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Tema: Como é que é ter um bloqueio de escritor
O drama da folha em branco é uma realidade. Não só pela memória visual do que teremos de preencher, mas também pelo desafio que se revela a construção da primeira frase ou do primeiro verso. E esta problemática pode despertar outra condicionante central: o bloqueio de escritor.
Num plano amador, formativo ou profissional, já todos o sentimos na pele. Porque as palavras, por mais inspiradoras e essenciais que sejam na nossa vida, nem sempre acompanham a nossa predisposição. E acabamos por não ser capazes de dar estrutura aos nossos pensamentos. Se, no começo desta jornada criativa, era frustrante chegar a este impasse - sobretudo, quando havia vontade e disponibilidade, mas a articulação do discurso não correspondia -, a verdade é que, passo a passo, fui aprendendo a relativizar. E a encarar estas circunstâncias com naturalidade. Porque faz tudo parte do processo. Sei que soa sempre a lugar comum, porém, foi das lições mais importantes que guardei. Porque me permitiu evitar algo pouco saudável: a cobrança em exagero.
Para quando surge a questão «bloqueei e agora?», há várias direções a seguir, até porque é um caminho singular [aquilo que funciona com uns não significa que resulte com os demais]. Portanto, é essencial conhecermo-nos. E estarmos conscientes dos mecanismos que nos possibilitam progredir. Como escrevo em avanço, aproveitando os momentos de maior criatividade, não sinto tanto este efeito paralisante. Apesar disso, faço questão de priorizar cinco truques.
1. NÃO FORÇAR
Não acordamos sempre com a melhor predisposição e não há qualquer problema. Se determinada ideia não está a fluir, permite-te não insistir. Por vezes, só precisamos de nos distanciar e de regressar com uma visão renovada, o que não seria possível, caso continuássemos a forçar um conteúdo que não tinha de seguir aquele rumo definido.
2. ESCREVER SEM OBRIGAÇÕES
Na sequência do ponto anterior, podemos optar por, mesmo assim, escrever. Sem estarmos preocupados com estruturas, com pensamentos lúcidos, com a mensagem propriamente dita. Só pelo prazer de ver um texto a nascer. E podemos partir do tema que despoletou o bloqueio ou, então, seguir uma linha completamente distinta. Porque, acredito, é algo que nos retira pressão e nos deixa mais leves. Depois de nos libertarmos desse fantasma e de termos feito um exercício de escrita autónomo, encontramos novas ferramentas para explorar a temática. Se, apesar disso, não resultar, retomem o tópico um e tentem mais tarde.
3. OBSERVAR. LER. ESCUTAR
Encontrem inspiração noutras fontes de cultura, porque ajudam muito a alargar horizontes e a perceber que há muitas perspetivas para o mesmo assunto [e isso é, também, válido para quando não estão a enfrentar um bloqueio]. Assim, vejam um filme, uma série, um documentário. Ouçam música. Leiam. Conversem. Façam uma caminhada. No fundo, desliguem do papel e concentrem-se noutras atividades, porque vos dão outra propriedade, outra maturidade, outros pontos para eventuais reflexões.
4. LISTEM CONTEÚDO
O vosso bloqueio não vos permite construir o texto, mas certamente que não vos impede de ter uma ideia do que pretendem abordar - só não estão a saber qual a melhor forma de o fazerem. Então, anotem tudo o que pretendem incluir, porque, deste modo, garantem que, quando este contratempo vos libertar, têm todos os pontos à vossa disposição.
5. RESPIREM. RELAXEM. OUÇAM-SE
Nenhum dos aspetos supracitados funcionará, se não conhecerem o vosso ritmo e não ouvirem o vosso corpo, a vossa mente e a vossa agenda. Há alturas em que vamos lá por tentativa-erro, outras quando nos tornamos mais disciplinados. E há sempre quem trabalhe melhor sobre pressão [e eu encaixava muito neste último grupo, principalmente, durante a faculdade]. Por isso, respirem. E, por favor, não se comparem, porque isso só vos levará a sentir uma pressão desnecessária. Acreditem, tal como as tempestades, nenhum bloqueio durará eternamente. É uma fase.
Esta questão pode ser mais fácil de gerir, caso não existam obrigações associadas. Logo, é crucial adaptar cada dica [estas ou outras] ao nosso contexto, para que a experiência seja a mais benéfica. Independentemente de tudo, e porque nunca é de mais reforçar, é uma consequência natural do processo de escrita. E, se os bloqueios existem, não desesperem, pois é sinal de que estão a [tentar] criar.
