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«Só se chega lá com muita luta»
A luta feminista não é recente, mas permanece crucial, porque a mulher continua a não ser educada para se pôr no mesmo patamar do homem, porque a sociedade continua amplamente machista, patriarcal, e porque, em pleno século XXI, parece que temos de gritar para nos fazermos ouvir e sermos consideradas relevantes.
Quando leio um livro centrado nesta problemática, não espero um cenário distinto do que conhecemos. Espero, isso sim, ser confrontada com novas perspetivas, provenientes da experiência do autor, pois acredito que um lugar de fala ocupado na primeira pessoa tem outro impacto. E foi isso que encontrei na obra de Ruth Manus.
MULHERES NÃO SÃO CHATAS
Mulheres Não São Chatas, Mulheres Estão Exaustas não é revolucionário, mas comprova que ainda existem muitos campos de batalha a precisarem de intervenção. Desde o sentimento de culpa à autossabotagem, passando pelo poder conferido ao homem e pela pressão dos padrões, é percetível que não nos vemos como uma prioridade, que somos tratadas com condescendência e que se perpetua um contínuo plano de cobrança.
A escrita de Ruth Manus é muito próxima, descomplicada e, inclusive, cómica, mas com uma dose de realidade que incomoda e que, honestamente, nos deveria envergonhar como sociedade, já que parece impossível cruzarmo-nos com tantos comportamentos que diminuem as mulheres. O grave é que existem e nas mais diversas e subtis situações. Num período em que temos acesso a tanta informação e que debatemos questões sobre igualdade, insistimos na ignorância e numa mentalidade obsoleta, que nos divide em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda - e não é difícil perceber que género pertence a cada uma destas categorias.
Envolvendo-nos nas reflexões da autora, compreendemos a urgência de reivindicarmos os nossos direitos.
MULHERES ESTÃO EXAUSTAS: CINCO CITAÇÕES QUE MOSTRAM QUE SÓ SE CHEGA LÁ COM MUITA LUTA
Tenho o livro marcado com muitos post-its, para eternizar ideias, conclusões e temas relevantes. Não obstante, creio que estas cinco citações são um exemplo fidedigno do quanto precisamos de uma mudança estrutural.
📖 "Culpa é um substantivo feminino. Será coincidência" ➤ porque há sempre julgamentos e dedos apontados a tudo o que a mulher faz, como se ela não pudesse falhar, como se tivesse de caber nos padrões criados;
📖 "Na escola, nas aulas de matemática, aprendemos fórmulas e teoremas com nomes de homens (...) Em física (...) Em química (...) Em história (...) Em geografia (...) Nas aulas de literatura lusófona (...) Como esperam que as meninas acreditem, de facto, que podem ocupar as mesmas posições que os meninos?" ➤ esta falta de representatividade, de exemplos femininos, distorce o futuro, limita-nos, corta-nos as asas, porque passamos a acreditar que há lugares inalcançáveis para as nossas competências;
📖 "Lembremo-nos sempre. Nada veio de graça" ➤ como se nos fizessem um favor por nos permitirem termos acesso a direitos básicos, como se estivéssemos sempre em dívida por esta falsa generosidade;
📖 "Já disse e repito: a vida da mulher não é património público. O útero da mulher não é património público (...) privacidade e intimidade têm de ser conceitos muito claros" ➤ portanto, já é hora de compreendermos que não nos compete opinar sobre todas as decisões que a mulher toma, sobretudo, quando são diferentes daquilo que achamos ser o correto. Além disso, seria interessante desprendermo-nos desta dualidade de critérios;
📖 "Enquanto uma de nós não usufruir da liberdade, continuamos todas a ser prisioneiras" ➤ porque a luta é de todos e porque nada é garantido. A história mostra-nos isso. As notícias alertam-nos para isso todos os dias. O caminho continua longo, por isso, não podemos abrandar, muito menos desistir.
DIA DAS MULHERES
Feliz dia das Mulheres. Plural. Porque não somos um só corpo, uma só uma identidade, uma só voz - mas podemos uni-las para quebrar barreiras e estereótipos. Somos várias, com todas as diferenças que nos devem empoderar e nunca diminuir, sem termos de pedir licença para estar, para ocupar lugares de destaque; sem termos de pedir desculpa por existirmos. Sejamos livres, feministas, de braço dado com a sororidade. Sempre!
