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A menos que, nestes últimos 3 meses do ano, apareça um livro completamente arrebatador, “O caderno proibido” é o melhor livro que li em 2024.

Tudo começa quando numa manhã de domingo Valéria sai para comprar tabaco para o marido. Enquanto espera vê na montra uma pilha de cadernos e decide que quer um, mas porque a tabacaria estava apenas autorizada a vender tabaco, o vendedor diz-lhe que é proibido vender-lhe aquele caderno. Valéria consegue persuadir o vendedor e segue para casa não sabendo ao certo o que fazer com o caderno, começando por considerar aquela decisão um erro já que, se dissesse à família que tinha comprado um caderno para, pura e simplesmente escrever, seria ridicularizada. Assim, Valéria decide esconder o caderno e, nos momentos em que consegue estar sozinha, escreve e volta a escondê-lo.

Valéria escreve sem rodeios sobre aquela que é a sua vida, as suas opiniões, as opiniões das amigas, da filha, do filho e do marido. Escreve sobre como é vista por todos e sobre como se vê a si própria. Escreve sobre aquelas que lhe parecem as limitações naturais de uma mulher casada, na casa dos quarenta, na época retratada.

Nas entradas registadas encontramos uma mulher que tem tanto mais para dar, mas que se anula porque o seu lugar na família e de acordo com o que na sociedade se espera, assim o exige.

Escrito numa linguagem clara, sem floreados e sem recurso recorrente a metáforas, “O caderno proibido”, editado pela primeira vez há 70 anos, mantém-se, em muitos pontos, terrivelmente atual.