Fotografia pessoalTema: Positividade CorporalAvisos de Conteúdo: Depressão, Racismo, ViolaçãoA minha relação com a imagem refletida no espelho nem sempre foi pacífica. Aliás, continua a ser um processo, porque nunca está concluído. A diferença é que aprendi a respeitar as suas metamorfoses e, sobretudo, compreendi que é uma questão que vai muito além do peso e do número na etiqueta. Portanto, conversar sobre positividade corporal é alargar o espectro e fazer uma viagem introspetiva, cimentando uma ligação saudável com as nossas curvas - externas e internas. Para tal, regressei à sublime arte de Rupi Kaur.«a minha mente está sempre a fugir para cantos escuros»Corpo Casa divide-se em quatro partes fundamentais: mente, coração, descanso, despertar. E é através delas que sentimos a oscilação entre estados de espírito antagónicos. Porque os versos da autora sugam-nos para um lugar sombrio, abusivo e sufocante, ao mesmo tempo que, devagar, nos libertam e nos envolvem numa onda de luz e esperança. Por consequência, mergulhamos num regresso ao passado, sentindo o medo, a pressão, a vergonha e a sensação de insuficiência, para, de seguida, assumirmos a urgência de redefinir o presente - que nunca deixará de ser marcado por todas as feridas e traumas que têm espaço na nossa história.«o meu corpo veste tudo aquilo por que passou»É impressionante como esta obra é tão dolorosa e viciante. Porém, esta dicotomia é fruto da escrita crua e sempre certeira de Rupi Kaur. Porque, em poucas palavras, tece o panorama que nos faz refletir sobre direitos sociais, flagelos ambientais, exploração laboral, relações tóxicas, depressão e sobre o quanto se despreza, ainda, o testemunho das mulheres. Além disso, é notório que a sua poesia tem dois propósitos basilares: desabafar e denunciar, pois é desta maneira que combatemos o perigo, a malvadez e os vários tipos de abuso.«aquele que eu mereçoverá a minha grandeza equererá elevá-la ainda mais»Num ciclo em que quebramos, sobrevivemos e renascemos, há espaço para perceber que dar voz à nossa vulnerabilidade pode ser o segredo para apaziguar as dúvidas e as dores que se entranham em nós. E há tempo para descobrir que o amor próprio é a peça central para a nossa cura, para aceitarmos a mudança e para fazermos do corpo o lar mais precioso, porque é o que existe no interior que nos catapulta para o mundo.«e eu envelhecià procura da felicidadeem lugares onde ela não existia»Corpo Casa é uma conversa intima sobre empoderamento, resiliência, produtividade, adaptação cultural e cobrança, intercalando temas comuns aos poemas da autora, enquanto abre a porta a novos tópicos. Colocando uma bandeira no feminismo e na importância de cuidarmos do nosso bem-estar, apela para que façamos as pazes connosco, libertando-nos de fantasmas passados e diminuindo o peso daquilo que não controlamos. Porque o potencial do nosso eu está, apenas, à distância de tudo o que existe na nossa alma; nesta casa que habitamos e que merece especial atenção. Além do mais, nunca estaremos sós nesta luta.«- não vais a lado nenhum sozinha»// Disponibilidade //Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Muito obrigada pelo apoio ♥