Fotografia da minha autoria

«Cansei-me de ser rosa, quero ser jardim»

É estranho saber o tempo fora de mim

Este pulsar de um peito inquieto

Que me lê cada recanto de alma sombrio

Ecoando o silêncio que é o colo dos meus fantasmas

Fora deste imenso jardim de cristal

Piso um chão de lágrimas turvas

Onde respiro os dias

Que não me derrotando

Me gritam as falhas do meu voo hesitante

E de olhos postos sobre o rio

Sinto-me um verso inacabado

Escondido nesta paisagem que é casa

E que me sabe de cor

E caminhando sozinha

Por esta avenida de tílias metafóricas

Semeio sonhos como quem espera

Uma tempestade revolta

Que apenas descobrirei pela força do embate

Já não me sei como poesia

Mas quando inspiro o ar desta margem

Entendo que há raízes que me edificam

E flores a um compasso de brotarem

Como se eu fosse renascer

E de braços estendidos

Recuando do abismo

Há uma voz de sororidade 

Que embala o modo como te vejo

Enquanto casa e cidade

Enquanto o meu rosto de mulher

E respirando fundo

Neste quadro de natureza viva

Voar já não me assusta

E eu embarco serena

Nas asas de uma andorinha