugar curioso. Por isso é que procurar responder a cenários hipotéticos nem sempre é intuitivo. Ficamos no limbo da nossa imaginação, a ponderar saídas, mas sem alcançar uma verdade absoluta. Eu sempre escrevi. Mas não tive sempre um blogue. Houve uma fase em que as minhas palavras apenas confidenciavam com o papel. No entanto, já começa a ser difícil recordá-la. Porque esta plataforma revolucionou o meu percurso. E tornou-o significativo [aqui].

// JULHO //

1+3 | Gestos que Fazem a Diferença: As letras são o meu dialeto. São o vínculo de comunicação que interliga os pensamentos periclitantes, o papel e o[s] destinatário[s]. Contudo, neste processo de evolução e maturação interior, é percetível a fragilidade da mensagem, uma vez que pode ser deturpada por intenções pouco genuínas. E se as palavras podem ser estudadas e camufladas, assumindo a forma do que se quer ouvir, os gestos têm uma reação mais imediata e menos polida. E num ambiente social, há manifestações que fazem toda a diferença [aqui].

// AGOSTO //

Alentejo: Uma História de Amor: O meu Alent[ej]o. A minha identidade divide-se entre duas cidades, ou não fosse eu filha de uma mãe de Gaia e de um pai do Porto. Mas algures no meu crescimento, sem saber explicar como, devo ter herdado uma costela alentejana. E como há lugares que sentimos como casa, quero sempre regressar [aqui].

// SETEMBRO //

Storyteller Dice // Chamada Suspensa: O toque. Sempre aquele toque estridente, às quatro da manhã, que me despertava em sobressalto. E eu insistia no mesmo ritual: levantar-me, ir até à sala, pegar no telefone e tentar compreender quem poderia ser e que brincadeira de mau gosto seria aquela. O problema é que, do outro lado da linha, apenas conseguia identificar um assobio sinistro. Então, desligava a chamada e a minha noite estava perdida, numa angustia [aqui].

// OUTUBRO //

A Minha Estante de 30 Livros: O minimalismo trouxe alguma paz de espírito à nossa casa interna e física, porque nos permitiu compreender aquilo que, efetivamente, nos pode ser útil. No entanto, somos feitos de emoções e temos uma capacidade singular para criar memórias nos mais diversos objetos e peças. Portanto, este processo nem sempre é intuitivo e célere. Requer desapego e auto-controlo. E uma perceção clara dos benefícios. Mas, quando o abraçamos, há um aconchego diferente. Há uma sensação de liberdade inspiradora e mágica. Só que tudo isto muda de figura quando chegamos a um compartimento muito específico: a nossa biblioteca [aqui].

// NOVEMBRO //

O Meu Pequeno Príncipe: Há doze anos, quando peguei em ti pela primeira vez, não tinha noção de que há amores que aprendemos a cuidar fora do peito. Que há medos - talvez - irracionais, que nos assaltam a paz nas ocasiões menos apropriadas. E que o nosso sentido de proteção se ativa a um nível desproporcional e impossível de definir, porque temos outra vida para além de quem somos. Mas é este compromisso que nos permite transbordar. De afeto. De luz. De amor [aqui].

// DEZEMBRO //

Christmas Is Coming | Solidariedade: O tecido que interliga os nossos sonhos é, também, um lembrete para o quanto não estamos nesta estrada sozinhos. Funcionamos no mesmo plano de ação, mas é essencial respeitarmos os diferentes ritmos, verdades e valores. E há poucas coisas nesta vida que sejam tão importantes como a empatia. Porque é a nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro que permite que não desvalorizemos as suas lutas, estendendo-lhe a mão - ou amparando-o - quando o precipício parece mais perto [aqui].

Quais as publicações que mais gostaram de escrever?