por talesforlove, em 17.10.20

Saúdo todos os que me lerem,

Tirando-lhes o chapéu largo

Quando me vêem à minha porta

Mal a diligência levanta no cimo do outeiro. 

Saúdo-os e desejo-lhes sol

E chuva, quando a chuva é precisa,

E que as suas casas tenham

Ao pé duma janela aberta

Uma cadeira predilecta

Onde se sentem, lendo os meus versos.

E ao lerem os meus versos pensem

Que sou qualquer coisa natural —

Por exemplo, a árvore antiga

À sombra da qual quando crianças

Se sentavam com um baque, cansados de brincar, 

E limpavam o suor da testa quente

Com a manga do bibe riscado.

Até breve.

Fonte: http://arquivopessoa.net/textos/1456